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O primeiro casamento: Um convite assustador, mas irrecusável


Tempo de Leitura: 4 minutos

De todas as áreas da fotografia, há umas que me deixam mais à vontade que outras. Como qualquer um, tenho os meus gostos pessoais, e sinto-me pouco à vontade para sair fora da minha área de conforto. Foi assustador ter recebido este convite, mas que sei que é uma oportunidade que não posso perder…

A fotografia de casamento sempre incitou em mim um “não sei quê” de curiosidade. É brutal podermos fazer parte dos momentos mais especiais de um casal, mas é igualmente assustador! E se eu falho? E se alguma coisa corre mal com o equipamento? Nos casamentos não há repetição nem os noivos estão o dia todo ao meu dispor… O momento passou, “temos pena“! Se falhar a fotografia da colocação das alianças, a sessão estará para sempre incompleta.

O Desafio

Estou habituado à fotografia de espetáculo e a fotografar crianças. Contudo, há um tempo atrás aceitei um desafio de fotografar um batizado. Sou pouco convencional na forma como fotografo. Pesquisei e percebi os momentos mais especiais da cerimónia, mas como tudo é novo, estou certo que alguma coisa poderia ter ficado melhor!

O meu primeiro batizado

 

O cliente é familiar e daí a razão de não ter conseguido negar o trabalho. Isso, e o facto de perceber que poderia ter a oportunidade de abordar outro mercado que não apenas aquele no qual me movimento. Entre insistências e “nãos”, quase fui forçado a aceitar. (Felizmente correu muito bem. Ou isso, ou foram exageradamente simpáticos comigo).

O mesmo se passou com este casamento…

A pessoa é conhecida, mas não familiar. Habituada a ver-me fotografar as festas da escola dos meus filhos decidiu que eu seria a pessoa indicada para registar o matrimónio, não obstante das evidentes diferenças entre os eventos. Contudo, esta é uma área que mesmo tendo ficado agradado com o convite, obriguei-me a ser sincero com os noivos.

Propus inclusivamente que pudesse ser um segundo fotógrafo, levando-os a escolher outro profissional, mas também aqui foram intransigentes. Dizem que gostam do meu estilo e que têm plena confiança no meu trabalho.

A discussão foi longa, não tendo conseguido demove-los da ideia. O que vale é que ainda falta quase um ano…

O Orçamento

Pela inexperiência, mas pela necessidade de conseguir entrar no mercado, calculei um valor por baixo. Não posso cobrar o mesmo que os outros que já cá andam há uns anos, mas vai-me sair do corpo. Trabalhar de borla é impensável, a menos que queiras oferecer a sessão enquanto prenda de casamento (uma vez que também constamos na lista de convidados).

O valor foi fixado e imediatamente aceite sem qualquer hesitação. Mas então como farei eu para descalçar esta bota?

 Os Preparativos

É assustadora a forma como temos de planear tudo com antecedência. Temos de ponderar o equipamento que temos disponível e, quem sabe, pedir emprestado ou até mesmo alugar.

Depois temos de estudar muito… Não é preciso enfiar a cara nos livros… Estudamos fotógrafos e fotografias que nos agradem e com as quais nos identifiquemos. Temos de perceber que todas as igrejas são diferentes, as quintas têm caraterísticas únicas e que tudo o que conseguirmos assimilar servirá apenas e só como uma referência.

Mas o mal do “académico” é sempre o mesmo… Sabemos como se faz, mas não sabemos fazer!

Investimento obrigatório

Não é preciso comprar material. Não é preciso tirar um curso de fotografia de casamento. Não é preciso nada de especial, na realidade. Apenas investir um pouco mais do teu tempo e disponibilidade.

Felizmente tenho amigos… amigos não, AMIGOS. Mesmo não fazendo parte do núcleo duro das saídas do fim de semana, sei que me podem (e querem) ajudar. Assim sendo, já contactei alguns que me propuseram ser segundo fotógrafo… Acompanhá-los no terreno. Não estão a contar com o meu trabalho para nada, antes querem que eu perceba os movimentos e as melhores alturas para fotografar.

Há questões que são únicas. Se és melhor que eles, não é o facto de não te ajudarem que te vai impedir de lhes “roubar” clientes. Por outro lado, jamais serás igual. Todos somos diferentes, todos olhamos a fotografia de modo diferente. Ninguém quer tomar o lugar de ninguém… Dá para todos!

Rodeia-te daqueles que te querem ajudar

 

Não deve ser tão assustador saber que estás a fotografar um casamento, embora tenhas a consciência tranquila que se o teu trabalho não agradar, o teu nome não fica manchado. Por outro lado, se ele for de qualidade, apenas o fotógrafo principal te poderá dar valor. Ainda assim parece-me ser a forma mais barata de “comprar” conhecimento.

O Próximo passo

Nada está certo a não ser que vou fotografar um casamento. Isso já é suficientemente assustador para que me deixe relaxado. Tenho de continuar, tenho de aprender o mais que posso.

Considerando a área de residência dos noivos, a igreja e o local onde se vai realizar o copo de água, tenho de procurar locais para fotografar. Não precisam de ser bonitos, precisam de proporcionar o ambiente que idealizo.

A seguir, pego na minha mulher, uma amiga ou até mesmo na minha filha e vou experimentar. Umas poses, uns spots e avalio o resultado. A inexperiência leva a que tenha de aprender com os erros e esses não podem acontecer o dia do casamento.

 

A saga está longe de ter chegado ao fim. Há um longo caminho a percorrer e esse tem de ser medido de forma calculista. Só depois de me encontrar é que combino reuniões com os noivos. Há muita coisa para acertar… Até lá, mãos à obra!

 

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