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Photowalk: Uma fonte de rendimento


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Há conceitos que são básicos. Independentemente da área de atuação, é comum ouvirmos falar de determinados termos que nos trazem à memória ações bem definidas, tenhamos ou não participado em alguma delas. Pode esta frase parecer um pouco estranha, mas na realidade o que quero dizer é que existem determinados conceitos – que não são mais do que simples ações – dos quais tenho uma noção precisa, embora sob uma perspetiva meramente académica. Neste caso, como é óbvio, estou a falar de photowalk.

Façam analogia a um encontro para tomar um café, só que neste caso o interesse é outro. Aqui, cada elemento participativo, tem como principal interesse fotografar. “Mas se querem fotografar, porque não o fazem?”, vamos por partes…

Um photowalk está, por norma, subordinado a um tema. De cumprimento obrigatório ou não, até porque não há juízes ou “avaliadores”, cada fotógrafo participante tem a indicação do tipo de fotografia que se pretende realizar, bem como dos locais de maior destaque por onde vão passar. Há, normalmente associado a um photowalk, uma componente de diversão, descoberta e aprendizagem. A diversão é simples de explicar, uma vez que qualquer encontro serve para reforçar, criar ou aprofundar amizades. A descoberta pode estar associada ao contacto com determinado local que não conhecemos, como um destino diferente seja ele o monte, o campo ou uma cidade diferente. A aprendizagem é igualmente um tema fácil de entender. Juntos, com pessoas diferentes, com estilos fotográficos distintos, tendemos a discutir técnicas e pontos de vista que poderão alargar os nossos horizontes.

photowalk

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A perspetiva de encararmos um photowalk como uma fonte de rendimento não é de todo descabida. Lembro-me, ainda no ensino secundário, de organizar visitas de estudo a locais de interesse para, com o dinheiro angariado, poder fazer a minha viagem “de borla”. Não ganhando propriamente dinheiro com o evento, era sempre dinheiro “em caixa” uma vez que não tinha de desembolsar determinado valor para aproveitar as mesmas coisas dos outros- os que tinham pago para ir. Realizarmos um evento deste tipo poderá, quanto mais não seja, criar uma forma de autofinanciarmos as nossas ações como fotógrafos.

Se pararem para pensar um pouco, esta prática é realizada em muitos “negócios paralelos”. Conheço alguns instrutores de mergulho que têm o desejo de mergulhar em determinado local paradisíaco. O mais simples é, junto dos seus alunos, criar uma saída tendo como destino Belize, Mar Vermelho, Tailândia, Colômbia ou até mesmo Indonésia. Com um grupo de amigos, cada qual paga a sua viagem bem como um extra adicional que, somado, dará para pagar a viagem do organizador.

A Índia é um destino fotográfico regularmente utilizado pelos fotógrafos, bem como os países nórdicos para captarem a Aurora Boreal… Acham que os instrutores/guias pagam?? Nahhhh… desenganem-se! Mas na prática isso pouco importa. Desde que cada um aceite as condições e o preço, e o “guia” não exagere na parte de lucro, tudo é viável e exequível.

Reduzamos as pretensões e vejamos a perspetiva mais comercial e lucrativa dum photowalk. O turismo torna-se, cada vez mais, uma fonte de rendimento e com ele cresce o interesse em visitar e (mais do que isso) conhecer cada cidade. Um photowalk permitir-te-á assumir uma postura de guia turístico da tua própria cidade. Com um pouco de investigação histórica e cultural, à medida que percorres a cidade, ensinas o que de melhor ela tem para oferecer a quem só está de passagem. Para o turista que gosta de se fazer acompanhar das melhores memórias fotográficas, além de ter um guia turístico diferente, tem alguém que lhe mostra o que de melhor há para fotografar. Ele conhecerá os locais, as perspetivas e a melhor altura do dia para que a fotografia fique perfeita. Um conjunto de fatores que, quando conjugados, podem ser uma mais valia para os turistas mais atentos.

Uma coisa é certa, encarando uma postura de guia turístico, terás a certeza de que grande parte dos teus clientes terão interesses comuns. Ninguém vem ao Porto para ver apenas a Torre dos Clérigos nem a Lisboa para visitar a Torre de Belém. O mais certo é conhecerem e quererem visitar monumentos e locais que, por definição, são de passagem obrigatória. O teu público é facilmente identificável e homogéneo.

