ENTREVISTAS

Os Caça Devolutos


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Curiosos e amantes de locais abandonados, respeitam as memórias que o tempo deixa ficar, conforme foram encontradas. Os Caça Devolutos são um grupo que se dedica à recolha e ao enriquecimento do espólio fotográfico do que de mais belo ficou para trás.

Numa ação concertada entre este grupo e a FOTO GURU, redigiram um artigo, dando assim um valioso contributo a este projeto…


Enquanto fotógrafos amadores, apoiamo-nos na experiência e na aprendizagem decorrente dos erros que já cometemos para assim equilibrarmos os dois pratos da balança: o rigor técnico e a paixão pela fotografia. Juntamos a estes dois ingredientes o nosso fascínio por locais abandonados e ficamos com um excelente motivo para combinarmos algumas saídas entre amigos.

Feliz ou infelizmente, este é um tema que tem ganho alguma popularidade. Por um lado, agrada-nos que estes locais estejam a ser foco de alguma atenção extra, talvez isso contribua para que outros edifícios não tenham o mesmo fim. Por outro, é com tristeza que constatamos que muitas vezes a curiosidade que move as pessoas tem intenções de carácter ilícito por trás.

O projeto “Os Caça Devolutos” é alimentado por mim e mais três amigos. O nosso objetivo é simples e bem definido: tirar fotografias de edifícios abandonados, sem revelar publicamente a sua localização, sem remexer em nada do que encontrarmos, ao mesmo tempo que partilhamos a história que cada local tem para nos contar.

Antes de cada “aventura” traçamos um plano: decidimos datas, definimos o itinerário e conciliamos disponibilidades. A escolha dos locais pode ter várias fontes: leitores que nos apontam sítios interessantes, artigos de outros fotógrafos ou passeios nos quais acabámos por tropeçar, sem querer, em locais que despertam a nossa curiosidade e que assinalamos para visitas futuras.

Hoje em dia, a tecnologia está em todo o lado e é uma ajuda enorme. Recorremos a aplicações de localização com as quais conseguimos achar mais facilmente determinados lugares. O material é quase sempre o mesmo: câmaras fotográficas, câmaras de vídeo, lentes, tripés, flashes e lanternas.

Ao contrário do que alguns aventureiros sugerem, não achamos que seja seguro fazer visitas a estes locais devolutos sem a companhia de, pelo menos, mais uma pessoa. Ir sem avisar alguém sobre o nosso destino também está fora de questão. É uma questão de segurança que não custa nada cumprir.

Antes de entrar em qualquer edifício, fazemos algum reconhecimento exterior para estudar os melhores acessos e evitar “passos em falso”. Mantemos sempre um perfil discreto para não alarmar os vizinhos, se houver, nem chamar a atenção. Nunca forçamos entradas em nenhuma circunstância, nem partimos vidros para entrar. Verificamos, igualmente, se está desocupado. Adotámos um antigo lema que diz “Não tiramos nada a não ser fotografias, não deixamos nada a não ser pegadas.”.

Quando estamos num edifício devoluto, não andamos necessariamente colados uns aos outros a tirar fotografias. Dispersamos um bocado mas sem nos perdermos de vista. Pessoalmente, quando estou a fotografar, tento captar elementos que contem um pouco da história do edifício. Tento dar aos leitores da nossa página uma perspetiva diferente, com base em pormenores que os ajudem a alimentar a imaginação em relação ao que ali se vivia e quem por lá passou.

Gosto dos contrastes de luz que tanto servem para criar ambiente como para mais tarde produzir fotos em HDR. No entanto, o mais comum é encontrarmos lugares com pouca luz, pelo que o tripé e um disparador são indispensáveis para as longas exposições.

As lentes grande angulares ajudam imenso no enquadramento, só assim é possível captar toda uma sala fantástica e, por isso, uso uma 10-18mm que me permite apanhar mais informação numa só fotografia. Para outros pormenores e outras distâncias costumo levar também uma lente zoom 24-135mm. Quando necessário, uso um flash externo para captar algumas fotografias que precisam de um pouco mais de luz. Uma lanterna ou a luz de um telemóvel ajudam para nos movermos pelas zonas menos iluminadas do edifício.

O trabalho final é feito já em casa, onde se editam as fotos e os vídeos, se trocam impressões e se complementa a história com informação relevante sobre o local visitado. Esta informação tanto pode ser encontrada online, em bibliotecas locais, jornais ou documentos da época ou vir de onde menos se espera, isto é, a partir de comentários deixados pelos próprios leitores no nosso site. A exploração é, por fim, rematada com um bom petisco, claro está!

Algumas das fotografias retiradas do vasto repertório, recolhido ao sabor do tempo..

Para mais informações: http://www.cacadevolutos.pt/


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