OPINIÃO

Não foram convidados para estragar; CARAMBA!


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A febre da fotografia está massificada e com o desenvolvimento dos smartphones e das suas capacidades, todos temos uma máquina fotográfica no bolso. Não fomos instruídos para tirar fotografias, não fomos orientados para passar a nossa vida de smartphone (ou de máquina fotográfica) em punho, mas todos nós tivemos educação onde nos ensinaram a viver em sociedade. Obviamente que as educações são diferentes de lar para lar e de país para país, mas isso não significa que possamos comportar-nos de forma a incomodar os outros. A máxima “a minha liberdade termina onde começa a tua” parece-me uma verdade universal, aplicada em qualquer um dos quatro cantos do mundo. Ainda assim, durante cerimónias importantes como um casamento (por exemplo), os convidados teimam em ser … o pior da festa!

No seguimento do artigo de ontem onde falava das piores práticas fotográficas no fosso, durante um concerto ou um espetáculo musical, lembrei-me de uma notícia que havia lido acerca do comportamento dos convidados durante uma cerimónia de casamento.

Ao que parece, o “pessoal” anda tão obcecado com a Fotografia que se esquece da principal razão que os levou a tal evento. A celebração do matrimónio e da comunhão de duas pessoas que fazem questão de te ter como testemunha, rapidamente se tornou num evento social onde reina a comida, bebida e se desfila numa “passerelle” de novas indumentárias.

Fotografia da praxe. Os noivos com os convidados.

Fotografia da praxe. Os noivos com os convidados.

Os noivos querem, por norma, ter o registo do evento, da cerimónia. O facto de contratarem um fotógrafo (mais caro ou menos caro, pouco importa para o caso) está diretamente relacionado com o montante disponível para investir e, logo de seguida, a qualidade esperada como produto final.

Há vários momentos de elevada importância – e quem faz fotografia de casamento sabe bem quais são – para um fotógrafo. A noiva a entrar na igreja é provavelmente o momento mais aguardado pelo noivo que a verá (vestida de noiva, desculpem-me o pleonasmo), pelos convidados e obviamente pelo fotógrafo que está obrigado a registar o momento.

Hoje, o que acontece, é que em cada casamento há mais fotógrafos que convidados. Pensem bem; toda a gente tem um smartphone (excluindo algumas crianças e alguns idosos) que usa para tirar fotografias. Toda a gente quer ter a melhor fotografia, competindo entre si – mesmo sem se darem conta disso – e competindo com o próprio fotógrafo. A imagem que se segue foi publicada por um fotógrafo de casamentos que, como bom profissional que é, captou o melhor momento, contando uma história com uma simples imagem.

O novie escondido. Foto por Thomas Stewart (http://www.thomasstewart.com.au/)

O noivo escondido. Foto por Thomas Stewart (http://www.thomasstewart.com.au/)

O ridículo aconteceu durante um casamento, na altura em que a noiva entra na igreja (ou no local onde se vai realizar a cerimónia, uma vez que não me parece que seja uma igreja…). O facto do noivo ter de se desviar dos convidados para conseguir ver a sua cara metade revoltou Thomas Stewart. A partir deste dia, tudo o que gira em torno de uma cerimónia de casamento mudou para sempre, havendo agora, inclusivé, quem inclua referência à não utilização de smartphones durante a cerimónia.

O respeito pelos noivos é o mínimo que se pede nestas alturas. Para já, e para quem tem “dois dedos de testa”, é fácil perceber que a utilização de telemóveis dentro de uma igreja é algo que nem sequer deve ser considerado. Depois, mesmo que não se lembrem destas questões religiosas, o facto de ser uma cerimónia deveria ser o suficiente para que tal nunca acontecesse.

O facto de se ter pago a um profissional para fazer o registo fotográfico da cerimónia deveria querer dizer alguma coisa. Algum dia os convidados conseguem sobrepor-se ao fotógrafo? É o posicionamento fora do esperado que altera todo o enquadramento da fotografia; é a interrupção dos “corredores” que seriam usados pelo fotógrafo, obrigando-o a contornar obstáculos que muitas vezes acabam por derrubá-lo ao chão; é a quantidade de smartphones que, durante a cerimónia estão levantados quais painéis publicitários…

E se a certa altura o noivo (ou a noiva) resolve olhar para os convidados no sentido de partilhar um olhar, uma mensagem? Da sua posição de destaque na igreja, vira-se para trás e vê… corpos humanos com cabeças retangulares!!! As cabeças dos convidados facilmente são substituídas pelos smartphones (quando não são tablets, que é pior ainda) que estão em modo de disparo. Será esta, a par da prenda de casamento, a lembrança que que querem que os noivos retenham do momento mais especial das suas vidas?

Começam já a ser redigidos contratos de prestação de serviços fotográficos livrando o profissional do ónus em caso de um resultado mesmo positivo. Sempre que se verifique que foi por culpa dos noivos, ou até mesmo por culpa dos convidados, que o resultado fica aquém do desejado, o fotógrafo poderá ficar ilibado de responsabilidades (tendo, na mesma, o direito ao recebimento do valor acordado). A categoria e o portefólio, esses, serão manchados por culpa de terceiros, podendo colocar em causa (indevidamente) a qualidade do serviço.

Reflitam! Muitos de vós são fotógrafos ou, pelo menos, curiosos pela fotografia. Este artigo não é propriamente para vocês, mas para todos quantos têm este comportamento. Seja através desta leitura ou através da mensagem passada por quem a leu, façamos um pouco de Serviço Público e permitamos que, daqui para diante, os casamentos sejam mais para os noivos e menos para os convidados!

 

 


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