OPINIÃO

Crises existenciais: Será que a fotografia é para mim?

Tempo de Leitura: 4 minutos

 

As crises existenciais são comuns. Não está relacionadas com a idade nem tão pouco com a profissão. São normais, todos nós temos as nossas…

 

Eu adoro fotografia; e vocês também… de outra forma não estávamos todos aqui (eu a escrever e vocês a lerem). Há crises de meia idade, há crises de identidade e há as “existenciais”. Estas últimas, ao contrário das anteriores, não estão relacionadas, ou são provenientes, da idade. As de identidade ocorrem em idades mais tenras, quando formamos o nosso caráter e personalidade; as de meia idade quando nos assumimos como mais “entradotes”. Já as existenciais ocorrem num momento exato, de duração finita, e independentemente da altura do ano, idade ou até mesmo da profissão de cada um de nós.

É normal colocarmos em causa algumas das nossas decisão. Atempadamente ou já mais tarde, e independentemente do investimento que tenhamos feito, questionarmo-nos acerca da continuidade na fotografia é perfeitamente válido. Não sabemos o que o futuro nos reserva e o mais provável é estarmos a alimentar um “vício” que não vai dar em nada.

Para já, deixem-me dizer-vos que os resultados são imediatos. Se nos satisfaz, distrai e ocupa a cabeça para não pensarmos noutros problemas ais “graves”, então é um bom investimento. É uma terapia! A fotografia serve para reduzirmos as nossas crises. Crises de ansiedade, de stress, de angústia e de frustração. Nem sempre tudo corre como esperado e, por conseguinte, o nosso estado de espírito fica abalado. A profissão prejudica a vida pessoal e vice versa. Haja pelo menos uma atividade complementar que nos liberte das grandes frustrações (para quem as tem) do dia a dia.

Há, contudo, aqueles que anseiam mais e pretendem avançar na fotografia tornando-a uma fonte de rendimentos. É uma profissão fácil (pensamos nós) e que nos permite trabalhar sempre com um sorriso no rosto. Para vocês que, tal como eu, ainda andam à procura de um “lugar ao sol”, há 5 tópicos que, falhando, significam o fracasso numa carreira fotográfica.

 

Quem controla é o equipamento

Profissional ou amador, o importante é que somos nós, os responsáveis pela fotografia. O material que temos pode ser melhor ou pior; talvez exigido por um ou outro tipo de fotografia, mas no fundo, quem manda somos nós. Sou eu quem decide o que, e quando, disparar. Sou eu que enquadro o objeto (ou pessoa, ou paisagem). Sou eu quem controla a luminosidade e a profundidade de campo. Eu faço a fotografia e o material é simplesmente um meio de atingir um fim.

Há clientes que exigem a impressão, mas há outros cuja presença online é suficiente. Esqueçam a vergonha de se apresentarem no meio dos profissionais com equipamento supostamente mais fraco. Pensem no inverso e elogiem-se por fazer “o mesmo” a custos diretos mais baixos. Ninguém fotografa em automático portanto, a forma e as configurações que usares na máquina são da tua responsabilidade. Pessoalmente, usei durante mais de 6 anos uma Canon 1000D com a 18-55mm de origem. Mais tarde comprei uma Sigma 18-200mm que me serviu para fotografar aniversários, festas de família, provas de vela, concertos, … Nem foi o equipamento que me fez ter melhores fotografias, como também nunca foi o responsável por negar qualquer tipo de serviço.

 

Crises de Gestão

O mundo da fotografia, enquanto profissional, não é para todos. Na realidade, fotografar é apenas uma parte do que é um negócio de fotografia. Já aqui falamos do que é gerir um negócio de fotografia e fazer trabalho de comercial, gestor, contabilista, financeiro, assistente pessoal, e finalmente fotógrafo, não é tarefa fácil. Todos ambicionamos ser patrões, mas o certo é que nem todos temos essa capacidade. Se todos fossemos engenheiros, quem construía as casas? É preciso trolhas, assentador de tijolos… é preciso lixeiros como pescadores. É preciso quem execute portanto, é importante saber fotografar. Contudo, isso não significa que temos capacidades para ser patrão!

Através de uma análise fria e consciente, é importante sabermos qual a nossa posição no mundo da fotografia. Querendo ter um negócio nosso, o mais provável é sermos culpados das nossas próprias crises por chegarmos ao fim e simplesmente não fotografarmos. Outras vezes é melhor escolher ser executante; o fotógrafo de uma organização (grande ou pequena, pouco importa). Ser patrão e fotógrafo, acreditem, é para poucos!

 

Falha evolutiva enquanto fotógrafo

Já lá dizia Pimenta Machado, célebre (ex-)Presidente do Vitória de Guimarães: “O que hoje é verdade, amanhã é mentira”!

Hoje estás na mó de cima, mas amanhã foste ultrapassado pelos teus concorrentes. Gente mais nova (em espírito), mais arrojada e que colocou novas técnicas em prática, fazendo delas uma nova moda. Se te atrasas vais sempre ser “mais um”. A título de exemplo, o Cristiano Ronaldo é o melhor do mundo, mas continua a treinar para ser o melhor. O sucesso é de pouca duração e para estares lá em cima tens de trabalhar muito mais do que trabalhas para lá chegar.

Assim, tens de te manter atualizado e em cima do acontecimento. As máquina evoluem e os softwares também. Formações, workshops, palestras, … tudo serve para te auto avaliares. Investe em ti! Torna-te bom, pois é isso que os clientes vão comprar… os teus serviços e a tua magia!

 

Networking

Mais importante do que ser é saber estar. Mostra-te ao mundo, mostra-te aos teu colegas. Esquece a concorrência, deixa para lá as crises de ciúmes e a conspirações e encara os outros fotógrafos como oportunidades de negócio.

Mistura-te e faz amigos. Usa os passatempos, photowalks, jantares de networking e outros eventos para marcares a tua presença. Amanhã, quando for preciso alguém para substituir um outro fotógrafo, o teu nome pode surgir em primeiro. Aqueles que, hoje, são teus adversários (pelo menos na tua cabeça) poderão ser os responsáveis por colocar comida no teu prato, desde que o teu trabalho corresponda!

 

Proatividade

O mercado não quer saber as tuas dificuldades, vícios ou … crises! Tens de criar as tuas próprias oportunidades. A proatividade leva a que pratiques e, por conseguinte, evoluas na fotografia. Já não digo numa base diária, mas pelo menos vais ter de fotografar todas as semanas. Impõem-te objetivos, planeia sessões e … atira-te de cabeça. Sem trabalho não há evolução, portefólio, clientes, … dinheiro! Sentares-te na beira do passeio e chorar a falta de sorte também não é solução portanto…

Acorda de manhã e pega na câmara. Leva-a para todo o lado. O mais provável é que tenhas um emprego fixo e que a fotografia seja apenas um hobby ou um extra. Não me interessa. A tua máquina é a tua melhor companhia por isso tens de andar sempre com ela. Grandes fotografias são perdidas pela doença do “…se tivesse trazido a câmara!”.

 

Caso te identifiques nestes 5 pontos, pondera abandonar a carreira profissional enquanto fotógrafo. Pelo menos, em termos de patronato e de gestão de um negócio deste tipo. Não deixes que a fotografia se torne uma obrigação, quando o prazer de fotografar é imenso!

 

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