OPINIÃO

Marketing digital para fotógrafos: 5 dicas importantes


Tempo de Leitura: 7 minutos

O mundo vive de modas e as modas são cíclicas. Há modas relacionadas com o vestuário, penteados, música, comida, locais de férias e áreas de trabalho. Na década de 90, quando eu era estudante universitário, havia uma área de competências que parecia ser a responsável pelos “profissional do futuro”: O Marketing.

O marketing, desde que encarado como uma ferramenta válida de apoio à gestão e as vendas, não mais foi delegada para segundos planos de importância no seio empresarial. O marketing fala com os quadros superiores; o marketing fala com as vendas. O marketing faz acontecer! Percebe o mercado e as exigências dos (potenciais) clientes e cria sinergias internas capazes de dar resposta a essas necessidade. … e quando a necessidade não existe, então o marketing cria-a! É tudo malta porreira!!

Como tudo, o marketing evoluiu. Evoluiu porque se começaram a estudar novas técnicas e tendências, porque o mercado muda e com ele mudam as exigências dos clientes, e porque a concorrência se torna mais agressiva e temos de contornar a agressividade e pô-la do nosso lado. Depois há a internet… que veio destabilizar o que estava a correr bem! A internet cria repositórios fabulosos e infindáveis de informação, multiplica-se a uma velocidade incontrolável e obriga a que tudo o resto acompanhe o seu ritmo. Percebeu-se então que esta nova ferramenta se poderia tornar um forte aliado das vendas e, por conseguinte, o sucesso do negócio. O marketing gera um filho ao qual lhe chama marketing digital!

Este filho é o sobredotado que vem revolucionar a família… É o responsável por novos estudos e padrões que são utilizados em larga escala por todos quantos fazem parte do mercado de trabalho (freelancers, profissionais liberais e empregadores, obviamente). Mas enquanto o marketing e o marketing digital se impunham no mercado (em alturas diferentes), foram criando defesas que lhes permitiu não só derrotar os incrédulos como desdobrar-se a moldar-se a qualquer negócio. Faz sentido falar em marketing numa agência de viagens, numa empresa de transporte de mercadorias, num concessionário automóvel, … até numa funerária! E se qualquer um destes clientes estiver a trabalhar o mercado online (obrigatório no Século XXI) o marketing digital é-lhes vendido “de borla”!

Ser fotógrafo é ser um profissional como qualquer outro! Um músico ou um escultor não terão uma regularidade tão grande de trabalho como um fotógrafo, e ainda assim se diz que os fotógrafos não têm trabalho para todos os dias – MENTIRA! O fotógrafo não passa o dia a fotografar. O fotógrafo tem de fazer um pouco de comercial, de gestor, de designer, de “moço de recados” e até mesmo de secretário de direção. É preciso trabalhar a divulgação do nome e da qualidade do serviço. Para isso, nada melhor e mais rápido do que as Redes Sociais.

 

A escolha das melhores redes (sociais)

Nada do que aqui vou dizer é novidade. Quando começamos um negócio, seja com objetivos financeiros ou não, o céu é o limite! Queremos estar em todo o lado, de forma massiva e com uma comunicação assertiva. Acontece que existem diversas plataformas sociais que funcionam de forma distinta, além de terem objetivos distintos. De todas, o Facebook, o Pinterest e o Instagram são as que estão mais vocacionadas para área da fotografia. Há quem considere ainda o Google+ e o Flickr, … hummm…. A este último nem lhe chamaria Rede Social e quanto ao anterior, tirando a vantagem de estar presente por uma questão de SEO (outras “guerras” relacionadas com a comunicação de – e em – websites) dizem que está em declínio.

Todos os negócios têm um site e a possibilidade de exibir os logotipos de todas as Redes Sociais trabalhadas dá a sensação de glória, como quem exibe a sua coleção de troféus! Tudo é bonito no início, mas rapidamente nos começamos a aperceber quais são as que nos trazem maior retorno (quer em termos de lucro, quer em visibilidade). É neste ponto que, sem piedade, devemos canalizar o nosso esforço no desenvolvimento das plataformas mais proveitosas em detrimento das que menos rentabilidade dão face ao trabalho dispensado.

 

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Representação das Redes Sociais mais utilizadas

 

As imagens

As imagens, para um fotógrafo, é o elemento mais básico de trabalho. Nada se aproxima ao nível de importância e exigência de uma imagem. As imagens são o nosso trabalho e, como tal, devem ser alvo de um cuidado redobrado. Já não refiro no cuidado necessário quando estamos a fotografar, mas no cuidado exigido na escolha das melhores fotografias, dos melhores momentos e dos que melhor definem o nosso trabalho. Se uma fotografia conta uma história, em termos de divulgação do trabalho, uma fotografia deve contar a história do nosso sucesso.

