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Uns abandonam, outros recuperam histórias


Tempo de Leitura: 3 minutos

Há muitas histórias escondidas em casas fechadas. Por razões que dificilmente percebemos quais são, há lares que continuam à espera que cheguemos. Mesas postas, camas feitas, … muitas histórias que podíamos contar.

As histórias por detrás de um abandonado podem revelar muito do que lá se passou. As paredes têm ouvidos, mas não falam. O resto, cabe-nos a nós (principalmente aos mais corajosos) reproduzi-las em fotografia.

O Rui Almeida é, provavelmente, o master dos abandonados em Portugal. Há comunidades que se dedicam a memórias perdidas e com as quais conhecemos muitos locais que ficaram deixados à mercê do tempo.

Conheci há pouco tempo um blog dedicado à arte de de contar histórias de abandonados através da fotografia. Chama-se Abandonados e está nomeado para os Blogs do Ano, tal e qual a FOTO GURU.

Divulgar os locais é uma má opção. Infelizmente acaba-se a privacidade e passa a imperar o vandalismo. Esta é uma das razões pelas quais se deve ter muito cuidado em fotografar abandonados. Mas então como podemos entrar neste novo mundo?

Procura do local

Há várias formas de encontrarmos locais para fotografar. Uma simples passagem de carro ou a pé, uma viagem virtual no Google Maps ou por indicação de terceiros que conheçam a nossa vontade de fotografar locais abandonados. O importante é mantermos algum sigilo, não vá o diabo tecê-las. Por um lado, porque é proibido entrar em propriedade privada; depois porque podemos ter uma surpresa desagradável ao saberem que vamos fotografar. Nunca sabemos quando nos vão tentar roubar…

Tripé

O tripé é talvez o utensílio mais importante nesta nossa viagem. Uma vez que as casas estão, na sua maioria fechadas, não temos como obter a luz necessária para captar o melhor momento. Assim, teremos de recorrer às longas exposições. Para tal, o tripé permite que a entrada de luz na câmara seja feita sem “tremores”, mantendo uma imagem nítida e totalmente focada.

Equipamento de Limpeza

Normalmente as casas, por estarem inabitadas, têm uma grande quantidade de pó e sujidade. Convém irmos prevenidos para limpar as lentes de qualquer resíduo que se venha a acumular. Só assim teremos a certeza de que a imagem revela (apenas) a negligência humana.

Lanterna

Uma lanterna ou um telemóvel com esta função é algo também fundamental para que consigamos ver por onde andamos. A segurança do local está sempre comprometida pelo que, por nossa conta e risco, devemos acautelar todos os movimentos.

Companhia

Mais do que privilégio, uma companhia serve-nos para nos proteger. Caso aconteça um acidente, caso seja preciso chegar o equipamento, caso necessitemos de uma mão para trepar algum muro ou avançar algum obstáculo. Fotografar abandonados não é fácil e a adrenalina de estarmos a invadir a privacidade das historias pode ser-nos prejudicial.

Lentes

As melhores lentes são as grandes angulares com grande abertura (f/2.8 ou inferior). Contudo, a melhor lente – lembra-te – é sempre a lente que temos disponíveis. Se não conseguires captar o melhor do local, captas o que conseguires. Uma “meia fotografia” é sempre melhor do que nenhuma fotografia.

O impacto da Natureza

Tudo o que roubamos à Natureza, ela reclama de volta. Nesse sentido, o passar dos anos faz com que as histórias sejam absorvidas por elementos naturais. Ervas, árvores, rochas, … tudo que seja elemento natural deve ser fotografado. Obviamente que devemos ter o cuidado de os enquadrar no cenário de “destruição” que encontrarmos, mas sim… devemos sempre considerar os fatores naturais quando fotografamos abandonados.

 

Por muito que se escreva sobre este tema, jamais haverá um manual que nos faça sentirmo-nos confortáveis a recolher este tipo de imagens. São casos únicos, com belezas igualmente únicas que o tempo decidiu reclamar. São histórias de alguém que saiu e não mais voltou. Uma última questão que gostaria de deixar registada: “Se forem fotografar abandonados, não estraguem! Evitem mexer no que está quieto. Adulterar o local é adulterar a história. Entrem, fotografem e saiam, Deixem que as memórias descansem em Paz!”.

 

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