OPINIÃO

Quanto vale uma (a tua) vida?


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As manias vêm e vão, são cíclicas como já disse há algum tempo noutras publicações. Mas se olharmos para a rapidez com que as coisas acontecem nos dias de hoje, há a necessidade de preencher falhas, espaços abertos, e criar (outras) novas modas. Tudo é vivido ao limite, ao extremo, sem olharmos a meios para atingirmos um fim. Fim esse que é sempre o mesmo: o sucesso, a fama e a notoriedade perante uma comunidade, por vezes desafiando a própria vida.

Não nos importamos do que dizem, não queremos saber se nos chamam de génios ou de loucos, desde que nos chamem. Não importa se falam mal ou bem de nós, … desde que falem…! Obviamente que esta forma de pensar e de agir não é – felizmente – universal, mas, assustadoramente, cresce a índices quase exponenciais.

Esta arte foi, em tempos, vivida por um número restrito de indivíduos que, com preparação física específica, faziam o lugar dos atores principais nas cenas mais perigosas de cada filme. Esses senhores têm, ainda hoje, um nome: duplos! Só que, infelizmente, os duplos ganharam uma fama cool. É alternativo, é engraçado, é diferente ser duplo. Viver a vida ao limite é outra onda… então criam-se situações para que cada qual possa ter o seu momento de fama.

Perante o panorama atual vivido na fotografia, as selfies vieram ganhar uma importância impensada. Muitas das vezes vemos jovens (e não só) em posições e locais por si só assustadores, arriscando a própria vida, para poderem tirar uma fotografia e partilhar no seu perfil das redes sociais. Numa busca repentina pela internet, rapidamente surgem um sem fim de exemplares de fotografias assustadoras… (e não necessariamente apenas selfies).

O que significa isto? Que valor tem a nossa vida comparativamente ao valor de uma fotografia? Vale a pena arriscarmo-nos ao ponto de deixarmos quem nos acompanhou a vida toda, partindo para outra dimensão, só para que digam: “Espetáculo, grande fotografia! E que grande maluco…!”?

Mas nem todos atos de loucura estão somente relacionados com ações impensadas ou atitudes “estúpidas” características de jovens alienados que pouco, ou nenhum, valor dão à vida. Em situações ditas normais, a procura de uma fotografia digna de concurso pode revelar-se fatal. As tempestades, incêndios e outros desastres naturais são sempre motivo de curiosidade. Pela sua unicidade e pela pouca frequência com que ocorrem, todos estes registos são desejados. Ver a força da Natureza a lutar contra a criação humana dá-nos a vontade de fotografar, de eternizar o momento.

Perigo impensado

“Ora deixa ver aqui na net, se o Mar vai estar agitado…” por Ricardo Miranda

Que me desculpe o Ricardo Miranda por ter “roubado” esta fotografia que bem ilustra a nossa despreocupação ou o nosso desinteresse no perigo, em detrimento da garantia que a fotografia ficou bem tirada.

Quantas vezes não disse já em casa “com ondas de 2 ou 3 metros, … hoje é que vai dar para fotografar?!” Todos somos assim, todos somos iguais, todos buscamos uma fotografia diferente, um marco que nos projete um pouco mais para a “tabela classificativa” dos fotógrafos amadores em busca de um reconhecimento.

Onde pretendemos chegar com a fotografia? Até onde estamos dispostos a ir, e a prejudicar os que cá ficam, em prol de uma (simples) fotografia? Qual o verdadeiro valor de uma fotografia? … e da tua vida?

Alguém me consegue responder???


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