OPINIÃO

O vintage e a minha paixão pela fotografia

Sendo esta a minha primeira primeira participação na FOTO GURU, trago-vos o que foi para mim o primeiro passo para aderir à fotografia analógica: objectivas vintage.
Como já foi previamente abordado aqui, objectivas vintage são uma solução mais económica quando comparadas com as suas irmãs mais novas, não deixando de ter as suas particularidades…

Durante muitos anos o sistema de 35mm foi o mais utilizado tendo deixado uma imensidão de exemplares disponíveis, orientadas para o seu equivalente digital, o full frame. Mas se por um lado as objetivas de 35mm (analógicas) imperam no mercado, o mesmo não acontece com as de distância focal inferior a 28mm. Estas, tendo uma conotação diferente, sendo já um artigo de especialidade, estão bem distribuídas e conservadas por quem as tem.

Por outro lado, e mesmo sendo uma constante na era analógica, as objetivas zoom contrariam a tendência das 35mm. Uma vez que a sua qualidade original foi largamente ultrapassada pelas novas objetivas zoom, estas vintage deixaram de ser uma possibilidade, não lhes sendo dado grande valor e importância. Esta classe de objetivas é salva pela sua vertente prime, onde a qualidade original ainda supera a qualidade das objetivas zoom atuais. Este facto deve-se essencialmente à qualidade dos materiais de construção que, tendo passado a ser considerado de utilização “proibida”, com um ligeiro índice radioativo, obrigaram a uma perda substancial da qualidade.

Grande parte destas objectivas possui muitas lâminas de abertura, foco com linhas de hiperfocagem que facilitam o uso rápido e preciso. A robustez é incomparável e a simplicidade em termos de manutenção levam-nas a serem consideradas objeto de desejo por muitos fotógrafos.

Outros tempos, outras máquinas e a focagem automática que hoje está presente em todas as objetivas, era um tema do qual nem se ouvia falar. A focagem era manual, e a estabilização estava a cargo do fotógrafo. Já a abertura, essa tinha de ser controlada também manualmente, na objectiva ou nalguns casos no próprio adaptador.

Para podermos utilizar este tipo de lentes com o nosso equipamento digital é necessário utilizar sistemas de objectivas cuja distância à película seja igual ou superior à distância ao sensor do vosso sistema. De outra forma teremos perda de foco ao infinito e, por conseguinte, de qualidade. Os sistemas mais comuns, Canon EF/EF-S e Nikon F tem uma distância ao sensor de 44mm e 46, 50mm respectivamente; já nos sistemas mirrorless a distância ainda é inferior tornando-as ideais para aproveitar estas objectivas mais vintage.

Não é difícil encontrar adaptadores mecânicos que permitam compensar a diferença de distância e utilizar este tipo de vidro. Alguns dos encaixes mais comuns são o M39, também conhecido como Leica Thread Mount ou L39 (28,80mm), os Canon FD e FL (42mm), o M42 (45,46mm) e o Olympus OM (46mm). Apesar das câmaras Nikon terem uma distância superior, é ainda possível utilizar estas objectivas desde que não nos importemos de perder a possibilidade de focar ao infinito ou utilizemos um adaptador com elementos ópticos.

Destes sistemas antigos, o mais interessante é provavelmente o M42 pois foi um sistema utilizado por diversos fabricantes de ambos os lados da cortina de ferro, existindo assim muita oferta de objectivas de diversas marcas a preços muito baixos.

A forma mais simples de utilizar uma objectiva vintage é recorrendo ao modo de prioridade à abertura. Como elas não transmitem essa informação, o ideal é focar com a objectiva completamente aberta e depois fechar para a abertura desejada, deixando a câmara calcular a velocidade necessária para atingir a exposição ideal. Focar não é também o mais simples de executar pois as câmaras atuais foram desenhadas para objectivas de focagem automática e já não incluem ecrãs com despolido, microprismas ou outros auxiliares, mas com jeito “vamos lá”.

2015_0125_5394Assim a forma mais prática de o fazer é recorrendo ao live view, focar utilizando o centro da objectiva (onde esta tem maior precisão) e utilizar o zoom para garantir que está o mais nítido possível. Outra técnica de focagem também interessante é a de hiperfocagem. Recorrendo a essas linhas auxiliares, sabemos que em determinada abertura temos o nosso motivo nítido, conseguindo facilmente definir o foco antes do momento decisivo. No caso ilustrado, definindo uma abertura de f/16 garantimos que tudo o que está entre 1,2m e 10m fica focado.

Para adquirirem estas objectivas existem diversas lojas de material fotográfico vintage, quer em Lisboa quer no Porto, bem como os já conhecidos eBay e OLX. Deixo-vos só uma dica: uma câmara analógica com objectiva, fica por norma mais barata que uma objectiva individual, logo não deixem de as incluir nas vossas pesquisas.

 

Abel Figueiredo
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Abel Figueiredo

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