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Fotografar um Concerto: tenta estas 8 dicas


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Todos queremos ter o nosso momento de fama e reconhecimento. Todos ansiamos estar ao lados dos melhores. Alguns só são melhores porque já andam nisto há muito tempo; outros, por muito tempo que aqui andem, não passam de simples “haitués”. Rally e um ou outro concerto musical são os principais temas; os que cativam mais adeptos.

Com a chegada do verão e do bom tempo, as provas e os festivais não tardam e começamos a roer-nos por dentro para ver se é desta que fazemos o gostinho ao dedo. Com estas dicas poderás ter uma porta aberta para fotografares um festival de verão; mas antes lembra-te que os “grandes” já estão todos tomados…

Tenho já alguns concertos “no lombo”. Alguns foram a serviço da Imagem do Som, também já os fiz pelo Mundo de Músicas, mas nunca fotografei um festival. Aqui tudo é diferente… aqui temos de manter uma cadência de trabalho muito maior. Jamais poderemos dedicar-nos ao tratamento e disponibilização de imagens apenas no fim do evento. Enquanto que, com os concertos, vamos para casa e calmamente escolhemos e tratamos as imagens, num festival o tempo escasseia. A concorrência é grande e, não só pela qualidade das imagens, mas também pela rapidez (que demonstra presença), temos de levar o nosso trabalho rapidamente para as redes sociais.

O meu primeiro festival vai ser pela Glam, vou fotografar o Meo Marés Vivas (2016) e quero, aqui, deixar-vos algumas dicas que vos permitam ser os próximos fotógrafos dos festivais de verão.

 

Cartaz do MEO Marés Vivas 2016

Cartaz do MEO Marés Vivas 2016

A credencial para o concerto

A única forma de estarmos livremente a fotografar um concerto é com uma credencial cedida pela organização. Esta é a primeira e a mais difícil tarefa de todas. Para nós, amadores, o ideal é tentarmo-nos chegar aos sites e blogs de música e oferecermos os nossos préstimos. A grande maioria deles não paga o trabalho fotográfico, dando-te apenas a autorização de usares as tuas próprias fotografias a teu bel-prazer (pffffff, grande coisa; as fotos são minhas! Fui eu quem as tirou….. mas pronto!). Esta aproximação deve ser feita de forma cautelosa e impactante. São às dezenas de contactos a oferecer os serviços de fotografia. Lembra-te que, como contrapartida, verás um espetáculo que te custará o valor que a entidade contratada te poderia pagar, pelo que fica assim “ela por ela”.

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Credencial de Imprensa Jimmy P

Caso não consigas a aproximação desejada, podes sempre contactar os órgãos de comunicação social da tua área de residência e questioná-los acerca do interesse em terem um enviado especial para fazer a cobertura do concerto. Em última instância contacta diretamente o organizador do evento. Aqui, o mais provável é levares uma nega, mas como o “não” é sempre garantido, o que vier a mais é bem-vindo! Tenta…

Equipamento

Dependendo do local do evento, poderás necessitar de equipamento diferente. Considerando o nosso nível de amadorismo, o mais certo é levares o que tens disponível. Normalmente, e como tenho a sorte de poder fotografar com material emprestado, gosto sempre de ter 3 objetivas e (numa situação ideal) 2 corpos. Gosto de ter uma 24-70, uma FishEye e uma Zoom (70-200). A qualidade das lentes é variável, uma vez que são sempre equipamentos emprestados, mas procuro que sejam o melhor possível.  Com a 24-70mm tiro fotografias no “fosso” (área reservada aos fotógrafos que está entre o palco e o público). Com a 70-200mm tiro fotografias do público em direção ao palco ou eventualmente algum detalhe que queira apanhar. E com a FishEye capto “mais imagem” quando não tenho espaço para recuar, ou para captar uma ou outra imagem mais artística.

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Jimmy P – “Essência” ao vivo no HardClub – Canon 1000D – Canon 10mm Fisheye

Tendencialmente procuro levar 2 corpos full-frame, mas nunca consegui pelo que a minha velhinha Canon 1000D ainda me serve como segunda câmara onde uso, normalmente, a FishEye. Considerando que a maioria (se não todas) das imagens tem como destino as Redes Sociais e os sites, a qualidade exigida não é muito relevante. Assim, esta máquina de entrada de gama que tanto (já) me acompanhou continua a ser chamada a prestar provas.

