OPINIÃO

Cobrar pelo tempo perdido é a melhor política

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Estou na fotografia por gosto, mas também para poder “ganhar algum”. Todos tendem a rentabilizar o tempo investido e, se possível, fazê-lo na prática de uma atividade que nos seja agradável. A fotografia é o meu hobbie favorito! Não há dúvida que há outras coisas nas quais gosto de investir o meu tempo, mas das que me podem trazer alguma satisfação e conforto financeiro, a fotografia é a minha primeira escolha. Cobrar por um trabalho nem sempre é fácil. Se já se torna difícil definir o nosso preço, mais difícil será fazer com que o cliente o aceite. Querem sempre mais por menos e numa situação em que este cenário é impossível, preferem reduzir aos custos. Então, cabe-nos a nós contrapor! O melhor é sempre cobrar pelo tempo perdido e nunca pelo tempo de trabalho. Passo a explicar…

A ideia não é minha (infelizmente), nem tão pouco nova, mas consiste em demonstrar ao cliente algo que o faça perceber o nosso dia de trabalho. Obviamente que há trabalhos que poderão, e deverão, ser cobrados à hora, mas na grande maioria das vezes, cobrar pelo tempo perdido faz sentido, uma vez que o tempo gasto é demasiado elevado para que possamos encaixar outros trabalhos no pouco tempo que nos resta.

Imaginemos um dia de trabalho que nos deveria render 300€, hipoteticamente. Vamos dividi-lo em 10 horas de trabalho, o que não é assim uma barbaridade tão grande. Ficamos então com 30€/hora; contas redondas… Contactados para fotografar um qualquer evento ou uma sessão que vejamos que ocupa bem mais do que meio dia de trabalho e que, com o tempo remanescente não iremos conseguir rentabilidade, o ideal é cobrar ao dia. 300€ pelo serviço e está feito…

Obviamente que o cliente quererá, e proporá, uma redução do tempo de serviço, mas a explicação é fácil e lógica. Tentem fazer a analogia com uma carga de bateria (telemóvel ou até mesmo da vossa câmara fotográfica). Se gastarem 80% da bateria terão de a carregar para um próximo serviço da mesma forma que se gastarem a totalidade da carga. Os 20% que ficam não vos irão servir para um outro serviço. A lógica é a mesma; é preferível mostrar ao cliente que têm o dia destinado para ele e que, com a proposta de redução de horas de trabalho, em nada lhe vai trazer valor acrescentado. Cobrar pelo tempo perdido significa que o facto de ficarmos com tempos mortos, não faz com que o trabalho dele fique melhor… Antes pelo contrário, teremos de procurar quem esteja disposto a pagar pelo valor remanescente de modo a “ganharmos o dia”. Assim, é preferível pagar o dia e aproveitar ao máximo a nossa permanência no local. Neste caso talvez seja preferível declinar o trabalho e procurar um outro que nos faça perder menos tempo.

Inicialmente toda esta teoria pareceu-me um pouco estranha – e será com certeza, estranha para o cliente -, mas é o nosso trabalho, a nossa força laboral que deverá ser valorizada. Só assim nos poderemos focar no trabalho e nem tanto na procura dele. Devemos compreender que é desejo global pagar o mínimo possível por qualquer coisa (produto ou serviço), mas por outro lado o cliente deverá ficar contente por lhe estarmos a dedicar total atenção e dedicação, sem estarmos preocupados com horários e com a rentabilidade do dia. Façam as contas; muitas das vezes, sairmos de casa para fazer um trabalho mal pago é mais prejudicial do que não trabalhar de todo. O tempo que dedicaríamos (nem que fosse) à edição fotográfica, a gasolina gasta, refeições, mais um café, … blá blá blá… façam as contas!

Então o conselho é que devemos cobrar pelo tempo perdido, esperando que tenham percebido a ideia; não levem à letra e obriguem o cliente a pagar por todas as horas que não estão a trabalhar!

Qual a vossa opinião quanto a este tema?

 

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