GUIAS RÁPIDOS

Fotografia Social


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A fotografia abre portas a novas oportunidades e a áreas de atuação que, em tempos, não eram consideradas como de importância suficiente para registo futuro. As ações sociais que outrora eram registadas apenas pelos órgão de comunicação social, com gente famosa, rapidamente se tornaram numa ação rotineira com elementos da sociedade com menor visibilidade.

Cada indivíduo cultiva a sua auto-estima e valoriza-se no seu meio e junto dos que o rodeiam. Num círculo mais, ou menos, restrito cada um assume a sua importância fazendo de si e do seu núcleo de amigos a sua própria comunidade. Famosos somos todos, nem que seja só no meio em que estamos inseridos. Ainda assim, porque não havemos de nos valorizar e valorizar os nossos eventos sociais, ainda que a sociedade que nos “rodeia” seja mais pequena. Uma empresa, por exemplo, pode e deve registar as suas ações para divulgar junto dos seus clientes. Desta forma faz de si uma empresa sólida e, ao mesmo tempo, valoriza os seus clientes que gostam de se sentir “mimados”.

Tudo isto para dizer que a fotografia social tem um novo alento. Nós, fotógrafos menos profissionais, podemos aproveitar esta oportunidade para colocar em prática o nosso conhecimento, lucrar com o investimento feito, oferecendo um serviço de qualidade a um preço francamente mais reduzido.

A fotografia social pode enquadrar várias celebrações das quais se destacam casamentos, batizados, aniversários, apresentações e lançamento de produtos, festas de empresas e outras que reunião um conjunto de pessoas em prol de uma celebração não regular. Os casamentos e os batizados per si são um mundo à parte. Talvez pela imponência e pela importância do ato, prefiro considerá-los num artigo à parte, mais rebuscado e detalhado, a ser desenvolvido num futuro próximo, preferencialmente com alguém profissional do meio.

Para o restante existem algumas dicas que devem ser levadas em consideração para um resultado mais profissional. Considerando que pouca programação poderá haver neste tipo de eventos, as dicas são meramente indicativas e generalizadas. Contudo, uma vez seguidas, poderão revelar um resultado profissionalmente satisfatório.

 

1. Incluir profundidade à fotografia, não fotografando ao centro

Considerando que a fotografia não vai ser expontânea, mas programada, os intervenientes tendem a fazer pose. Colocam-se lado a lado, normalmente com ombros encostados, pois na sua maioria os fotógrafos tendem a fotografar de frente, num ângulo morto. Descaindo ligeiramente para um dos lados, descentrando o conteúdo, a fotografia revela-se muito mais interessante, criando também uma certa profundidade à imagem uma vez que um dos lados estará mais próximo da lente do que o outro.

profundidade

 

2. Criar efeitos interessantes com recurso a ângulos alternativos

Uma das máximas da fotografia é a nivelação do espaço. Normalmente, se estamos a fotografar uma paisagem, usamos a linha do horizonte como guia para endireitar o contexto. Contudo, no caso de fotografia social, as regras são para serem quebradas. A utilização de ângulos diferentes, não só em termos de posicionamento, mas de nivelação da imagem, cria um efeito de abrangência maior, abraçando melhor o sujeito, envolvendo-o com o espaço. Rodem ligeiramente a câmara para um dos lados (no sentido dos ponteiros do relógio ou no sentido inverso) e disparem. Não caiam na tentação de exagerar no número de fotografias com esta técnica. O seu encanto está na utilização esporádica.

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3. Recorram a elementos externos

Por vezes a diferença faz-se nos pequenos pormenores. Nas fotografias de casamento tornou-se banal a utilização de uma moldura de quadro como enquadramento. Outros elementos podem, e devem, ser considerados… Um cartão de visita, uma base de copos, uns óculos engraçados, um cachecol ou um casaco que (nãos) se enquadre no outfit criando um aspeto cómico mas, acima de tudo, descontraído.

