INSPIRAÇÃO

Fotografar da cintura…


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Muito há a dizer sobre fotografia e sobre a arte de fotografar, mas uma verdade é inegável: quanto mais distraídas estiverem as pessoas, mais natural é a sua representação fotográfica. Há pessoas mais fotogénicas que outras, há as que gostam de tirar fotografias, há os que detestem ver-se em fotografias, mas para os olhos de um outsider, toda a beleza é digna de ser representada.

Ao vermos uma câmara apontada a nós, e por muita vontade que tenhamos de agir naturalmente, é impossível disfarçar… E por muito bem que fiquemos, jamais será uma postura natural. Então como captar a verdadeira essência das pessoas que, por exemplo, circulam na rua? Aqui surgem-me duas respostas óbvias: fotografar de longe com uma teleobjetiva, ou usar a técnica do “disparo da cintura”.

“Disparar da cintura” ou “Fotografar da cintura” é uma técnica (será que se pode chamar técnica?) fotográfica que se tem revelado com resultados curiosos. O objetivo é segurar a máquina fotográfica ao nível da cintura, como o nome indica, encostada à fivela do cinto (só para haver uma referência posicional). Assim, facilmente conseguimos segurar na câmara com as duas mãos e disparar 2 ou 3 shots.

Tudo parece fácil, mas na verdade há algumas considerações a ter em atenção:

  1. Nunca olhar para a câmara enquanto se fotografa. O objetivo é que a fotografia seja expontânea de modo a captar a naturalidade individual de cada um. Ao olharmos para a câmara estamos a expor o nosso disfarce, destruindo o efeito surpresa pretendido.
  2. Utilize lentes grande angulares. A justificação é simples pelo que não há necessidade de grandes explicações. As lentes grande angulares dão uma sensação de perspetiva que, mesmo na utilização ao nível da cintura, criam um efeito de presença na fotografia muito maior do que as restantes objetivas. Se considerarmos, por exemplo uma 50mm, será praticamente impossível criar uma imagem envolvente… Por outro lado, uma lente grande angular permitirá um melhor enquadramento da imagem e do “objeto” fotografado.
  3. Diminua a abertura e aumente a velocidade. Uma das principais dificuldades neste tipo de fotografia “cega” é a focagem. Será difícil executar com rigor uma fotografia perfeita. Estamos a fotografar sem ver, a ação desenrola-se rápido e é necessário manter o máximo de imagem focada. Assim, diminua a abertura do diafragma de modo a obter maior área de focagem e, ao mesmo tempo aumente a velocidade do disparo de modo a minimizar arrastos.
  4. Prefira a pré-focagem. Considerando que um dos elementos é a surpresa, o próprio barulho da focagem e o movimento da objetiva poderão ser reveladores da nossa atividade. Por outro lado surge a dúvida: “se eu não vejo, como sei em que ponto vou focar?”. Pois bem; utilizem um objeto fixo a uma distância que será a que vocês considerarem que pretendem apanhar o próximo “alvo”. Foquem a essa distância e mantenham o foco em manual. Tudo bem que é uma questão de sorte, … ou não! Requer prática e será com alguma que conseguirão acertar com a distância que deverão usar no próximo disparo.
  5. Disparar, disparar e disparar. Mais uma vez, e considerando que estamos a fotografar “às cegas”, o importante é praticar e acertar a mão… Se já normalmente a prática faz um bom fotógrafo, mesta situação será importante haver um entrosamento perfeito com a máquina. Dispare, fotografe, experimente vezes sem fim. use várias técnicas e posições até descobrir a que melhor se adequa a si e ao tipo de fotografia que pretende fazer.

Numa pesquisa rápida a partir do Google, facilmente encontrei centenas de fotografias interessantes subordinadas a este tema. Vejam esta galeria de imagens aleatórias, recolhidas com o intuito de documentar e de aguçar o apetite para aceitarem este desafio.


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