OPINIÃO

Meio-Fotógrafo? Eles inventam cada uma…!!


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Como devem calcular, a fotografia é uma área que exige muito estudo e muita consulta… Uns estudam as áreas mais técnicas e as novas tendências do mercado; normalmente guiam-se pelo que vem nas revistas e que nos querem “impingir”. Novos modelos de lentes, novos corpos com mais uma ou outra “mariquice”, o certo é que somos induzidos a pensar que temos de faturar para comprar o último grito da tecnologia. Acontece que há conceitos e temáticas, muito fora das áreas técnicas e práticas, que nos deveriam obrigar a pensar um pouco sobre a nossa postura perante a fotografia. Li, a certa altura, (desculpem-me, mas não me recordo onde foi) que grande parte do “fotógrafo digital” deveria considerar-se (apenas) meio-fotógrafo!

O termo pareceu-me estúpido e mais uma moda como a das “selfie”. Esta é praticada há largas dezenas de anos, embora nunca tivesse sido batizada e, desde que o foi tornou-se uma “febre”! Quanto ao meio-fotógrafo não sei se me coloque contra ou a favor do termo.

Em boa verdade, os nossos pais, avós, tios e até os nossos amigos mais “vividos” conhecem um mundo da fotografia um pouco diferente do nosso. O panorama mantém-se apenas em situações mais tradicionais, onde as modas demoram mais tempo a pegar. Talvez pela rigidez das celebrações, os casamentos, batizados, comunhões e outros eventos onde se torna particamente imperativa a contratação de profissionais da fotografia mantém as velhas práticas.

O artigo falava em serviços incompletos tais como entregar o serviço em suporte digital, terminando com a seleção e pós-produção das imagens. O que é feito dos serviços acessórios? O que é feito dos álbuns fotográficos, as lembranças fotográficas e a venda de fotografias em papel? Curiosamente hoje tive de imprimir uma fotografia que tirei com o telemóvel e que se apresentava com uma qualidade superior ao normal. A foto estava fantástica e não houve quem contradissesse. Uma vez impressa, …. que grande desilusão. Certo é que, para quem nada ou pouco percebe de fotografia, aquela imagem estava muito boa, mas para mim que olho para a fotografia sempre com o intuito da qualidade, … Enfim! Ofereci pelo significado porque senão…

Álbum fotográfico de casamento

Álbum fotográfico de casamento

As fotografias em ecrã (telemóvel, tablet, computador ou televisão) revelam uma qualidade que raramente corresponde à verdadeira realidade. Cores descalibradas, aberração cromática, falta de foco, etc. podem facilmente passar despercebidas, mas em papel tudo é diferente. Por outro lado, há uma série de empresas que imprimem fotografias com qualidade de laboratório, algumas trabalham apenas com profissionais. Os preços são variáveis, mas mais baixos à medida que nos vamos tornando clientes (mais) assíduos.

O meio-fotógrafo é o que se esquece deste mercado acessório e se limita a fotografar. O meio-fotógrafo não imprime; o meio-fotógrafo não faz álbuns fotográficos; o meio-fotógrafo não vende a fotografia em papel; o meio-fotógrafo não faz posters. O meio-fotógrafo não mima o cliente e não lhe mostra o resultado realmente final. Quase como que por desculpa, a impressão valoriza sempre o trabalho e a qualidade do laboratório, deixando o trabalho do fotógrafo (executante) para segundo plano.

Único suporte que o meio-fotógrafo usa

Único suporte que o meio-fotógrafo usa

É certo que vivemos numa era digital; os suportes são importantes, mas como um backup e um registo mais pequeno e cómodo para emergências. Na minha opinião, os CDs e os DVDs nem devem ser considerados como alínea do orçamento, tão baratos que são.

O meu conselho, no seguimento do que li, é para que contemplem estes serviços adicionais. Pensem que vos vão sobrecarregar com mais trabalho, mas também serão responsáveis por uma fatia considerável de lucro. Não os coloquem como opção, mas como parte integrante e assumida de uma sessão fotográfica (desde que acham que faz sentido, obviamente). Um jantar comemorativo, uma sessão fotográfica de estúdio, uma pet session, uma sessão de maternidade, de gravidez! O pessoal paga por esses luxos e por esses mimos. Não descurem o vosso lucro e ajudem a que a indústria da fotografia não se torne 100% digital.

O que acontecerá quando não houver luz? Pelo menos podemos entreter-nos a ver os álbuns fotográficos que temos como recordação.

 

 


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