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Entrevista com… OLINDA MORGADO


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Ela não é fotógrafa, mas devia ser. Estivemos à conversa com Olinda Morgado… Venham conhece-la! Eis a entrevista que lhe fizemos…

OLINDA MORGADO

Eu própria sou uma “filha” do boom das máquinas digitais. Sempre fiz fotografia com máquinas DSLR. E entendo o termo concorrência inapropriado ao mundo da fotografia.

Tal como em qualquer outro fenómeno de expressão criativa, toda a gente tem e deve ter lugar na fotografia. É na diversidade que o mais enriquecedor acontece: a expansão e a evolução da arte em si mesma.

Jurista.

Apresenta-te e apresenta o teu trabalho. Fala um pouco de como apareceste na fotografia e que tipo de trabalho gostas mais de fazer.

A fotografia surgiu na minha vida em 2013, após um longo período de grave debilidade visual, causado por uma doença ocular.

Foi a fotografia que ressuscitou em mim a curiosidade de observar o mundo e foi através dela que reaprendi a ver formas e padrões e cores. Foi um período extraordinariamente entusiasmante e gratificante.

Aprender e dominar a técnica fotográfica e de edição de imagem foi o meu passo seguinte. Frequentei vários workshops e dediquei muitas horas ao exercício da tentativa/erro. Foram tempos também de grande deslumbramento. Eu era, literalmente, a fotógrafa de “tudo o que mexe”. Mas a através da disciplina da edição de imagem, fui compreendendo os desastres de composição que a pressa de “clicar” causava. Abrandei, tornei-me mais crítica e exigente.

Finalmente, meu processo criativo evoluiu no sentido da fotografia fine art incorporando outra das minhas grandes paixões: escrever. Daí que, mais do que fotógrafa, me considere uma criadora de histórias através de imagens fotográficas.

Os meus projectos actuais são exclusivamente focados na composição de metáforas humanas, universais e socialmente transversais; o que me tem levado a viajar através de Portugal e de outros países em busca de imagens que reflitam o ADN de cada sociedade. Neste momento estou a fotografar o Porto.

“Toda a gente é fotógrafa..” O que achas da “concorrência” que surgiu com o BOOM na compra de máquinas fotográficas digitais.

Eu própria sou uma “filha” do boom das máquinas digitais. Sempre fiz fotografia com máquinas DSLR. E entendo o termo concorrência inapropriado ao mundo da fotografia.

Tal como em qualquer outro fenómeno de expressão criativa, toda a gente tem e deve ter lugar na fotografia. É na diversidade que o mais enriquecedor acontece: a expansão e a evolução da arte em si mesma.

Eu própria sou uma ávida consumidora de fotografia. Estou constantemente em busca de novas perspectivas e interpretações diferenciadas do mundo. Por isso, quanto mais pessoas de mais lugares estiverem a fotografar, melhor.

E, se aquilo que fotografamos não for arte para mais ninguém, mas servir para nos entusiasmar e desafiar a ver, já vale muito a pena.

Quanto aos tradicionais fotógrafos profissionais (de casamentos e batizados, publicidade, etc.) julgo que também eles beneficiaram e beneficiam tremendamente desta universalização da fotografia. O abandono dos velhos paradigmas visuais, forçado pela chegada dos atrevidos fotógrafos sem escola e sem nada a perder, está à vista no arrojo e inovação que nesses campos se percebe actualmente.

Usas o smartphone para fotografar? Usa-lo meramente para diversão fotográfica ou consideras a eventualidade de utilização de uma fotografia captada por smartphone num artigo ou publicação tua. Porquê?

Uso o smartphone para fotografar cenas casuais do quotidiano familiar.

Cada vez faço menos fotografia de rua. Actualmente o que me atrai na rua é deter e observar espaços. Reconhecer formas e padrões.

Quando fotografo, busco reproduzir essas composições mentais. O que acaba por acontecer a grande parte das vezes é nem chegar a fazer qualquer fotografia. Mas como estou em permanente estado de pesquisa de lugares e cenas para os meus projectos, isto serve-me de exercício visual.

Para trabalho contratado usas apenas material profissional ou consideras a utilização de outro menos “caro”?

No âmbito dos meus projectos, fotografo sempre com uma DSLR, por causa do domínio total na captação e pela qualidade da informação contida em cada imagem que esta máquina me proporciona.

Mas o smartphone é sempre um imprescindível que me tem permitido fazer imagens valiosas não destinadas ao público.

Utliza-lo em projectos futuros pode bem ser um bom desafio. Quem sabe o próximo…!

O que pensas da utilização de artefactos para atingir um mesmo resultado (ou próximo) que atingirias com equipamento mais profissional? Poderias usar essas soluções alternativas (DIY) numa base mais regular ou servem-te apenas para ocasiões pontuais?

Sigo sempre com particular curiosidade o trabalho de alguns fotógrafos e gosto de perceber os seus processos de criação. Por isso, conheço alguns artefactos (DIY) que substituem o equipamento profissional e que eu própria utilizaria se necessário. Contudo, como fotografo exclusivamente com luz solar durante dois períodos do dia – antes do sol nascer e depois do pôr do sol – ainda não senti necessidade de mais do que da minha máquina e, pontualmente, de um reflector para preenchimento de sombras.

O que achas das “chinesices”? Por vezes encontram-se soluções mais baratas em sites como o Ebay e semelhantes… Usarias um set de equipamento desses para um trabalho contratado?

Nunca adquiri equipamento via net. Mas conheço excelentes fotógrafos que utilizam material de marcas alternativas e mais baratas vendidas através desses sites e que estão satisfeitos com a sua performance.

Adotavas um fotógrafo amador? Queres fundamentar a tua resposta?

Eu sou uma fotógrafa amadora e gostava muito de ser adoptada, durante uns meses, pelo David LaChappelle.

Sou fã incondicional do seu arrojo e génio criativo.

És pessoa para que marca?

Canon


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