GUIAS RÁPIDOS OPINIÃO

Debaixo de água é muito bom! Até os peixinhos gostam…

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A fotografia está em todo o lado. … em todo o lado mesmo! É no ar, na terra, … até debaixo de água!

 

Com o aparecimento das câmaras portáteis, as chamadas “de desporto” tipo GoPro e concorrentes, a liberdade fotográfica ganhou literalmente asas. Começaram, por exemplo, a ser tirada mais fotografias aéreas, uma vez que essas soluções ficaram mais acessíveis. Por defeito, as chamadas “GoPro” (independentemente desta ser uma marca desse tipo de câmaras de ação) trazem uma série de acessórios que as colocam nas situações mais inesperadas. Capacetes, peito, pulso ou até mesmo debaixo de água, esta revolução foi um marco importante na era fotográfica.

Vamos por partes… A qualidade das imagens não está aqui a ser equacionada. Para maior facilidade, digamos que o destino será sempre a web. Assim, a qualidade é obrigatoriamente inferior à exigida por exemplo para impressão. É óbvio que existem soluções profissionais, passíveis de terem como destino a impressão, mas a preços proibitivos.

Explicações à parte, e agora que acabou o verão, falemos de uma prática fotográfica (ainda) pouco explorada. A fotografia subaquática tem mais truques do que inicialmente possamos pensar. Eu tenho o curso de mergulho; o Nível I de OWD (Open Water Diver) certificado pela PADI. A PADI é maior organização de formação para mergulho. É uma organização mundial, cuja certificação é exigida (sim, exigida) na grande maioria de spots de mergulho de todo o mundo.  Não fugindo ao tema, também o mergulho foi uma certificação que tirei por causa da fotografia. Poucos fazem fotografia debaixo de água… Já alguém parou para pensar porquê? Pois bem, há várias razões para tal acontecer:

 

Preço do equipamento

A principal razão para a não prática fotográfica debaixo de água é o preço. Entendidos e leigos facilmente concordam que um equipamento que tem como função proteger câmaras e lentes que chegam a custar uns milhares de euros são, por si só, valiosos. Uma housing para uma DSLR facilmente ronda os 1.000 ou até 2.000€. São feitas à medida, consoante o corpo e a lente a utilizar. Ao contrário do que acontece com as objetivas, o sistema de housing não é reaproveitado. Caso queiramos usar outra lente, teremos de comprar/mandar fazer outra caixa estanque.

Considerando que a luminosidade diminui à medida que descemos, a máquina deverá ter boa qualidade em baixa luz. O flash passa a ser obrigatório ao chegar aos 3/4m portanto… esqueçam lá o smartphone ou a câmara compacta que compraram nos saldos. Ainda que existam câmaras baratas, o propósito é específico pelo que não dá qualquer câmara… e não se esqueçam do flash! No caso do flash da câmara ser fraco, existem sempre soluções de iluminação externas, mas é mais um custo a juntar.

 

Requisitos técnicos

Fotografar debaixo de água não se cinge ao simples mergulho na praia. É óbvio que até aí podemos fazer algumas brincadeiras, mas não pensem que vão tirar fotografias bonitas de peixinhos coloridos. Para começar, os “peixes coloridos” existem em águas mais quentes, e a profundidades superiores a um simples mergulho. Podemos ter a sorte, uma ou outra vez, de num mergulho em apneia (sem garrafa de oxigénio) apanharmos um polvo, uma lula ou outro peixe com um nome esquisito, mas é pouco provável. As cores, com a existência de luz solar direta, são uniformes e com baixo contraste. Assim, torna-se quase imperativo, ou obrigatório, conhecimentos e formação na área do mergulho.

São várias as escolas de mergulho no pais, de norte a sul, mas contem sempre com um valor a rondar os 300€ para o curso de iniciação. Este curso permite-vos mergulhar até 12 metros de profundidade, dando-vos uma maior liberdade fotográfica, mas contem que terão de gastar algum valor extra em equipamento. Fato, luvas, barbatanas, faca (obrigatório), sapatos, cinto, lastro, … tudo somado lá se vai o orçamento. Ou gostam muito de fotografia e desejam mesmo experimentar a fotografia debaixo de água, ou abandonem a ideia neste preciso momento.

 

 

Disponibilidade

Como referi anteriormente, os peixes mais bonitos estão … longe! Portugal é um país maravilhoso. Longe de guerras e grandes crises políticas, … e longe de peixes exóticos! Mesmo com alguma crise, somos um povo habituado a olhar para o “copo meio cheio”; vemos sempre o lado positivo de cada situação. Mas nisto de fotografia subaquática, … é mesmo mais para outras bandas.

Podemos sempre abordar a namorada ou a mulher, no sentido de ir passar umas férias num país mais paradisíaco. Ela pensará sempre que estamos mãos largas, quando na verdade queremos é fotografar “peixinhos bonitos”. Tudo isto é um esquema muito bem montado e, acreditem, usado por muitos mergulhadores, mas é preciso disponibilidade. Disponibilidade de tempo para ir para o Mar Morto ou para a Indonésia, e disponibilidade financeira.

Se à viagem, alojamento, transporte do equipamento de mergulho, juntarmos o quanto já gastamos na aquisição do mesmo e na obtenção do curso, … acho que nos vamos mantendo pelas fotografias dentro da piscina! Essas serão, para muitos, o mais aproximado a ser verdade quando dizem que tiram fotografias debaixo de água.

 

(Outras) Soluções

À medida que o desejo de nos iniciarmos na fotografia subaquática aumenta, outras soluções vão aparecendo no mercado. A nossa parceira AQUAPAC tem uma solução um pouco mais abrangente. Trata-se de um saco estanque. Feito com um material maleável, esta bolsa permite a utilização de um leque maior de combinações “corpo/lente”. Como contrapartida a qualidade do resultado da fotografia poderá sair um pouco abaixo do desejado. Exige uma maior habituação ao material que, nalgumas situações, fica mal colocado, não permitindo uma focagem perfeita. Ainda assim, é uma excelente forma de se começar… pelo menos poupam-se algumas largas centenas de euros!

No que respeita aos spots, comecem por mergulhar em Leixões e fotografar o submarino U1277. Um submarino Nazi da IIª Guerra Mundial que está ao largo de Angeiras. Vão até ao Algarve, ao novo projeto Ocean Revival, ou até à Madeira e Açores que em termos fotográficos são dos locais mais exóticos que temos. Já agora, e uma vez que terminou a época balnear, talvez seja uma boa altura de começarem a pensar na fotografia subaquática. É que, tal como acontece nas viagens, os preços podem sofrer alteração. É que isto de mergulhar de fato térmico tem destas vantagens… podemos mergulhar de verão e de inverno, em mares de água fria (e quente) enquanto aproveitamos os preços mais baixos para as viagens.

 

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