OPINIÃO

Trabalhem todos de borla!

Tempo de Leitura: 3 minutos

Muito se tem falado acerca da postura individual de cada fotógrafo perante o mercado de trabalho. Os que já aqui andam há alguns anos têm a facilidade de saber como as coisas funcionam e de já ter experiência que fale por si. Os mais novos, os que se querem afirmar, são convidados a trabalhar de borla…

Uns acham que é a forma mais rápida de apresentar trabalho e construir portefólio, outros não têm essa sorte e estão simplesmente a habituar a um ambiente mais hostil, mais rigoroso, onde têm de apresentar resultados “decentes” aos seus “juizes/avaliadores”. Depois temos os líricos, os amantes da causa e os que acreditam no valor do trabalho.

Fotografar não é simplesmente carregar num botão. Há todo um conjunto de condicionantes e variáveis que é necessário levar em consideração. A luz, a composição, o momento… Fotografar é transmitir sentimentos e esse é o principal desafio. Assim, a experiência dá-nos conhecimento, status e permite que nos sintamos confortáveis a realizar determinado tipo de trabalhos. Os (tais) líricos são contra o trabalho a troco de nada; o trabalho de borla! É mau para o profissional, é mau para a comunidade fotográfica e é mau para o negócio em si.

Ninguém pede a um eletricista que, por ser a primeira vez que vai fazer a instalação de um candeeiro, o faça de borla, a troco de experiência e de criação de “portefólio”. Não faz sentido! Então por que razão deverão os fotógrafos trabalhar de borla? Tal como os outros profissionais têm contas para pagar, comida para por na mesa e a dignidade de ver o trabalho recompensado monetariamente.

O profissional sabe o equipamento certo para cada ocasião, sabe tirar partido do material e compensar uma ou outra falha que possa ocorrer. Tem capacidades técnicas para se sobrevalorizar aos demais concorrentes. O profissional é, … profissional! Faz da fotografia profissão e, como tal, tem de ser pago para trabalhar.

photo session

A fotografia exige muito mais do que vontade, exige conhecimento.

“Então e os outros?”, perguntam vocês. Os outros deverão manter-se no anonimato até terem capacidade para dar o salto, para se colocarem ao lado de quem trabalha não só pelo prazer, mas pelo benefício financeiro da arte fotográfica. Imaginem que se apresentam desde cedo como profissionais; desenvolvem trabalho gratuito para construir portefólio, mas logo querem rentabilizar. Com que direito, ou de que forma, farão os vossos clientes perceber que terão de começar a pagar por um serviço que até há pouco era gratuito?

Se o vosso trabalho é bom, façam-no pagar-se! Percebam que ao se apresentarem como pro bono estão a prejudicar outros que, ainda com categorias e capacidades diferentes (superiores), são colocados pelos clientes num mesmo saco. Façam-se assistentes de fotógrafos profissionais. Percebam os meandros e as técnicas usadas nas sessões fotográficas de casamento, batizado e/ou outras de que gostem. Ofereçam-se para assistirem uma sessão de fotografia de moda, acompanhem os profissionais nos principais eventos. Verão que rapidamente complementam a informação que já têm com a adquirida no “meio”, no terreno…

Assistente

Trabalho de assistente. Não é sempre o melhor, mas é o que nos ensina mais.

Vejo muita categoria desperdiçada, mas vejo muito mau trabalho de quem se diz “fotógrafo”. A palavra não está mal aplicada, apenas o sentimento com que e faz é que não é o mais correto. Ter uma câmara fotográfica não significa que se é fotógrafo e que se pode ganhar dinheiro com a fotografia. Eu tenho carta de condução, tenho carro, e não sou corredor de rallies… São esses que, ao trabalharem de borla, prejudicam quem estuda e quem se empenha num objetivo futuro.