O público

Não sendo a principal razão por estarmos ali, o público faz parte do espetáculo; sem ele não há razão para se realizar o concerto… De modo a aproximares a banda aos fãs e demonstrares também o espírito vivido durante o espetáculo, deves sempre contemplar umas quantas fotografias do meio envolvente. Usa a olho de peixe para captares o panorama global da multidão. Com a 70-200mm poderás procurar alguns momentos mais íntimos que aproximem os fãs à banda; um cartaz engraçado ou uma demonstração de afeto entre dois namorados durante uma música com um significado especial.

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Jimmy P – “Essência” ao vivo no HardClub – Canon 1000D – Canon 10mm Fisheye

O baterista

Se o público é importante, os músicos mais ainda. É comum que o vocalista seja sempre a cara da banda, mas não há dúvida de que o que costuma dar mais espetáculo em cima do palco é o baterista. Tende a elevar o seu esforça a um nível muitas vezes sobre humano, digno de ser captado. Os grandes planos individuais poderão proporcionar-te momentos únicos, mas não deves manter-te sempre no mesmo elemento da banda. Tenta captar imagens de todos; percebe quais os seus “tiques” e regista-os. Durante um concerto serão várias as oportunidades…

Os que gostam de aparecer

Entre público e músicos, encontras sempre quem tenha uma predisposição para posar para a câmara. Há sempre, em cada concerto, um que gosta de aparecer e nem sempre é o vocalista. Casos há em que acabas por te abstrair do próprio concerto em detrimento de alguns shots. Dos que tenho tido oportunidade de fotografar, o Pedro Abrunhosa é o que mais se disponibiliza.

Pedro Abrunhosa – Coliseu do Porto – Canon 70D

Setlist

Se há pormenores dignos de serem registados a setlist tem de estar no topo da lista (não necessariamente em primeiro lugar). Este pequeno e muitas das vezes ignorado elemento revela toda a história que estás prestes a fotografar. Se a fotografia é uma história e o concerto ter um fio condutor, a setlist é o guião do que está para vir.

Miguel Araújo - Coliseu do Porto - Canon 70D

Miguel Araújo – Coliseu do Porto – Canon 70D

A tua visão

Nem só de público vive o (teu) concerto. Tu consegues ver coisas que os outros não conseguem, ou não estão preparados (ou atentos) para ver. Não te inibas de captar uma imagem de colegas de trabalho, caso isso revele algo de importante ou engraçado. O concerto é deles, mas a história é tua… conta-a à tua maneira.

Pedro Abrunhosa – Coliseu do Porto – Canon 70D – Canon 10mm Fisheye

Noção do tempo

Propositadamente deixei este tópico para o fim. Se nós por cá somos um pouco mais benevolentes, os estrangeiros são mais rígidos e delimitam temporalmente o número de músicas que podes captar. A experiência diz-me que as 3 ou 4 primeiras músicas são sempre garantidas, mas que depois disso tens de te retirar do recinto ou, pelo menos, do fosso. Vezes há em que, mesmo por entre o público não te chateiam por fotografares o concerto (sendo que a fotografia é, por norma, um ato proibido), mas há outras em que te acompanham até à saída (mesmo).

De qualquer forma tens sempre um briefing antes do início do espetáculo onde sabes exatamente o que acontecerá e como acontecerá. Está atento e não desesperes com algum limite temporal que te imponham. Lembra-te que o mesmo é igual para todos e terás tanta oportunidade para fotografar como qualquer outro fotógrafo.

 

Lembra-te que para muitos fotógrafos (e vais ver que eles se conhecem todos) tu és um “ser” estranho e portanto um invasor de um espaço próprio. Não te deixes intimidar, faz o teu trabalho e movimenta-te cuidadosa e respeitosamente para que não interfiras com o trabalho deles, sem nunca prejudicares o teu. Eles farão o mesmo que tu. Haverão alturas em que terás de ceder (gentilmente) o teu lugar a outros, depois de teres captado já algumas imagens; eles terão a mesma atitude para contigo.


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