REVIEWS

OM-D E-M1 Mark 2 da Olympus – REVIEW

Apresentada no decorrer da Photokina de 2016, a Olympus OM-D E-M1 Mark 2 cedo foi o centro das atenções da indústria. Os responsáveis da marca Japonesa colocaram a fasquia bem alta e as atenções estavam no revolucionário sistema de focagem.

Depois de longas semanas de espera, finalmente recebi em casa a máquina no início do ano. Com pouco mais de três semanas de testes partilho convosco o que podemos esperar da nova topo de gama da marca japonesa.

Pro Capture

O modo Pro Capture é definitivamente uma ferramenta muito interessante. No modo Pro Capture a câmera inicia os disparos assim que prime o botão obturador até meio, com uma memória que pode ser definida para captar até 14 imagens em resolução total. Assim que o botão é premido na totalidade, os disparos contínuos começam registando os 60 frames seguintes.  Como tem a possibilidade de voltar atrás no tempo em até 14 imagens, obtém o momento exacto que pretende captar sem qualquer atraso.

Este modo é muito útil para fotografar momentos inesperados ou difíceis de prever. Por exemplo o soltar de língua de um cameleão. Ou mesmo o levantar voo de uma borboleta.

O modo é exemplificado nas imagens que capturei em baixo:

 

Modo de alta resolução

Também o já conhecido modo de alta resolução sofreu melhorias. Com o actual firmware a Olympus E-M1 Mark 2 consegue ficheiros de 80 milhões de pixeis em formato RAW. A minha experiência com a máquina revela que ainda não se consegue usar este modo com a máquina totalmente em mão. No entanto quando usado em apoio, o tripé começa a não ser requisito obrigatório. A Olympus prevê para breve ser possível este tipo de resoluções com a máquina em mão. Esperemos que seja ainda neste modelo.

Estabilizador de 5 eixos

A características que destaca esta máquina é claramente o seu potente estabilizador. Fotografias com mais de um segundo de exposição são possíveis sem uso de tripé. Em alguns testes que fiz, com algum cuidado os cinco segundos de exposição são possíveis com a máquina em mão. A par do lançamento da câmera a Olympus disponibilizou a nova lente da gama Profissional 12-100mm f/4 com estabilizador. A estabilização do sensor em conjunto com a estabilização da objectiva elevam ainda mais os resultados. A Olympus adianta que os resultados ficam limitados pela rotação natural do nosso planeta. Impressionante.

Aliado ao um novo sensor de 20,4 Megapixeis está o mais potente processador de imagem de sempre da Olympus (TruePic VIII). Os resultados são imagens de elevada qualidade equiparando-se a sensores maiores como os APS-C. Os resultados do novo sensor m43 mesmo em ISO mais elevados é de facto surpreendente (fonte: dxomark).

O sistema de foco automático sofreu também ele uma revolução. O sensor passou de 81 pontos de foco na OM-D E-M1 original para 121 pontos. O foco contínuo foi efectivamente melhorado assim como o reconhecimento e acompanhamento de face. Este tipo de foco está de facto muito bem implementado, dando totais garantias mesmo para trabalhos exigentes. O novo processador garante também uma cadência de 60 frames por segundo em formato RAW de resolução total, garantindo que o momento pretendido será captado.

Apesar de todo este poderio técnico a máquina mantém as suas dimensões reduzidas. A ergonomia foi melhorada em relação ao modelo anterior, dispondo de um punho mais confortável.

Os controlos mantiveram-se praticamente inalterados e os 9 botões totalmente configuráveis mantêm-se.

O ecrã passou a ser totalmente articulado. Um aspecto sempre discutível. Para a minha utilização, o ecrã tilting da versão anterior era muito mais eficiente. No entanto para os utilizadores que quiserem tirar partido dos excelentes modos de vídeo 4K este poderá ser mais útil.

Com um novo tipo de bateria, a Olympus garante praticamente 500 fotos por carga. Nos meus testes tenho conseguido ligeiramente mais autonomia. A má notícia é que todos nós temos de renovar a frota de baterias.

Disparar em JPEG começa cada vez mais a fazer sentido. Os JPEG da nova Olympus têm uma reprodução cromática muito boa.

 

Os profissionais têm agora razões para estarem mais seguros com a inclusão de duas entradas para cartões de memória. Podendo alternar a gravação de ficheiros RAW para um cartão e JPEG para o outro. Ou simplesmente duplica-los prevenindo uma falha de dados.

Um aspecto que foi criticado pela imprensa especializada foi os menus da máquina. Muito profundos e confusos. Para quem é um utilizador Olympus a adaptação é fácil. Não tive qualquer problema. Em poucas horas estava confortável para fotografar. Para quem é novo na marca, acredito que possa ser pouco intuitivo.

Algo que deve ser melhorado é a possibilidade de visualizar as fotos a quando da escrita do buffer da máquina para os cartões. É desesperante, não obstante o enorme buffer que a máquina dispõe, ter de esperar largos segundos para ver as fotografias. Quebra imenso o ritmo de qualquer sessão fotográfica.

Sendo porventura uma das máquinas mais avançadas da actualidade não podemos no entanto, ficar indiferentes ao preço. Mesmo que para muitos o calcanhar de Aquiles do sistema tenha evoluído para níveis de sensores maiores, continua difícil de justificar os quase 2000 euros que a Olympus pede pela câmera.

Por Miguel Lemos

Artigos que podem interessar

    Blogs do Ano - Nomeado Inovação e Tecnologia