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4. Mini sessão fotográfica

Os eventos sociais servem para mostrar… e mostrar-se! Escolham todos os elementos que se apresentem como “únicos” e “diferenciadores” por alguma razão. Captem a atenção deles e usem a vossa melhor arma – a câmara fotográfica – para fazer uma mini sessão fotográfica naquele instante. Fotografem, façam-no(a) sentir-se o centro das atenções. Ele(a) libertar-se-á e colaborará convosco querendo dar o seu melhor. Independentemente de optar por uma postura mais cómica ou mais séria, o importante é fazer com que se sinta à vontade em frente à lente.

 

5. Fotografias inesperadas

O efeito surpresa funciona muito bem na fotografia. Salvo raras e honrosas exceções, a maioria das pessoas fica bem apenas quando é apanhada despercebida. Assim, jogar com o fator surpresa é algo que trará um benefício efetivo à fotografia social. Lembre-se que estará a fotografar desconhecidos, onde a cumplicidade entre eles poderá ser elevada. Contudo, a sua relação com eles será (em princípio) nula. Evite que se sintam intimidados e capte os momentos mais naturais possíveis.

22nd Annual Elton John AIDS Foundation Academy Awards Viewing Party - Inside

 

6. Fotografias de “ação”

Por norma os eventos sociais têm um tema. Se for uma festa haverá música; se for a apresentação de um carro haverá um test drive; se for um jogo de computador/consola haverá sempre alguém a jogá-lo. Nesse aspeto, é importante captar as ações de cada um. Registe um indivíduo a tocar Air Guitar, um cliente ao volante do novo modelo do carro “X” ou aquele jovem a jogar a última versão do simulador de voo. Não se cinja apenas às fotografias da praxe. Ilustre o evento com a razão pela qual ele foi criado!

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7. Fotografar em formato RAW

Ainda não abordamos os diferentes formatos de ficheiros, mas é importante reconhecer que existem dois tipos de ficheiros que podemos usar enquanto fotografamos. Ou fotografamos em JPEG ou em RAW. Este último é um tipo de ficheiro mais pesado, mas que agrega mais informação. Esta questão torna-se importante quando falamos da pós-produção. Uma vez que o ambiente é propício a erros de enquadramento e de exposição, o formato RAW permite um maior número de alterações em pós-produção sem perda de informação (leia-se “qualidade”) de imagem. Fotografar, ou não, em formato RAW é, talvez, uma das maiores discussões desde o aparecimento da fotografia digital. Correntes fortíssimas defendem cada lado da barricada. Fica apenas esta informação que pode ser útil.

 

8. (Se tiver coragem) Entregue a câmara a um “estranho”

Considere que outros têm uma aproximação diferente aos participantes da festa. Por outro lado, o facto de não ser o fotógrafo a estar com a câmara na mão, quebra um pouco mais o gelo, fazendo com que todos se desinibam mais, participando melhor nas brincadeiras. O equipamento fotográfico é caro e frágil, mas se se consegui libertar dessa questão provavelmente conseguirá captar fotografias diferentes. Esperemos é que quem andar com a câmara saiba tirar fotografias (mas isso é já outra história!).

 

9. Veja a festa como um todo

Mais do que a celebração de um acontecimento, a fotografia social tende a captar toda a essência da festa. Vendo a festa como um todo, conseguimos captar momentos únicos de diversão. Fotografia mais generalista, menos pessoal, com indicações de “gente a dançar”, junto ao bar a pedir uma bebida ou simplesmente um grupo de amigos que, fumando um cigarros, discutem o resultado do jogo do dia anterior. A interação e ao entrosamento dos diversos elementos é algo que não só completa o cenário, mas enfatiza a parte social do evento. É normal que os mais amadores simplesmente “disparem a câmara” e esperem que o melhor aconteça. A fotografia, por muito que aleatória possa parecer tem de, no fim, revelar uma história… a história daquele evento.

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10. Divirta-se

Se os outros se estão a divertir, porque não podemos divertir-nos também? Isso vai refletir-se no trabalho final. Fotografamos, adoramos fotografar, estamos num ambiente festivo, … nada melhor que entrar no mesmo mundo, assumir uma posição integrante e permitir que as emoções sejam colocadas no produto final.


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