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x-Pro2 e a grande desilusão


Tempo de Leitura: 4 minutos

Terminou hoje o período de experimentação da FUJIFILM X-Pro2. Depois da polémica criada com o artigo 6 razões para não trocar uma DSLR por uma mirrorless, a FUJIFILM teve a amabilidade de me ceder um exemplar desta que é, para muitos, a máquina de eleição.

A discussão começou desde cedo nas redes sociais, com o desacordo de alguns fotógrafos de referência (pelo menos para mim), considerando que as razões apresentadas no artigo não seriam de todos verdadeiras. O modelo X-Pro2 da FUJIFILM surgiu logo como referência para mostrar que nem todas as mirrorless são de fraca qualidade. Eis um excerto da conversa:

 

 

why-not-mirrorless

Discussão acerca da veracidade do artigo “TROCAR DSLR POR MIRRORLESS? 6 RAZÕES PARA NÃO O FAZER…”

 

De imediato resolvi contactar, por email, a FUJIFILM no sentido de perceber se havia alguma mirrorless que me pudesse demover da ideia previamente formada e que colocava esta classe de máquinas fotográficas, …. na prateleira! É sabido que a tecnologia é ambicionada por muitos, e há os que são “obrigados” a experimentar de tudo quanto de novo aparece no mercado. Eu, por outro lado, não tendo orçamento ilimitado, tenho de me cingir ao que está ao meu alcance e uma experiência prévia com uma máquina mirrorless atirou as minhas expectativas bem lá para o fundo do quarto dos arrumos.

As mirrorless não são a publicidade que se lhes dá! São mais leves, tecnicamente mais avançadas, … até aceito, mas há todo um conjunto de outras caraterísticas que mantém as DSLRs bem na frente das minhas escolhas.

A máquina que me foi emprestada veio sem manuais e sem caixa. Sinceramente não acredito que fosse perder tempo a ler ou a explorar as potencialidades da máquina a um nível muito elevado. Tínhamos combinado que o tempo de utilização era curto – fruto de compromissos já assumidos com a marca – e só queria começar a fotografar. Encostei a 6D e fiz da X-Pro2 a minha companheira diária.

Em termos estéticos e estruturais, agrada-me a aproximação ao tradicional, ao vintage. O peso não é de todo impeditivo de nos fazermos acompanhar “dela” numa simples saída à noite, fazendo dela uma máquina útil para o dia a dia e confortável para o “noite a noite”. Depois de ter entrevistado alguns fotógrafos “FUJI lovers” como a Diana Rui Carapuço, o Pedro Cárdigo e o João Carlos, passei a sentir-me parte de uma família elitista de gajos com a mania de que são diferentes e a compreender que existe vida para além das Canon e Nikon (e ainda hei-de experimentar uma Leica… lá chegará o dia!).

De algumas fotografias que tirei com esta máquina, gosto particularmente da que se segue… Obviamente que é uma fotografia tratada com photoshop onde usei também a técnica de fotografar sequências de ação, mas foi possível graças ao equipamento usado. Estou certo de que, com o modelo mirrorless que experimentei anteriormente, não a teria conseguido captar.

 

xpro2-example

Exemplo de fotografia com a X-Pro2

 

Outras foram as que usei para o meu projeto 365:

 

 

Obviamente que o preço do equipamento não me levava a comprá-la, mas a razão é porque já tenho a minha 6D e com a qual estou plenamente satisfeito. Tivesse eu orçamento para uma segunda câmara e talvez não pensasse duas vezes. Para os momentos em que não me apetece andar de trambolho na mão, principalmente quando vou sair com os meus filhos, para nunca perder oportunidade de registar momentos (sempre) especiais a um preço mais leve (no duplo sentido). É uma máquina diferente, elevando a categoria mirrorless à fasquia merecida e explicando porque há tanta gente a mudar para câmaras mirrorless. Não, não trocava a minha 6D; não considero que sejam boas para fotografar desporto; não acho que sejam substitutas, mas sim que entrem na fotografia com vista a um género muito bem definido. Fotografia de rua, fotojornalismo, conferências, eventos sociais, … algo que permita pensar um pouco antes de fotografar. Não me acredito – e recorrendo a um trecho de conversa com um fotógrafo conhecido -que seja uma máquina que “dê” a capa do jornal no dia seguinte… Também não percebo muito de carros, mas a Porsche é a Porsche, ainda assim a Mercedes também “lá vai”… não querendo fazer uma comparação fiel entre as marcas e correndo o risco de não ser uma analogia perfeita, dá para fazer uma ideia do que quero dizer.

No meio de tudo isto, e ainda que com um curto espaço de tempo para experimentar a X-Pro2, mudo totalmente a minha opinião quanto às câmaras mirrorless. O azar de não ter tido uma primeira vez de qualidade, sendo que algumas vezes preferi fotografar com o telemóvel,  leva a que a segunda opinião seja de desconfiar… E o resto da gama? Será a X-Pro2 a única que vale a pena ou fará, a que usei anteriormente, parte de um grupo reduzido de mirrorless que não são mais do que brinquedos para gastarmos dinheiro? Ainda assim tenho de ser isento e dar à X-Pro2 todo o crédito que ela tem, aumentando o meu grau de desilusão…! Desilusão por ter de a devolver, por não ser minha e por não prever que, a curto prazo, possa vir a adquirir uma para uso pessoal. Resta-me continuar a relacionar-me com excelentes profissionais e tirar partido dessas mesmas relações em proveito próprio, podendo usufruir destes momentos de experimentação que nem todos têm a possibilidade de ter.

Obviamente que, não sendo este um artigo patrocinado, é minha obrigação agradecer a todos quantos (numa cadeia de conhecimentos) permitiram que pudesse ter  privilégio de utilizar esta máquina. Luís Vieira, Marco Seixas, João Rodrigues Coelho e FUJIFUILM Portugal foram os responsáveis por me fazer mudar de ideias! (ainda entre dentes…) Viva as Câmaras Fotográficas Mirrorless!!!

 


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1 Comentário

  • Reply
    X-T3, a Fujifim inimiga da FOTOGURU - Fotoguru
    9 Outubro, 2018 at 23:53

    […] seja igualmente melhor. Tivemos o privilégio de experimentar outras câmara, inclusivé a versão X-PRO2 da Fujifilm. Com a nova X-T3, somos obrigado a confessar que a FOTO GURU deixa de fazer sentido, […]

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