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Snapshot ou fotografia? Qual é a que fazes?

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Nem tudo o que parece, é! Uns são fotógrafos, outros tiram fotografias, mas há ainda os que fazem simplesmente snapshot. Onde te enquadras?

O conhecimento fotográfico está muito além do senso comum. Não basta ter uma câmara e umas ideias de objetos e paisagens para fotografar. É preciso mais! É preciso pensar a fotografia. O artigo de ontem fala de como podemos evoluir através da preparação e não somente através da intensidade. Fotografiasnapshot são duas coisas completamente distintas. Para perceberem melhor, vou contar um pouco da minha vida…

Quase em todos os fins de ano, esperava por ser o fotógrafo oficial das celebrações. Familiares ou não, o reconhecimento das minhas capacidades fotográficas era o meu grande objetivo. O empenho e a dedicação caiam por terra sempre que revelava as fotografias. Tinha idealizado uma imagem completamente diferente do que via no papel. Fotografias desfocadas, algumas com arrasto, sub e sobre expostas, … acho que conseguia cometer um erro de cada, em cada sessão fotográfica. O “palanque” de fotógrafo ficava cada vez mais longe. Mesmo com a velhinha Kodak 155X da minha mãe, com a qual fiz algumas boas fotografias, eram mais as más do que as que se aproveitavam. Ser fotógrafo teria de ser para alguém que tivesse nascido com o dom, ou pelo menos tivesse a oportunidade de estudar fotografia.

Parei! Decidi que a fotografia não era para mim e fiquei afastado do meu sonho durante cerca de 15 anos. Qual criança a adorar o presente proibido, contentava-me com as obras de Sebastião Salgado, Peter Glendinning, Michael Yamashita, Jodi Cobb, Jim Richardson e Steve McCurry entre outros mestres fotógrafos. Mas a vida muda, e deu-me o privilégio de ser pai. Nessa altura tive de resistir à tentação e comprei uma (outra) Kodak. Era a M1033 e, para a altura, tinha muito boas caraterísticas. Decidi investir em algo que me durasse mais tempo, pois tinha agora um novo foco de investimento (o meu filho).

A reentrada no mundo da fotografia foi feita lentamente. A frustração anterior assolava-me e tinha medo de não tirar boas fotografias ao meu rebento, comprometendo um registo histórico da evolução da minha linhagem. As configurações da máquina eram automáticas. Não queria tomar decisões erradas e deixei que fosse ela a decidir por mim. Ainda assim, não há nada como o olho humano e algumas das fotografias, principalmente em baixa luz, saíam com rasto e desfocadas. A frustração era o único sentimento que crescia com a felicidade de ser pai.

Foi nesse momento que parei, respirei e percebi que algo tinha de ser corrigido. Comecei a estudar fotografia e a perceber que o que estava a fazer se situava no outro extremo do que faziam os fotógrafos profissionais. Eu apenas captava snapshots em vez de fazer fotografia. Com a evolução “académica” fui percebendo que, ao “correr atrás do prejuízo” o meu erro estava na técnica e nunca no equipamento. Por muito bom que fosse a câmara usada, nada saía bem…

Voltei-me para o outro lado e delineei uma estratégia diferente. Comecei por ler o manual da Kodak e perceber o funcionamento do ISO, abertura e velocidade. Com os conceitos básicos adquiridos, senti a necessidade de frequentar um curso também básico ou um workshop para consolidação de conhecimentos

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“Ao começar a pensar antes, deixamos de capturar segundos para capturar histórias”

A fotografia sobrepôs-se ao snapshot e comecei a fazer experiências com a minha velha câmara. Mudava configurações e via na prática o que vinha nos livros. Rapidamente percebi a veracidade da frase “não é a máquina que faz a fotografia“!

Conclusão

Por muito evoluída que esteja a tecnologia, não há nada que substitua o sentimento. Esse, apenas com a intervenção humana passará para a imagem. utilize as más fotografias para muito mais do que deitar fora… Percebam onde erraram e criem rotinas de correção.

Depois, sigam estes passos. Podem não vir nos livros, exatamente como aqui vos apresento, mas foram os responsáveis pela minha evolução na fotografia:

  • Conhece a câmara. Lê o manual e descobre todas as configurações que ela tem
  • Aprende sobre Abertura, Velocidade (Obturador) e ISO. Há muito material grátis na internet
  • Aprende composição. Vê os filmes, observa como os personagens ficam na tela, o que há atrás do cenário, como a luz lhes bate no rosto em determinadas cenas
  • Aprende sobre os vários tipos de fotografias: retratos, viagens, natureza, desporto, noturna, …
  • Compra um tripé
  • Focaliza-te! Descobre o que mais gostas de fotografar e estuda com maior profundidade. Não te preocupes em ser o melhor em tudo, mas permite-te ser feliz naquilo que mais gostas.

Ao começar a juntar essas peças, facilmente percebes como transmitir a tua “imagem mental” para a fotografia. Perceberás que és tão bom – senão melhor – do que alguns fotógrafos famosos e, melhor ainda, perceberás que tudo é muito simples, só precisas de praticar!

 

por Marcelo S. Trojahn

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