Nem todos somos talhados para o que mais gostamos. Nem todos conseguimos usar a inspiração e a força de vontade para nos tornarmos realmente bons! É preciso ter “queda”, vontade e paciência. Não adianta desbravar a selva amazónica para construir um centro de proteção da natureza… já a destruímos! O que quero dizer é que temos de preservar o nosso objetivo e trabalhar para o alcançar. Não adianta fotografar de borla, se num futuro próximo vamos querer ganhar dinheiro com a fotografia.

Qual a vossa opinião quanto a este assunto? Estão disponíveis para trabalhar de borla e prejudicar o vosso futuro ou preferem comprometer e adiar a vossa profissionalização, acreditando que brevemente serão recompensados?

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3 Comentários

  • Reply
    José Gonçalves
    5 Setembro, 2017 at 9:05

    ” O profissional é, … profissional! Faz da fotografia profissão e, como tal, tem de ser pago para trabalhar.” Um profissional não trabalha de borla, se o fizer em pouco tempo fecha a casa.

    “Imaginem que se apresentam desde cedo como profissionais; desenvolvem trabalho gratuito para construir portefólio, mas logo querem rentabilizar. ” Neste caso não são profissionais já que, como digo em cma, estes não trabalham de borla, e tal como vocês dizem um profissional faz da fotografia ou seja o que for a sua profissão. Por profissão entende-se trabalho e a não ser que a pessoa faça voluntariado, se tem um trabalho, profissão é remunerada por esta. Se se vão apresentar como profissionais então cobram pelo trabalho desenvolvido.

    “Com que direito, ou de que forma, farão os vossos clientes perceber que terão de começar a pagar por um serviço que até há pouco era gratuito?” Dificilmente vão conseguir fazer o cliente perceber isso mas boa parte das pessoasque fazem de borla não depende do trabalho de fotografia para viver, compram equipamento com o que ganham no seu emprego, a fotografia é uma “brincadeira” em muitos casos, e que não pretendem seguir. Muito dificilmente um médico vai largar a profissão para se dedicar a uma ode levará muito tempo até auferir do mesmo rendimento que lhe vinha da medicina.

    ” Façam-se assistentes de fotógrafos profissionais. Percebam os meandros e as técnicas usadas nas sessões fotográficas de casamento, batizado e/ou outras de que gostem.”
    A melhor opção é esta mesmo, procurar pelo fotógrafo profissional que faz o tipo de trabalho que se pretende desenvolver, ou melhor ainda passar por vários adquirindo mais competências, e onde, enquanto assistentes ganham um ordenado.

    “Ter uma câmara fotográfica não significa que se é fotógrafo e que se pode ganhar dinheiro com a fotografia.” Coo alguém disse em tempos, teres uma câmara faz de ti proprietário dessa câmara.

    “São esses que, ao trabalharem de borla, prejudicam quem estuda e quem se empenha num objetivo futuro.” Prejudicam todos mesmo os que não tiram cursos mas investem o seu tempo a pesquisar ou mesmo a testar por conta própria e como assistentes e em último caso, a eles próprios quando um dia decidirem dar o salto.

    “Qual a vossa opinião quanto a este assunto? Estão disponíveis para trabalhar de borla e prejudicar o vosso futuro ou preferem comprometer e adiar a vossa profissionalização, acreditando que brevemente serão recompensados?”
    O conselho que dei sempre aos meus alunos é o que já foi mencionado, procurem ser assistentes de alguém e aprendam aquilo que nenhum curso vos pode ensinar. por muito cru que isto possa parecer nenhum mas nenhum curso prepara as pessoas para a vida profissional, uma coisa é estarmos em sala a falar e ensinar a nossa experiência outra é estar em campo com clientes reais,cada um é diferente do outro, os problemas para resolver à ultima da hora. Só em campo é que vão ter a verdadeira percepção do que é necessário para serem PROFISSIONAIS

  • Reply
    José Gonçalves
    5 Setembro, 2017 at 9:38

    Coincidência, eis um YouTuber e fotógrafo profissional que sigo e que acabou de postar um live chat sobre o assunto
    https://www.youtube.com/watch?v=u9g6HdTWSoQ&feature=em-lss

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