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Marca de Água: “Marcar ou não marcar, eis a questão”!

Todo artista gosta de ver o seu trabalho devidamente identificado. Por isso, coloca-lhe uma Marca de Água… Há quem o faça cuidadosamente, há quem a utilize sem qualquer pudor.

Livre de qualquer orientação que não o sentido estético, a Marca de Água é usada de um modo totalmente … abandalhado! Nã há forma nem local definidos para a inclusão de um elemento estranho numa fotografia. Uns põem-na sempre no mesmo sítio. Outros procuram locais menos agressivos esteticamente. Uns querem que sobressaia, outros procuram até, de certa forma, escondê-la.

Mas quais serão as principais razões que nos levam a usar uma Marca de Água numa fotografia? Essencialmente temos 2 razões: a publicidade e a propriedade. A primeira permite ao “consumidor” identificar rapidamente o nome do autor. Já a segunda previne a má utilização ou, se preferirem, a utilização não autorizada da imagem. Mas será mesmo preciso tudo isto? Vejamos…

Publicidade

A marcação das fotografias por uma questão de publicidade é algo que nos deverá ser vantajoso. Todas as marcas usam publicidade para se dar a mostrar ao mundo e fazer lembrar da sua existência. Como tal, há um investimento que é canalizado para o efeito. Este valor deve ser ponderado e faz parte do orçamento anual da empresa. Contrariamente a esta prática empresarial, os fotógrafos teimam em se publicitar da forma mais simples, mas nem sempre mais eficaz. Senão reparem… Quantos de vós já não viram “a assinatura mais feia” numa fotografia? Quantos de voz não recorreu já à impressão do nome por cima da fotografia? E quem nunca usou a Marca de Água sempre no mesmo local (canto inferior direito, por exemplo) independentemente do que está fotografado?

Será que a aplicação de uma Marca de Água é algo que pode ser descurado? E a influência e o impacto que pode trazer para a mensagem da fotografia?

Mas então, se a usarmos de forma subtil, deixamos de ter a certeza de que o utilizador consegue perceber, identificar e conhecer o verdadeiro autor da obra!  Pois bem, mas também há que perceber que maior parte dos fotógrafos se está a impôr a uma plateia desconhecida. Muitos nem têm trabalhos publicados, são totais “anónimos” que pensam ter qualidade enquanto fotógrafos (não estou a dizer que não a têm, não nos cabe a nós avaliar e opinar sobre o caso). Por outro lado, quem é bom não precisa de publicidade. Fazendo analogia à área da informática, muito se referia (nos anos 80) ao facto da IBM nunca ter gasto dinheiro em publicidade. Diziam eles que “quando o produto é bom, não precisam de se anunciar“… Os clientes passam a palavra e essa sim, é uma boa publicidade.

Direitos de autor

No que respeita aos Direitos de Autor a coisa pia mais fino. É importante marcarmos o nosso trabalho. Qual criança que, quando vai para a escola, escreve o nome na borracha ou no lápis… Mas nesse caso temos que os produtos de todos os alunos são iguais… Não há duas fotografias iguais! Nem que sejam tiradas pelo mesmo fotógrafo… Há uma ponta de vento que faz mexer uma folha, uma variação na claridade, etc.

Ainda assim, valerá a pena garantir que ninguém usará a nossa imagem de forma gratuita e leviana? Já aqui falamos na disponibilização de imagens de forma gratuita, para uso total. Terá a fotografia um valor incalculável que lhe deva ser concedida o todo um sistema mirabulante de proteção? Valerá a pena “destruir” uma imagem só para que todos saibam quem a tirou (mesmo sendo um desconhecido)?

Há aspetos legais que nos protegem. Cabe-nos a nós procurarmos a leviandade e a utilização não autorizada do nosso trabalho. Mas afinal estamos aqui para fotografar ou para ser mais um polícia da fotografia? É óbvio de devemos defender o nosso trabalho, mas ninguém vai ficar satisfeito com apenas uma fotografia. Será que esta não poderá trazer mais um ou outro cliente para um serviço pago? Mas então devemos permitir que o nosso nome, a nossa Marca de Água esteja bem visível… de outra forma como sabem eles quem foi o autor? Quem, e como, vão contactar?

 

Este tema da Marca de Água é bastante delicado. Ninguém tem a resposta ou a capacidade de se assumir como um conhecedor absoluto. Conheço muito bom fotógrafo que é contra as Marcas de Água (e não as usa), como também conheço quem tenha ganho dinheiro pelo facto de ter sido facilmente identificado. Cabe a cada um de nós decidir o que, e como, utilizar.

 

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