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Quando é (tão) bom ser um fotógrafo desconhecido…!


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Quando nos iniciamos na fotografia, o gosto pessoal fala mais alto. Em breve ansiamos pelo sucesso. Contudo, ser desconhecido traz as suas vantagens…

As luzes da ribalta são o objetivo de grande parte dos fotógrafos. Principalmente para os amadores, o sucesso é algo pelo qual se dedicam diariamente. Evoluem pessoal e fotograficamente e expõem os seus trabalhos de forma, muitas das vezes, leviana. Sem pensar nas repercussões de tal desorganização, desejam ser conhecidos a toda a força. Ser desconhecido não é assim tão mau quanto parece…

Ser famoso (ou conhecido) tem muito que se lhe diga. Enquanto aqui incentivamos o avanço profissional da nossa veia fotográfica, a cautela é o nosso melhor aliado. Quanto mais tempo estivermos com a categoria “anónimo”, mais possibilidades temos de esconder os nossos erros. Se nem os profissionais são perfeitos, imaginem quem tem pouca experiência…

A fotografia é um negócio, ou pelo menos pode ser. Como tal, há erros que se cometem e que podem ser fatais. Ter os olhos postos em tudo o que fazemos, dá possibilidade a críticas menos positivas. E se por um lado é mais fácil evoluir naturalmente, fazê-lo ao mesmo tempo em que tentamos desfazer uma impressão negativa dá bastante mais trabalho.

Ser amador traz vantagens. Ser anónimos capacita-nos de vantagens perante os nossos colegas profissionais. Talvez nunca me imaginei dizer isto, mas até certo ponto prefiro ser um “bom anónimo” do que um “mau conhecido“.

Provas

Quando somos desconhecidos não temos de mostrar nada a ninguém. O nosso trabalho fica disponível para um núcleo reduzido de amigos, conhecidos e potenciais clientes. Esta amostra, pelo seu número e proximidade pessoal, permite-nos mostrar e esconder alguns trabalhos consoante a crítica. Esta, por sua vez, é mais benevolente pelo simples facto de nos (re)conhecerem como amadores.

Experiências

Enquanto desconhecidos, podemos fazer os projetos fotográficos que nos apetecerem, mostrá-los e permitir que o público em geral decida a qualidade dos resultados. São testes que fazemos enquanto colocamos em prática o conhecimento assimilado. Qual um exame num curso académico, serão os outros que decidem se estamos a enveredar pelo caminho certo ou não. Os profissionais não se podem dar ao luxo de experimentar publicamente. Caso a experiência não surta o efeito desejado, a sua reputação poderá ficar afetada.

Seleção

Quando não temos nada a perder, os nossos seguidores são aqueles que realmente admiram o nosso trabalho. Enquanto não tivermos definido um rumo profissional, temos a certeza que o nosso leque de seguidores cresce à medida que aumenta a nossa qualidade. “O cliente tem sempre razão” e se o número aumenta é bom sinal.

Compensação

Quando não se espera obter resultados imediatos, tudo o que vier é lucro. Esta pode ser a filosofia do fotógrafo desconhecido. Usam as Redes Sociais para partilhar os seus trabalhos e, quando menos esperam, pode surgir um contacto para um trabalho pago. O primeiro, depois o segundo e o terceiro. O tempo que leva depende de si, das suas fotografias e do seu núcleo de amigos e seguidores. Ainda assim, o contacto acaba sempre por chegar.

Há sempre um testo para cada panela“, costumo dizer. Há sempre quem goste do que fazemos e, mais tarde ou mais cedo, havemos de ser visto num patamar superior ao que realmente ocupamos. Nesta altura, é melhor começar a pensar numa estratégia menos amadora e partir para um registo mais cuidado, mais assertivo e com outro grau de exigência.

Aqui começamos a deixar de ser desconhecidos. Participamos em concursos e cativamos um público maior. Passamos a ter mais visibilidade e a atingir o fim que realmente desejamos. Em contrapartida, deixamos de nos podermos dar aos luxos enunciados anteriormente.

A evolução é um processo lento. Quanto mais tempo nos mantivermos num determinado nível, melhor consolidamos conhecimentos. No final, todos temos de dar o braço a torcer… Não sendo por uma questão financeira, às vezes é muito bom ser um fotógrafo desconhecido!


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