Nada pode ser deixado ao acaso e se “uma imagem vale mais do que 1000 palavras” o grau de exigência feito a um fotógrafo não deixa qualquer margem para erros ou até mesmo descuidos! É importante delinear o nosso trabalho não apenas numa perspetiva de resultado final, mas também tendo em conta a plataforma onde vamos aplicar cada fotografia. Se há fotografias tiradas para serem impressas, dessas há as que servem o propósito da impressão em grandes formatos e as que simplesmente enaltecem um momento e o tornam inesquecível (permanecendo guardadas num álbum fotográfico).  Note-se que não estamos a falar de graus de importância ou preferência, mas em utilidade…

fazendo uma analogia simples, eu tiro um número infinito de fotografias aos meus filhos. Numa situação normal, nunca procuraria esconder as suas caras, principalmente porque é nos olhos que está a essência do ser humano. Contudo, e porque me recuso a divulgar as suas caras (por uma questão de privacidade) tento encontrar ângulos e posições que não servem para imprimir e colocar num álbum fotográfico. Ao contrário do que seria expectável, algumas das fotografias que tiro em cada sessão, são já pensadas para as Redes Sociais. É disto que se fala aqui neste ponto…

Pensem agora no Facebook (imagem de perfil) ou no Instagram. As imagens são quadradas, formato 1×1. Pronto, eu sei… O Instagram já permite fotografias em formato “normal”, mas é de sua identidade – e eu mantenho-a – as fotografias quadradas. É preciso pensar numa composição que se adeque, nem que para isso seja necessário quebras com regras como a Regra dos Terços.

 

Conteúdo

Já ninguém trabalha apenas para um simples  objetivo. O Cristiano Ronaldo treina horas a fio para se tornar no melhor jogador do mundo. Ainda assim precisa de se rodear de realidade diferentes e acessórias, que ajudem a comunicar o nome “Cristiano Ronaldo”, quem ele é, a sua personalidade e o valor do seu sucesso. Histórias! Todos gostamos de histórias…

A idade dos porquês é uma fase muito chata, e ao mesmo tempo divertida, que todas as crianças passam. Existe a necessidade de perceber tudo! Aceitam que algo é “assim”, mas querem sempre saber porquê, como foi feito, porque é que é feito desta forma e não daquela… Na fotografia é igual. És bom, tiras fotografias dignas de primeiros prémios de fotografia, mas se não comunicas o teu trabalho, se não o explicas e te aproximas do teu público criando um relacionamento de afinidade, estás condenado…

Ser fotógrafo é saber explorar elementos básicos de luz e exposição e enquadramento. Se queremos alargar o nosso público de potenciais clientes temos de nos fazer notar. Mostrar o nosso portefólio não chega e é preciso cativar. A ferramenta mais completa e eficaz para estas situações é a criação de um Blog. Somos fotógrafos? Criemos um blog sobre fotografia. Porque não explicar como determinada fotografia foi feita? Não pelo facto de expormos o nosso conhecimento que alguém vai, de imediato, tornar-se melhor do que nós! Por outro lado, a simpatia com que o público recebe informação valiosa de forma gratuita é um ponto que passamos a ter em nossa defesa.

Ainda assim o conteúdo corre o risco de passar de interessante a monótono de uma forma incontrolável. Passa a ser necessário um estudo prévio dos temas mais interessantes e falar sobre eles, sempre com o intuito de trazer a nós o foco. Criem-se passatempos, concursos, sessões gratuitas, … não sei; o que sei é que o que temos para dar aos nossos clientes é (ou deve ser) muito mais do que simples (embora preciosas) fotografias.

 

Consistência

Esta dica, tal como a próxima, estão direitamente relacionadas com a anterior. A comunicação é fundamental e passa além das simples imagens. Já foi dito que são importantes, mas que não devem ser tudo. A consistência vem reforçar a nossa presença nas redes sociais; vem relembrar a nossa existência, e até mesmo criar a necessidade de consultar o que temos para dizer. Por norma deve utilizar-se uma regularidade constante nas publicações. Em blog e/ou nas redes sociais, a existência de 2 ou 3 intervenções semanais é o suficiente para mantermos o site ativo, com visitantes, e para demonstrarmos o que temos andado a fazer. Mais do que apresentar e mostrar o nosso trabalho, é importante que seja apresentada a nossa evolução, quer no sentido profissional propriamente dito, mas na escolha de novos desafios. Ao perceberem que nos mantemos ativos no mercado conforta a possibilidade de escolha e contratação em oportunidades futuras.

 

Relação de Compromisso

O namoro entre duas pessoas fortalece o relacionamento entre elas. As relações são construídas numa base de confiança e respeito mútuo, de moda a que sejam vividas por ambas as partes. No nosso caso concreto é importante criar e manter este “namoro” com o nosso público. São eles que nos reconhecem o trabalho e o divulgam aos amigos e conhecidos. Mesmo através das redes sociais, é importante puxar para a interação entre as partes. Através de questionários, pedidos de opinião, apresentação de soluções a dúvidas e problemas colocados, disponibilização para resolver o que outros não conseguiram, etc. Todas estas ações, conjuntamente com a divulgação de conteúdos, faz com que o nosso nome “salte” à ideia, logo na primeira oportunidade.

As pessoas estão cada vez mais separadas fisicamente, embora com necessidades vincadas em se sentirem próximas e chegadas (portanto física e emocionalmente), eliminando a contratação de um profissional em detrimento da contratação de um conhecido. Ninguém esconde que o objetivo é o lucro e a ascenção ao topo através de um percurso gradual, pautado de sucesso. Mas para quê percorrer um caminho irregular e penoso quando podemos ter ao nosso lado os causadores da nossa expansão? Tratem bem os vossos clientes e verão com que facilidade serão sugeridos para futuros trabalhos (deles ou de amigos/conhecidos)

 

Comecei por referir que nada do que aqui fosse dito iria ser novidade. Ainda assim, e por muito senso comum possa parecer, é óbvio que existe um grande número de interessados que iria percorrer todo um caminho diferente. Esta não é a receita para o sucesso, mas é sem dúvida uma lista de compras com alguns (apenas alguns) dos ingredientes fundamentais para o prato principal que é a projeção e o reconhecimento profissional.


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