OPINIÃO

O perigo, a alfândega e a P.I.D.E.


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Isto de ter blogs e sites temáticos é muito bonito. Temos a possibilidade de experimentar e usar material de topo, ou soluções que de outra forma nos seria totalmente impossível. Já experimentei câmaras, lentes, e outros acessórios. Tive a felicidade de usar diferentes telemóveis (smartphones) antes de ter comprado o meu, o que me ajudou na escolha. Tudo isto parece ser um sonho; o cenário perfeito e completo. Tenho quando quero (quando peço e há disponível), vem ter a casa; uso e “abuso” e quando não preciso devolvo. Mas existe um perigo… vários até!

Imaginem que contactei uma marca estrangeira acerca de um produto para review. Sendo único e inexistente em Portugal – pelo menos pelas pesquisas que tenho feito – eles acederam em ceder-me um exemplar a troco de publicidade e artigo (a dita review). Tudo acordado, envio feito e … alfândega!

Os senhores que controlam a entrada de todo o material proveniente do paraíso fabril que é a China decidiram que tenho de apresentar a fatura de compra, para além de documentos pessoais. O perigo de uma bomba nuclear parece que está presente em todos os “pacotinhos” que provêem do país de Xi Jinping (presidente da China). Expliquei que se era uma oferta, não havia lugar a fatura. Como é sabido a fatura obriga a um pagamento, a uma troca de dinheiro… Para completar fiz uma exposição, que enviei juntamente com os documentos solicitados, a dizer que se tratava de um blog, que era para fazer uma review, etc. Recebo mais tarde um outro email a informar que, independentemente de tudo, teria de apresentar a fatura do equipamento cujo valor mínimo seria de USD$89.

Como sabem eles o valor do material? Uma pesquisa na internet? Será isto fidedigno?? Adiante… Ainda assim solicitei ao fornecedor que me facultasse uma fatura onde mencionasse o valor do equipamento, fazendo constar uma nota onde referisse a oferta e a não transação comercial. Tudo muito bem, apenas o valor referido na fatura era ligeiramente inferior; tinha especificado USD$85.

Enviei a fatura e aguardo uns dias até obter resposta. Acompanho a evolução no site da DHL e … nada! Todos os dias é feita uma atualização, inserida uma nova linha de registo, mas sem haver evolução no estado da encomenda. Em contacto telefónico fui informado que aceitaram a fatura proveniente do fornecedor, mas

Comunicação da DHL com indicação de coima

Comunicação da DHL com indicação de coima

coima? Ainda por cima considerando o valor do produto, e se juntarmos os custos de desalfandegamento ao valor da coima indicado… nem vale a pena!

O perigo de importarmos um produto, uma unidade, que veio oferecida e está comprovado com documentação da fonte, parece assolar o nosso país!

Parece que este caso veio fora de tempo ou sem assunto, mas o mesmo perigo que é vivido na alfândega portuguesa e que foi causado por uma encomenda minha, poderá ser o perigo que as vossas encomendas vejam a representar para a segurança nacional.

É prática comum falar de produtos provenientes da china, muitos podendo ser componentes de uma solução DIY ou até mesmo serem eles próprios uma solução DIY para a área fotográfica. Contudo, e ao que parece a P.I.D.E. está de volta com uma força de intervenção especialmente desenhada para as importações.

Considerem todas as possibilidades, tentem perceber qual o envio mais vantajoso para vós e, sempre que possível, escolham a compra via “armazéns europeus” (nomeadamente Espanha).

Acredito no controlo das fronteiras e aceito que seja feito um rastreio exaustivo a TUDO o que entra em Portugal (e nem assim se consegue controlar tudo….), mas considerando que a finalidade poderá ser, na melhor das hipóteses, mais um negócio que possa provir para Portugal (e considerando o valor e a quantidade de exemplares) dificilmente aceito que seja uma fuga fiscal! Até pode ser que as hajam, mas como não é o caso, torna-se difícil de aceitar.

Quanto a este caso, estou a aguardar que me informem quais as formas legais de reclamar da decisão e, em última instância, fazer uma oferta à própria alfândega não considerando o levantamento do material. Talvez consiga saber como é que as empresas “fazem” para fazer chegar o material “via Espanha”…


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