OPINIÃO

Fotografia forense, que futuro?

Todos sabemos que no mundo da fotografia só há duas formas de vingar e de viver realmente bem às custas desta profissão: ou somos realmente iluminados e bons no que fazemos, ou temos uma ideia e trabalhamos uma área pouco trabalhada. A fotografia forense é algo a que nos fomos habituando nas séries de televisão como o C.S.I. e derivados e que aborda uma lado da arte de fotografar que está ao serviço da lei.

A fotografia é muito “bonita” e traz-nos recordações e lembranças que gostamos de preservar, mas pode igualmente servir como meio de resolução de ocorrências legais. Não quero entrar para já no registo de cadáveres e de locais de crime, mas é certo que há uma probabilidade elevada de esse ser um dos trabalhos a realizar. Há contudo outras áreas que, fazendo parte da fotografia forense, são menos “assustadoras”. O registo de provas, da recolha de impressões digitais e outros elementos que sirvam de base de trabalho para a resolução de crimes.

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Fotografia Forense – A fotografia ao serviço da Lei

É óbvio que quando falamos de fotografia, nunca nos lembramos da fotografia forense; pensamos sempre na fotografia de desporto, paisagem, retrato, eventos sociais, … Mas quantos profissionais e aspirantes a profissionais não temos em Portugal a fazer esse tipo de trabalho? Não haverá gente a mais, levando inclusivé a que se menospreze o trabalho realmente profissional? Não haverão fotógrafos a mais, sem noção das suas próprias capacidades, a querer ganhar tanto como os que percebem realmente da arte (na sua vertente mais artística dentro de determinada área de atuação)? Sinceramente acho que ainda não se percebeu que o mercado é vasto e que há lugar para todos. Nem todos podemos ser bons, mas nem todos têm a capacidade, e o desejo, de querer os melhores.

Com a fotografia forense podemos aspirar a fazer parte de uma equipa policial, ou equiparada, sem o realmente sermos. Visitamos os locais que, geralmente, são alvo de atropelos pela comunidade local no sentido de satisfazer a curiosidade, dando um enorme contributo à reposição da verdade.

Os Cursos de Fotografia Forense

Este tema já me assolou durante um bom par de meses, mas ficou esquecido num recanto do subconsciente por falta de informação académica. Todas as informações de que dispunha faziam referência a cursos lecionados há mais de (pelo menos) 5 anos. Outros facultavam toda a informação até que se percebia que eram apenas para profissionais das forças de segurança ou, eventualmente, no estrangeiro.

Não me parece que a fotografia forense exija uma grande sapiência; apenas que relembre alguns conceitos de fotografia básicos, outros de tratamento de imagem e o que resta fica entregue a questões realmente voltadas para a criminalidade. Armas de fogo, ferimentos provocados por diversos tipos de armas, e outras razões e situações que vemos no C.S.I. que julgamos ser “filme” e que, na realidade, não o são (e retiremos daqui todo o exagero hollywoodesco obrigatório para que a série tenha sucesso comercial).

Existem algumas instituições que lecionam cursos voltados para a arte forense. Não somente na vertente da fotografia, mas em outras áreas mais abrangentes. Parece-me que ainda não chegamos à conclusão e à definição concreta da importância de um fotógrafo forense, mas quando lá chegarmos….

Instituto CRIAP. Online em http://www.institutocriap.com/ este é o único instituto que está atualmente a lecionar na área da fotografia forense, e nem sequer é uma licenciatura ou uma pós-graduação. Com um mero curso intensivo de fotografia forense, capta a atenção dos que, como eu, estão dispostos a entrar numa nova aventura. Nos links estão disponíveis os calendários da próxima edição (para conhecimento é já no próximo dia 8 de maio), bem como a descrição do corpo docente e do plano curricular.

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Instituto CRIAP.

 

Ordem dos Advogados. Foi a primeira instituição que abordei e cujo curso pensei realizar. Tudo estava dentro dos parâmetros normais, quando percebi que o planeamento era (ou tinha sido) para 2011. Continua disponível a informação do curso, provavelmente como base de trabalho para realizações futuras. Como não pertenço à ordem, nem sequer tenho pretensões de o fazer, não consegui obter grandes informações, mas recorrendo a amigos que estão no meio, soube que não está previsto para breve qualquer ação formativa nesta área.

INSCRIM.Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina é uma alternativa. Ainda que em última instância, devido à sua caraterística não presencial, poderá ser uma opção para os mais arrojados. O valor não é elevado, mas considerando que uma formação de uma área que requer prática, ser feita à distância, … não me parece!

APCFAssociação Portuguesa de Ciências Forenses. Com data de criação de 17 de setembro de 2015, a página dedicada à fotografia forense não tem qualquer informação. É de lamentar o facto de se apregoar a necessidade de suporte em ciências forenses quando não se comunica e/ou divulga formação existente na área. Nada mais podemos adiantar.

 

Saídas Profissionais

Quer-me parecer que esta área pode vir a ser um bom investimento. Há poucos e, mesmo com divulgação, nem todos terão estômago para desenvolver um trabalho isento e consciente quando em contacto com situações cada vez mais hediondas. Parece-me que uma área que pertence de perto às forças policiais (e equiparadas) facilmente poderá vir a ser um trabalho subcontratado. Acredito que não haja lugar, em termos de quadros, para posições tão específicas que permita ter profissionais parados à espera que algo de mal aconteça. Obviamente que a situação ideal seria pagar a um profissional para não trabalhar; esse seria o melhor cenário significando a inexistência de criminalidade.

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O futuro da fotografia forense passa pela criação de agências privadas

Por esta razão, acredito que num futuro próximo, e com o aparecimento das primeiras agências forenses independentes, a fotografia possa vir a ter um futuro promissor quanto a vagas disponíveis para profissionais.

Enquanto não há capacidade financeira, nem reconhecimento legal para abrir a primeira agência forense privada em Portugal, quem alinha em experimentar (apenas) a área que se dedica à fotografia?

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