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Vela – Uma forma diferente de fotografar crianças


Tempo de Leitura: 6 minutos

Na busca do melhor público, a fotografia de crianças tem-se revelado a melhor aposta. As sessões de crianças estão a massificar o mercado de trabalho, deixando pouca margem de manobra. Mas há forma de contornar a situação. Qual o desporto que elas praticam? Hoje vamos falar de vela…

A vela já não é um desporto elitista. Longe vai o tempo em que cada criança era obrigada a ter o seu próprio barco e investir mundos e fundos para poder exercer a sua prática. As escolas de vela estão equipadas com material suficiente para que estes pequenos se possam iniciar nas rotas de Vasco da Gama.

Em conversa com uma escola de vela próxima, foi-me solicitada a reportagem fotográfica de uma regata. Não é uma atividade nova para mim, mas ainda assim é importante manter em atenção alguns aspetos que nos podem ajudar a ter uma sessão … melhor!

Uma regata engloba 2 momentos distintos. Ainda em terra, os navegadores preparam o seu próprio barco. finam velas e todos os cabos que lhes permitem uma navegação mais segura. Os optimists (barcos desenvolvidos para a iniciação à vela) são os usados pelos mais novos. Simples e estáveis, são os mais fáceis de tripular. Cada optimist tem apenas um navegador que tudo deve fazer para chegar primeiro à linha de chegada.

É montado um percurso através da colocação de bóias que, com cores diferentes e mediante as Regras da Prova devem ser contornadas. Regras de navegação à parte, o importante é perceber como podemos, da melhor forma, captar cada momento.

Fora de Água

As regatas começam bem antes da hora marcada. As esquipas vão chegando à marina e, por indicação do seu treinador, começam a preparar os optimists para a prova. Serão algumas horas (valentes) dentro de água pelo que a condição física e psicológica de cada velejador é essencial.

Nos momentos que antecedem a entrada na água é possível captar algumas fotografias interessantes. Por norma tenho 2 configurações que uso em cada regata. Para os momentos em terra uso uma lente 16-35mm. Suficiente para me permitir, no meio de tantos atletas, registar alguns momentos de confraternização.

Algumas indicações são dadas pelos treinadores, bem como é feito um acompanhamento apertado para garantir que tudo vai para a água nas melhores condições de navegabilidade e, acima de tudo, segurança.

Fotografia por Matias Capizzano

 

Notam-se grupos de atletas. Uns da mesma equipa, outros que se revêem sempre que há provas. As amizades são trabalhadas e cultivadas de prova em prova. Qualquer momento de demonstração de amizade é digno de registo. Eles brincam, fazem partidas uns aos outros e ajudam-se. Considerando ser uma reportagem fotográfica, muitos dessas demonstrações são bem-vindas.

Dentro de Água

Os fotógrafos acompanham sempre a organização que lhes disponibiliza um bote para o efeito ou, quando assim não é possível, permitem que os acompanhem enquanto montam o percurso e zelam pelo bom funcionamento da prova.

Fotografias à parte, é importante considerar alguns aspetos que te ajudarão a desempenhar melhor a tua tarefa. Fotografar de dentro de um barco não é tão simples quanto possa parecer. Existe uma oscilação constante que te prejudica (nomeadamente) o enquadramento. Dependendo das marés, terás de captar mais do que um registo para conseguir “salvar” uma imagem. Mas não é só… Então temos:

Enjoos

Nem todos são talhados para andar no mar. Por norma diz-se que devemos fixar a linha do horizonte para evitar enjoar. Contudo, uma vez que estás a olhar pelo viewfinder será algo difícil manteres-te fixo no horizonte. O melhor, pelo sim ou pelo não, é tomar uma pastilha para o enjoo.

Pode ser psicológico, mas o certo é que não sou pessoa de enjoar e desde que tal me aconteceu a minha primeira regata, não mais larguei o vomidrine. Uma pastilha 30 minutos antes de entrar no barco é o suficiente. De lembrar que este tipo de medicamentos dão uma certa sonolência que, com o embalo do mar, pode ser fatal. Assim, logo a seguir à pastilha milagrosa, toma um café para cortar o efeito do sono.

Alimentação

Cada regata tem duração variável. Há um número mínimo de provas a realizar e, dependendo do estado do mar e do vento, pode demorar mais ou menos tempo. Por norma entra-se na água ao final da manhã e só se regressa ao final da tarde, mas este horário varia (obviamente). São muitas horas no mar, sem fuga possível.

A organização das provas faculta o chamado Lanche de Mar que é constituído por duas sandes, uma peça de fruta e uma garrafa de água. Há quem faculte um chocolate por causa da fraqueza, mas tudo isto varia de organização para organização.

O mar dá fome! Se tiveres receio que possa não chegar, pões um pacote de bolachas dentro da mochila. Evita coisas salgadas pois a água que tens à disposição é imprópria para consumo e a potável é finita. Podes ainda colocar uma ou duas garrafas de água na mochila, não vá o diabo tecê-las.

Proteção

O colete é obrigatório. A organização faculta-te um, caso contrário solicita-o antes de entrares no barco. Mas há outro tipo de proteções que deves considerar. Com frio deves levar roupa quente, faz muito frio lá fora. Usa material impermeável e que te permita uma movimentação fluída.  Com tempo quente não te esqueças do protetor solar. Não poderás ir a banhos e o sol pode queimar mais do que parece. Proteção a mais não prejudica ninguém.

Não te esqueças que estarás rodeado de um produto que é incompatível com a tua máquina fotográfica. Equipamentos eletrónicos e água não é de todo a combinação perfeita. Elásticos e um saco plástico deverão fazer parte do material que terás de levar dentro da mochila. Aprende a improvisar uma proteção, caso não tenhas uma manga impermeável para a câmara.


Caso só tenhas um corpo e pretendas trocar de lentes, fá-lo dentro da mochila. Para além de poderes apanhar com salpicos de água, o pior pode acontecer. Mesmo com todo o cuidado, foi assim que fiquei sem a minha 70D. Na troca de lentes caiu ao mar e depois …. nem câmara, nem fotos!

Equipamento

Caso tenhas apenas um corpo, muda de lente antes de entrar no barco. Usa uma 70-220 ou uma 150-600. Não é muito importante a distância focal, desde que seja considerável. Poderás ter de, em pós produção, ter de fazer algum crop. Prejudicas a qualidade, mas melhoras a imagem. Considera que não vais andar lado a lado com os velejadores. Terás uma distância de segurança que pode ser colmatada com a utilização de uma lente adequada.

Podes, se tiveres um segundo corpo ou se pretenderes arriscar na troca de lentes no alto mar, usar a tua 16-35 ou outra semelhante para captar um enquadramento mais generalizado, mas grande parte das fotografias são direcionadas a um ou a dois velejadores. É importante que cada foto conte uma história.

O Trabalho de Casa

Considerando que não é fácil nem acessível praticar a fotografia de vela, convém fazeres o trabalho de casa. Há vários fotógrafos de renome nacional e internacional nesta matéria. Um dos principais é o argentino Matias Capizzano. Visita o site, vê o que ele faz para perceberes o que é possível fazer. Não terás, para já, a técnica e a destreza do mestre, mas facilmente podes tirar ideias quanto ao tipo de fotografias que são esperadas no final de uma regata.

Fotografia por Matias Capizzano

 

Quem sabe não será aqui, havendo a possibilidade e o acesso, que conseguirás vingar num registo diferente? Para o meu grande amigo que me pediu alguns conselhos; este artigo é para ti!

 

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