OPINIÃO

O tamanho (afinal) conta!


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Por muito que nos custe admitir, vivemos num mundo de aparências. Não importa se o “fulano” tem dívidas ou o “sicrano” está desempregado; não queremos saber se têm bens em nome deles ou se até andam com coisas emprestadas. Desde que se apresentem com um “carrão”, fatos de marca ou a jantar em restaurantes finos e caros, já são “os melhores do mundo”. De pouco nos consola ou importa o tamanho da conta bancária, desde que as ações e o comportamento condiga com a aparência.

Há quem faça verdadeiros milagres com pouco, mas há também quem não saiba usar o que tem. Há de tudo, neste mundo. Certo é que (infelizmente para os bons e felizmente para os mais astutos) as oportunidades são diferentes de acordo com a nossa forma e a nossa apresentação.

É, foi e será (?) sempre assim… “os olhos também comem”, sempre ouvi dizer e infelizmente no mundo dos negócios é onde mais se verifica este tipo de ideias pré-concebidas. Sempre que vemos alguém com uma DSLR, com grip, com uma teleobjetiva e mais duas outras numa bolsa, à cintura, temos a tendência para conotá-lo como profissional ou, pelo menos, um entendido na matéria. Mesmo que acabem por se passar horas sem que o vejamos a manusear o equipamento, o tamanho do sucesso que lhes atribuímos é proporcional ao peso que traz ao pescoço.

pro-photographer

(Aparentemente um) fotógrafo profissional

Por outro lado, sempre que vemos alguém a fotografar com uma máquina de tamanho mais reduzido (um smartphone ou até mesmo uma point and shot) assumimos o seu amadorismo ou a sua maior inexperiência na área fotográfica. É inevitável e instantâneo fazermos estas associações. O tamanho e a aparência contam, até na fotografia.

Imaginem-se a fotografar…. Não; façamos ao contrário: Imaginemo-nos num casamento, como convidados, a vermos aquele a quem nos foi dito que era o fotógrafo, com uma máquina fotográfica mais pequena do que a nossa. Não nos vamos preocupar em perceber que máquina é, quanto custou ou quais as capacidades que ela tem. A primeira reação é sempre “Eu que não sou o fotógrafo, tenho uma máquina (aparentemente) melhor que a dele”. Obviamente que este exemplo não é o melhor, pois nós, os que fotografam, temos outra perceção das coisas, mas todos os outros vão comentar que nós, enquanto convidados, temos uma máquina melhor que a do fotógrafo.

Poderá o tamanho do equipamento que envergamos causar-nos transtorno? Poderá, à semelhança do que acontece noutros campos, o tamanho ser (ou pelo menos da forma como se apregoa) prejudicial ao desempenho? Poderá o tamanho ser revelador de amadorismo e desinvestimento, demonstrando desleixo por parte do fotógrafo? Rapidamente respondo a estas questão, sob uma perspetiva pessoal, não documentada, mas baseada no (meu) bom senso: NÃO!

São já vários artigos escritos no âmbito deste projeto em que demonstro a minha postura perante as soluções mais leves e portáteis. Uma das áreas que gosto de elevar e evidenciar é exatamente a fotografia por smartphone onde o peso e o tamanho são reduzidos, aumentando cada vez mais a qualidade das imagens recolhidas. Falei já, por várias vezes, de fotógrafos profissionais que fazem ensaios fotográficos apenas com smartphone, que comparam a prestação de um iPhone com uma DSLR ou que registam um casamento inteiramente com um iPhone (sem recurso algum a uma DSLR). Serão estes loucos, o futuro da fotografia ou serão simplesmente uns alienados que não precisam do dinheiro e fazem este tipo de experiências?

O grande problema que aqui se coloca é a forma como conseguiremos convencer os nossos clientes de que o trabalho é o que eles conhecem (das redes sociais, site e/ou portefólio) independentemente do material que usamos. Serão eles levados a pensar que o tamanho do equipamento compromete a qualidade? Dou o exemplo da Black Magic Pocket Cinema que tem toda uma tecnologia de ponta, numa estrutura semelhante à dos brinquedos dos meus filhos. Eu sei que esta câmara é de filmar, mas também já falei acerca da fotografia com máquina de filmar, como filme com máquina fotográfica… a linha é muito ténue, mas exemplifica com exatidão o que pretendo. Facilmente se estragam 960€ num “brinquedo”…

Blackmagic Pocket Cinema Camera

Blackmagic Pocket Cinema Camera

Como lidam com esta situação? Já alguma vez tiveram necessidade de justificar o equipamento que usam para não perderem uma sessão? Qual a vossa posição e experiência no que respeita a fotografar com equipamento (física e estruturalmente) mais pequeno? O tamanho é importante para o vosso trabalho?


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