OPINIÃO

Morreu … e foi a fotografia que a matou!


Tempo de Leitura: 3 minutos

Tinha 25 anos e uma carreira promissora pela frente. Tudo indicava que seria mais uma sessão fotográfica, não muito diferente de outras passadas. Até aqui, a normalidade e a tranquilidade do cenário absorviam todas as atenções na tentativa de tirar o melhor proveito daquele que, para mim, é um dos melhores lugares do mundo – o fundo do mar. De um momento para o outro, Olivia Ku … morreu!

Olivia Ku tinha (como disse) 25 anos e era mergulhadora – se bem que amadora – há 3 anos. Foi durante o mesmo período que aliou as suas duas grandes paixões: a fotografia e o mergulho.

É comum desenvolverem-se trabalhos diferentes, de modo a podermos rapidamente ser catapultados para as luzes da ribalta. As fotografias, com modelos, subaquáticas já começam a ser uma prática comum no meio de alguns entusiastas da modalidade. Porém, esta é uma tarefa que, para além de não ser fácil, é arriscada. Mesmo em circunstâncias normais, não é esteticamente viável tirar fotografias (por exemplo) a uma noiva envergando escafandro e colete, bem como todo o restante equipamento normal para a prática do mergulho.

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Sessão fotográfica subaquática

Esta fotografia faz parte de uma sessão de trash the dress feita aos noivos Phoebe e Jonathan pela Del Sol. Esta, como outras do género, mesmo que realizadas em condições controladas e com baixa profundidade encaram um elevado risco; nunca se sabe o que poderá acontecer…!

As equipas que se constituem para uma sessão fotográfica subaquática envolvem, para além de todos os elementos normalmente existentes numa sessão “normal”, um conjunto de outros mergulhadores sempre prontos a prestar o auxílio e a facilitar uma fonte de oxigénio à/ao modelo.

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Equipa para sessão fotográfica subaquática. Foto de VonWong (www.vonwong.com)

No caso de Olivia Ku, nada havia que indicasse o desfecho trágico, mas a 6 metros de profundidade a modelo teve (ao que tudo indica) um ataque de asma. Sabemos nós (eu pelo menos sei, pelas experiências vividas na primeira pessoa) que nada pior existe para um ataque de asma do que a perda de controlo da respiração. Provavelmente sem se ter apercebido, o fotógrafo terá pedido à modelo que controlasse a respiração durante um pouco mais de tempo. … e foi o que aconteceu! Olivia Ku aguentou “um bocadinho mais” até que … foi tarde! Por incrível que pareça Olivia Ku não morreu debaixo de água, mas ainda assim considera-se que morreu afogada… Foi levada para o hospital onde não resistiu aos inúmeros danos internos provocados pelo conjuntos de situações adversas.

Ainda que amadora, Olivia Ku tinha o primeiro grau de mergulhadora (OWD – Open Water Diver) o que lhe dá liberdade para mergulhar até uma profundidade máxima de 18 metros. Obviamente que numa situação normal, a presença do equipamento de respiração artificial e o colete insuflável poderiam ajudar a minimizar danos, mas por outro lado nada garante que este acidente não pudesse acontecer durante um mergulho normal.

Nem só de sucessos é feita a carreira de um fotógrafo, nem tão pouco a de um(a) modelo. Acredito que este profissional, do qual não é revelado o nome, terá a sua consciência assolada para sempre, podendo apenas ser confortado pelo marido e pela filha de 4 anos que Olivia Ku deixou.

Olivia Ku. Foto: Google

Olivia Ku. Foto: Google

Devemos pensar um pouco não só no que fazemos para nos valorizarmos, mas nos perigos que corremos enquanto executantes e profissionais. Será que o preço que se paga pelo sucesso justifica qualquer coisa? (Ler artigo “Quanto vale uma (a tua) vida“)

 

Imagem de destaque do artigo: VonWong


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