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Redes Sociais, que praga! Vamos acabar com isto…


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Muito se tem falado sobre as Redes Sociais e a sua importância para a propagação do nosso trabalho, mas elas são uma praga tão, mas tão grande…

É preciso decidir o que vamos fazer. Desenvolver um plano eficaz para cortar o mal pela raiz! É assim com qualquer praga, seja de insetos, virus ou de outra natureza. As Redes Sociais estão a tornar-se na maior praga do Séc XXI.

Há duas semanas foi anunciada uma alteração “profunda” no Facebook. Aquela que já foi a maior Rede Social da atualidade está a tornar-se num enorme Centro Comercial. Tudo está institucionalizado e é preciso regressar ao passado e devolver a importância às pessoas. Foi esta, mais ou menos, a mensagem de Mark Zuckerberg.

O Facebook deixou de ser uma plataforma de partilha de experiências (pessoais) para se tornar num negócio. As empresas entraram em força, começaram a vender os seus produtos e a publicitar as próprias publicações. A sede e a ganância do “dinheiro fácil” ditaram um novo rumo. As publicações são apresentadas não só de acordo com o investimento, mas consoante a proximidade de outras com sucesso.

Pés de fora de uma carrinha com a natureza à espreita, fotografias em desfiladeiros a desafiar a própria vida ganham uma projeção incrível. Se queres ter muitos gostos, então segue a mesma linha fotográfica. Mostra que também és capaz e vais ver que aumentas o número de seguidores.

São estes gostos que fazem com que, cada vez mais, queiramos praticar este tipo de fotografia. Mesmo não sendo a área que nos interessa, é lá que estão os potenciais clientes. Avaliamos o sucesso do nosso trabalho de acordo com o número de pessoas que gostam das nossas publicações.

Mais radicais, mais artísticas, mas sempre voltadas para uma moda que vai pegando. No fundo, acabam por ser (de certa forma) os algoritmos de seleção do Facebook que ditam o que os fotógrafos devem fotografar para estarem a par dos mais apreciados. Ora bem, na verdade, isto é apenas “meia verdade”.

Quem se lembra do Facebook sem publicidade? Quem se lembra do Instagram sem publicidade? Agora somos obrigado a aguardar que um vídeo promocional acabe, que entretanto foi colocado sobre um outro (vídeo) que temos interesse em ver. Somos pulverizados com publicidade não solicitada, invadindo o nosso espaço e limitando o nosso tempo.

Quando se é bom, não é preciso usar esta “falsa publicidade”, porque acabamos por ter os nossos próprios seguidores. Contudo, é um processo que demora muito mais tempo e exige muito mais de nós.

Habituamo-nos a publicar à espera do retorno, falamos disso no artigo de ontem. Um erro crasso que ajuda a alimentar esta praga. Devemos antes usar as Redes Sociais como uma montra para o nosso trabalho. Trabalho esse que, muitas vezes, se confunde com o registo de vivências pessoais que que não deveriam estar misturadas (mas são decisões do próprio utilizador).

Para nós, fotógrafos, as Redes Sociais são um pau de dois bicos. São uma forma fácil de mostrar o nosso trabalho, mas também nos limitam a criatividade. Ou escolhemos o sucesso medido em número de likes, ou “prejudicamos” a projeção em detrimento de uma amostra do nosso real trabalho.

É certo que ninguém pode fugir das Redes Sociais. Invadem o nosso tempo profissional, com as presenças online das empresas onde trabalhamos, mas também consomem muito do nosso tempo livre. Com as ameaças de novas plataformas onde a publicidade (ainda) não impera, corremos o risco de andar constantemente a migrar protefólios entre plataformas. Queremos estar sempre na crista da onda e presentes onde os outros também estão. Vejamos o exemplo da diferença entre o Google Plus e o Facebook. A comercialização e o investimento do segundo leva-o a sobrepor-se ao primeiro (embora o G+ esteja mais vocacionado para a área da fotografia).

Qual vai ser o nosso futuro? Continuaremos a ser, silenciosamente, manipulados pela sede de sucesso ou descuramos a tendência e usamos apenas a Rede Social para nos mostrarmos ao mundo? As Redes Sociais são uma praga que prometem acabar com a nossa vontade de evoluir.

Alguns já perceberam esta realidade e começam a abandonar. Daí Mark Zuckerberg ter intenção de dar “um passo atrás” para poder dar “dois à frente”. Ele já percebeu que o Facebook corre sérios riscos, e para não ter o mesmo fim que o Hi5 (os mais velhos sabem do que estou a falar), optou por (tentar) voltar às origens.

Será isto o começo do fim?


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