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Somos fotografos, tratem-nos com dignidade!


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Quem fotografa espetáculos, sempre anseia fazer um festival. O Verão é a melhor altura para a realização desse sonho, mas a que custo? Teremos de vender a nossa dignidade para nos sentirmos realizados?

A dignidade é o pilar da sobrevivência. Somos quem somos, e somos da forma como fomos feitos. Temos qualidades, defeitos, mas acima de tudo temos dignidade! O relato que aqui se apresenta é baseado na experiência pessoal de 4 anos a fazer festivais de Verão (não todos, obviamente).

Este ano fui, como de costume, fazer a cobertura fotográfica de um festival de verão. À medida que os anos vão passando, as condições de trabalho têm vindo a degradar-se. Inicialmente era um luxo! Partilhávamos a zona VIP com os convidados importantes e comíamos e bebíamos “a noite toda” (para não ser mal entendido, leia-se “nunca faltou comida nem bebida”).

No segundo ano forçaram-nos ao divórcio. Além de estarmos fisicamente separados, estávamos impedidos de pisar o mesmo chão. A nossa dignidade ficou ferida, mas sem gravidade.

No terceiro ano a coisa piorou. Um contentor perto do palco, como nos anos anteriores, mas com uma rede opaca sobre o gradeamento. Ou seja, fomos lá para fotografar, vemos/fotografamos algumas musicas e podemos assistir a todo o festival, mas não do local dedicado à imprensa. Vamos lá para trabalhar, mas temos de nos deslocar para o fazer…

Mas tudo bem na mesma… Tínhamos comida quente, com direito a sobremesa e doces. A cerveja é que já tivemos de ser nós a mudar os barris e a servirmo-nos. Ahhh, e a comida era posta nas mesas enquanto fotografávamos, pelo que se não íamos rapidamente ou se algum colega não nos reservava um pouco de comida,… “já foste!

Por fim chegamos a 2018 e foi o pior ano de todos (para já). Os festivais crescem, os festivaeiros são cada vez em maior número, os artistas mais caros, mas tem de haver cortes nos orçamentos.

A nossa dignidade ficou totalmente à mercê de quem a quiser usar. Deram-nos mais espaço. De um contentor passamos a ter 2, mas ficamos reduzidos a uma dúzia de mesas (da coca-cola), daquelas de esplanada. Cadeiras sobravam, mas o material ficava no colo.

A arca das bebidas (cerveja é água) não funcionava para além de que a quantidade era bem menor, e de não haver reposição. Que digam os colegas da RTP que, ora vinham buscar das nossas sandes, ora pagavam a comida do bolso deles…

Sinceramente não sei qual o rumo que isto vai tomar, nem me preocupa! Não vivo da fotografia nem tão pouco da fotografia de espetáculos. Contudo, conheço alguns que o fazem e preocupa-me.

Retirem as regalias, retirem tudo o que for supérfluo, mas não tirem a dignidade. Os repórteres fotográficos fazem parte da imprensa que faz muita publicidade, promovendo (entre outras coisas) os festivais de verão. Olhem para os fotógrafos com algum reconhecimento e mérito, pois merecem! Se a Joss Stone nos agradeceu a presença, porque não temos uma palavra da organização?

 

P.S. Nem todos os festivais são assim, obviamente. Apenas queria mostrar que nem tudo são rosas…

 

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