Para a organização de um photowalk talvez o mais difícil seja mesmo escolher o tema. Com tanto que há para conhecer e mostrar em Portugal, o mais fácil é “colarem-se” aos pacotes turísticos existentes e oferecidos pelas agências de viagens. Utilizem alguns dos recursos de terceiros como parte constituinte do pacote. Viagens de Sightseeing no Porto ou em Lisboa podem estar incluídas nas atividades, tendo o preço sido previamente contemplado.

Este é, na realidade, o primeiro aspeto a ter em consideração…

Escolha do local

Já tudo foi dito relativamente a este tópico. Define a tua audiência e o tipo de photowalk que pretendes realizar. Se a época for alta (verão) escolhe os principais pontos turísticos. Caso o interesse seja um evento, como aconteceu recentemente com o Rally de Portugal, os locais deverão ser os pontos de passagem dos carros. Se quiseres abordar uma questão mais histórica, os museus e os locais de cultura deverão estar no topo da tua lista.

Planeamento

É sabido que, na fotografia, há apenas dois pontos altos: o nascer e o pôr do sol. Estas alturas deverão ser escrupulosamente calculadas e definidas com vista a que sejam disponibilizadas imagens memoráveis. O pôr do sol junto à praia é sempre um ponto alto; já o nascer do sol, … depende da localização!

Visita locais interiores para aproveitar as "piores" horas para fotografar

Visita locais interiores para aproveitar as “piores” horas para fotografar

O que está no meio destes dois períodos é bónus e deve ser controlado de modo a que as presenças estejam asseguradas nos melhores momentos de cada local. Um Mercado do Bolhão deverá ser visitado de manhã, enquanto o almoço pode ser num bom restaurante de francesinhas. Assim asseguras que os fotógrafos/turistas absorvem também um pouco da cultura local (como facilmente percebem “falo-vos” diretamente do Porto, mas não haverá dificuldade em adaptar esta realidade a outro ponto do país).

Trabalho de Casa

Tenta abordar cada local de uma forma diferente. Para fotografias tipo “chapa 5”, consultamos o Google ou o Flickr. A magia destes eventos é permitirmos dar a conhecer “o outro lado” de cada spot. Tenta perceber quais os pontos de vista mais usados e de que forma conseguirás oferecer alternativas.

Trabalha o Tema

Lembra-te que pode ser teu objetivo realizares um novo photowalk. Para isso, nada melhor do que usares imagens de eventos anteriores para te publicitares. Foca no que é realmente importante e, no máximo de 10 imagens, retrata cada sessão realizada. Lembra-te que deverás dar acompanhamento aos teus clientes pelo que eles próprios se deverão identificar com o que apresentares como resumo. O teu trabalho deverá ser o mais ilustrativo do que se passou; locais, pessoas, participantes, momentos, … tudo conta. No final, das 300 fotografias que tiraste, difícil será escolher as melhores.

Partilha, aprende e ensina

Usa o teu conhecimento para o aprimorares. Aprende técnicas com os restantes participantes. Não precisas de ser o melhor, ou de ser profissional, para organizares um photowalk, precisas sim é de aproveitar todas as oportunidades para evoluíres. Talvez sejas o único que está neste evento numa perspetiva (mais) profissional; os outros são turistas…

Ajuda quem estiver com dificuldades, dá dicas para melhor fotografar determinado monumento, pessoa ou local. Melhor do que ninguém conheces a zona e sabes quais os pontos que funcionam a favor de cada spot.

Por último, não abandones quem te escolheu… Combina com o grupo qual a melhor forma e plataforma para partilharem a mesma experiência. Dará muita conversa e possivelmente criar-se-ão amizades duradouras. Incentiva o relacionamento humano.

Escolhe o melhor equipamento

Lembra-te do teu principal objetivo: Conhecer! A fotografia deverá como uma forma de eternizar a experiência pelo que nunca deve ocupar um lugar excessivo em termos de importância. Escolhe uma câmara e uma lente. Adapta o trabalho fotográfico ao equipamento que levares contigo. Lembra-te que terás um dia inteiro para andar carregado com material que, muito provavelmente, não irás usar. Liberta-te do síndrome do fotógrafo profissional e “travel light“. Lembra-te que a fotografia é feita pelo fotógrafo e nunca pelo equipamento.

 

Como conclusão, e independentemente de estares num patamar mais amador ou profissional, desempregado ou freelancer, esta solução pode ser-te útil. Quer seja para viajares à borla ou para ganhares um extra, de segunda a sexta feira, das 9h às 18h ou somente ao fim de semana, os photowalks poderão ser uma boa ferramenta de trabalho e uma fonte de rendimentos. Pensa nisso…


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