OPINIÃO

Preguiçoso! Deixa a fotografia…

A preguiça é a a mãe de todos os vícios. sempre ouvimos dizer. Há quem a use indiscriminadamente para não fazer nada! Ser preguiçoso é prejudicial à mente, ao corpo … e à carteira. Todos nos metemos em atividades com um determinado objetivo. Uns para serem mais saudáveis, mais astutos ou mais ricos. Seja como for, a preguiça é a nossa principal adversária.

Esqueçam lá a concorrência e o trabalho que os outros fazem. Esqueçam o material que usam e o que não têm. Esqueçam a ideia de que o investimento vos trará a recompensa que vocês querem… Esqueçam! Se há algo que devemos sempre combater é este sentimento que faz de nós um ser preguiçoso.

Várias são as tentativas que colocamos em prática para nos fazermos notar na fotografia. Vários ensaios, várias horas de sacrifício (pessoal e temporal) e várias privações para podermos ter o material que (achamos que) necessitamos.

Ninguém quer ser intitulado de preguiçoso, mas o certo é que todos, ou quase todos, praticamos algumas destas ações que nos empurram para trás, não nos permitindo evoluir positivamente. É óbvio que este assunto estará mais vocacionado para os que não fazem da fotografia profissão, embora hajam exceções. Há os profissionais que praticam estes maus hábitos, como também há amadores que simplesmente resistem às tentações, mas de uma forma geral, é assim que as coisas funcionam.

 

Falta de tempo

Numa altura em que tempo é dinheiro, todos corremos atrás do prejuízo. Muitas vezes metemo-nos em atividades e compromissos que não podemos cumprir. A boa vontade é muita e por isso tendemos a aceitar propostas que nos parecem exequíveis. Ainda assim, se somarmos todas as atividades, com certeza precisaríamos de um dia com 48 horas e teríamos certamente que fazer horas extra à noite! Mas o problema não é esse…Neste caso, o problema reside na quantidade de tempo disponível, e na insistência da desculpa do costume.

Se virmos cuidadosamente a nossa agenda, o mais provável é que o tempo esteja mal distribuído ao longo dos dias e das tarefas. Não fotografar porque não temos tempo continua a ser uma das principais causas da não evolução. Eu sou preguiçoso quando adio uma fotografia ou uma sessão, ou até mesmo uma “aula prática” porque não tenho tempo. Em vez disso, fico em casa a ver televisão, no facebook ou a ler emails. Desde que as nossas prioridades estejam trocadas, a falta de tempo nunca é uma desculpa válida.

 

Falta de equipamento

Na realidade a falta de equipamento só nos permite evoluir mais rapidamente. Pensamos de forma diferente para atingirmos um resultado que seria mais fácil com uma outra lente ou um kit de luzes melhor. Se eu não tivesse gosto pela fotografia, jamais me teria iniciado na fotografia de espetáculos. Como todos sabemos há lentes que nos permitem captar imagens mais aproximadas e/ou com uma maior amplitude. Quando tinha apenas uma DSLR de entrada fotografava da mesma forma que fotografo hoje com uma full frame. Lá vou comprando uma e outra lente, mas o número e a variedade nunca foram impedimento. Por vezes – maior parte das vezes – fotografei com material emprestado, mas também já me falharam e fiz um concerto apenas com uma 50mm.

A máxima de “quem não tem cão, caça com gato” aplica-se aqui na sua plenitude. Numa outra situação, o preguiçoso faria meia dúzia de fotografias e recolhia-se dizendo mal da (pouca) sorte que teve. Outros, gastam bateria até não lhes ser mais permitido fotografar. As imagens que saem são as possíveis e quem sabe, no meio dessas boas dezenas, não está uma fora de série.

Conhece o teu equipamento, explora-o até à exaustão e considera apenas que o que vier a mais é para facilitar, nunca para fazer o trabalho por ti. O fotógrafo és tu, e és tu que fazes a fotografia, não uma quantidade de equipamento melhor.

 

Recurso à pós produção

Poucos são os que fotografam à primeira. Por muito bom que sejas é sempre necessário um ajuste no computador. Alinhar o horizonte, ajustar a composição ou alguma configuração que tenha ficado aquém das expectativas. Mas lembra-te que cada vez que mexeres na fotografia, perdes qualidade. Imputares o maior volume de trabalho à pós produção significa desleixo. Deixas o enquadramento para depois, deixas o controlo das cores para depois, deixas o ruído para depois. “És um preguiçoso…” é o que tenho para te dizer!!

A tua postura denota desinteresse e este é um inibidor. Nunca o desinteresse ajudou o que quer que seja a crescer de forma saudável; antes pelo contrário. O desinteresse traz sempre um mau serviço associado. O preguiçoso dispara a máquina, não fotografa. O preguiçoso não sabe qual vai ser o resultado final. Confiar na tecnologia não traz vantagens se não fores um expert em software de edição. Mas mesmo assim, é preferível que abandones a fotografia e te dediques apenas a essa atividade. Sabias que podes ganhar muito dinheiro só com a edição? Redefine as tuas prioridades e poupa o tempo que gastas a fotografar – pois aparentemente não é essa a tua paixão – e usa-o a editar imagens de outros.

 

Mobilidade

Com uma mochila com 10Kg ou simplesmente com uma câmara na mão, é importante que não permaneças no mesmo local. Mexe-te! Deixa de ser preguiçoso e dá 2, 3, … 10 passos para o lado. Capta a “mesma” cena em ângulos diferentes. Mais tarde, quando estiveres plenamente consciente do que vais ter como resultado final, este trabalho poderá ser encurtado, mas ainda assim é desaconselhável. Deves sempre tentar mais e diferente. A espontaneidade e a incerteza podem trazer surpresas agradáveis. Fotografa e, contraluz, usa as silhuetas e não te cinjas apenas ao espaço que ocupas “neste momento”.

 

Investigação

Uma das grandes diferenças entre os profissionais (ou aspirantes a profissionais) e os amadores reside nesta tarefa. Por muito que estejas acostumado a fotografar determinado evento ou tipo de fotografia, estuda! Vê o que se faz, dentro dessa área, “lá fora”. Estuda a tua concorrência e percebe de que forma são captadas as fotografias. Vê se te é possível seguires os mesmos passos ou de que forma te podes aproximar do tipo de registo que está na moda. Aprecia outro tipo de fotografia e tenta-a adaptar à situação. Confere um registo mais fotojornalístico a uma sessão de retrato ou usa técnicas de captação cinematográficas.

 

Parado é que ninguém evolui, muito menos mantendo-nos sempre no mesmo “ram ram” do costume. Se não corrermos atrás e continuarmos preguiçosos, alguém ocupará um lugar de fotógrafo que poderia ser teu.

 

 

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