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Não te aches bom fotógrafo, podes ser … péssimo!


Tempo de Leitura: 3 minutos

Ser bom fotógrafo é o objetivo. Estar na boca dos clientes e ser constantemente solicitado para novos trabalhos é muito bom. Contudo, temos de conhecer o nosso verdadeiro valor. Fazendo analogia à teoria de Dunning-Kruger, os maus fotógrafos são os que se julgam melhores.

O efeito Dunning-Kruger é o fenómeno pelo qual indivíduos que possuem pouco conhecimento sobre um assunto acreditam saber mais que outros mais bem preparados (fonte: Wikipédia). Neste ponto é indiferente o grau de veracidade do artigo completo, basta saber o principal… Há uma grande diferença em dizer que sou um bom fotógrafo e realmente sê-lo.

Este efeito leva-nos a querermos valorizar-nos de modo a cair no exagero. Os riscos são elevados e o resultado tende a ser catastrófico. A evolução é natural e deve ser  encarada com cuidado. Termos uma fotografia editada numa publicação de renome, uma referência num site com reputação ou até mesmo aparecer na TV, numa entrevista por causa de uma exposição fotográfica… Nada disto significa que és realmente tão bom como pareces.

Devemos ter autoestima e trabalhá-la. Devemos prosseguir com o nosso sonho e desenvolver todos os esforços para vingar na profissão. Contudo, há que saber a nossa verdadeira qualidade. Não quero desiludir-vos, antes pelo contrário. Só tendo plena consciência do ponto em que realmente nos encontramos, é que conseguimos desenvolver um plano lógico e eficaz de evolução.

Os seguintes pontos ajudar-vos-ão a avaliar a vossa posição no “mercado do conhecimento”.

Sentir-se confortável

Este é o maior erro que podemos cometer. É muito bom estarmos confiantes das nossas capacidades e perceber que o trabalho para o qual fomos contratados é de fácil execução. Ainda assim, poderão acontecer uma série de situações que nos coloquem numa posição menos favorável. Se o trabalho é realmente fácil face às vossas capacidades, desafiem-se; nunca se sintam confortáveis. O medo de errar leva-nos à evolução. Quando sentirem que fazem tudo com uma perna às costas, está na hora de dar um passo em frente.

O passado fica lá atrás

Reviver o passado é bom, mas viver do passado é terrível. O que lá vai, lá vai! O facto de terem tido uma altura da vossa carreira em que estiveram no auge, não significa que se vão manter nesse patamar para sempre. Tudo evoluir e as tendências fotográficas podem afastar-se do vosso estilo.

Não quero parecer crítico, até porque não é de música que estamos a falar, mas costumo dizer que os UHF vivem à sombra do tema “Cavalos de Corrida“. Foi um grande tema, mas é mesmo isso, … foi! E agora? Convosco será igual. Não adormeçam à sombra da bananeira e avancem. Procurem novos desafios. Evoluam!

Sejam criticados

Neste ponto há dois tipos de críticas que devemos considerar: as críticas construtivas e as destrutivas. As últimas devem ser ignoradas e postas completamente de parte. Quanto às primeiras, ouçam-nas! Percebam a veracidade da sua existência e a forma como elas servirão para corrigir possíveis erros em trabalhos futuros.

No caso de não terem críticas (o que, sinceramente, acho difícil), procurem-nas. Falem com fotógrafos conhecidos do público e vossos conhecidos. Alguém com quem se identifiquem; peçam-lhes a opinião sincera e profissional.

Estudem, aprendam

Ninguém nasce ensinado, mas também ninguém sabe tudo. Há sempre qualquer coisas para aprender. Novas técnicas, novos equipamentos, novas visões. Quando perderem a vontade de aprender, perdem a vontade de fotografar. Passarão a ser meros executantes e a arte deixa de vos apaixonar.

Se gostam de desporto e se sentem confortáveis, aprendam moda. Aprendam retrato, … sei lá, aprendam!

Detestem o vosso trabalho anterior

Se o que em tempos era uma grande fotografia agora é uma imagem banal, então estão no bom caminho. O processo é evolutivo, logo tendemos a melhorar. Se continuamos agarrados ao passado e não vemos críticas nos nossos trabalhos anteriores, então não evoluímos.

 

Não deixem de consultar os artigos anteriores onde falamos das formas e técnicas para vingarmos no mundo da fotografia. O que aqui é dito, em nada interfere com a veracidade do que foi escrito lá atrás. Contudo, é preciso complementar a informação.

 


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1 Comentário

  • Reply
    Miguel
    12 Abril, 2018 at 14:55

    Por acaso ontem vi um artigo na FStoppers sobre este assunto, gostei deste resumo 🙂

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