OPINIÃO

Amortização do equipamento: como fazer?

Neste artigo gostava mesmo de saber a vossa opinião…! Pelo que me tenho apercebido existem duas correntes ideológicas no que respeita à cobrança dos serviços fotográficos: uma que apregoa que devemos definir o preço por serviço, mas outra que defende que o custo e a amortização do material também devem ser incluídos no valor final.

Sinceramente parece-me, numa análise superficial, que ambas as correntes estão no caminho certo, ou seja:

Valor Fixo por Serviço

Parece-me senso comum conseguirmos responder a um cliente com um valor para um pedido de orçamento. Sabemos de antemão o tipo de serviço que está a ser orçamentado e, por conseguinte, é fácil estipular um valor que consideremos justo. Sendo um batizado ou um casamento (ou outro qualquer tipo de trabalho), conseguimos perceber qual o número de horas que temos de disponibilizar e, sabendo igualmente o nosso valor/hora, é fácil chegar a um valor.

Isto parece-me ser o que é praticado na grande maioria dos casos. Faz-se uma relação direta com o tipo de trabalho e com o número de horas e … chega!

Valor Variável por Serviço

Ser fotógrafo é quase como ser condutor…. Tens habilitações para operar qualquer máquina e qualquer objetiva. Não há cursos para amantes de Canon diferentes dos que preferem a Nikon ou uma Hasselblad. Fotografia é fotografia e ponto final.

Ao sermos sondados e ao ser-nos solicitado um orçamento para um determinado trabalho, por vezes o cliente já vem com algumas ideias pré definidas. Nestes casos apenas temos de dar seguimento ao solicitado e definir uma quantidade de material que vamos necessitar para o serviço. Nesta perspetiva, e dependendo do tipo e da quantidade de material, o preço variará. Há máquinas e acessórios mais caros que, por defeito, nos garantirão um trabalho mais profissional ou mais próximo do desejo do cliente.

Esta abordagem também não me parece de todo irreal… Posso fotografar um casamento com uma 500mm e uma Canon 1000D, mas posso também usar uma 5D com uma 24-70 e uma LensBaby. A minha disponibilidade para ter o segundo cenário é tanto maior quanto mais investimento fizer em material. Por outro lado, o fato de poder não ter uma configuração “melhor” não deverá ser impeditivo para a realização do serviço; posso sempre recorrer aos serviços de aluguer de equipamento fotográfico. Em qualquer um dos cenários, deveremos considerar a amortização e o desgaste do material?

Lensbaby. Lente usada para "outro" tipo de fotografia

Lensbaby. Lente usada para “outro” tipo de fotografia

Mas quem paga a excentricidade do cliente? Considerem um casamento, por exemplo. Se os noivos quiserem ir de coche para a cerimónia pagarão um valor diferente do que se preferirem um carro ou uma limousine. Um serviço mais requintado e satisfatório dos seus desejos leva a valores diferentes. Como funciona com os fotógrafos? Como funciona convosco? Se, por um lado todos aceitam a diferença de valores no método de transporte, não me acredito que a amortização do equipamento fotográfico possa ser tão bem encarada como justificação. “É um casamento. Ao outro levou 1.200€, porque me está a cobrar mais?”. Esta será, com certeza, a resposta que receberão.

Podemos ir mais longe e responder: “Mas para fazer as fotografias que quer, debaixo de água, tenho de alugar uma caixa estanque e isso fica mais caro!”. Acreditem que o problema continua a ser nosso.

Fotografia subaquática.

Fotografia subaquática. Um dos muitos caprichos solicitados.

Considerando agora que quem faz a fotografia é o fotógrafo e não o equipamento, qual a diferença em usarmos um set “x” ou “y” e cobrar pela amortização de cada um deles? Porque razão, então, os profissionais cobram mais? Será pela sua visão, criatividade e excelência na execução ou também pelo material que lhes permite ir um pouco mais além?

Será então justo que o preço de um trabalho possa cariar dentro de um conceito abrangente de um mesmo tipo de fotografia? Gostava de ter uma conclusão para este dilema! Penso que a maioria optará pelo cenário do valor fixo assumindo alguns custos necessários para a realização dos desejos dos clientes, mas não será o outro cenário igualmente justo? Se estamos aqui para ganhar dinheiro e se as exigências são do cliente, porque razão teremos de ser nós a ficar prejudicados?

 

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