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Entrevista com… MAGALI TAROUCA


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“Muitas pessoas pensam que ter equipamento topo de gama se vai traduzir em “boas” fotos, mas todos sabemos que isso não é verdade”. Magai Tarouca vai mais longe e diz “O que importa é saber tirar partido do equipamento que temos...”

 

MAGALI TAROUCA

Magali Tarouca é fotógrafa profissional. Por obra do destino teve de escolher entre duas profissões pelas quais nutria uma especial vocação. Optou pela fotografia em detrimento do jornalismo. Uma escolha difícil que não a impediu de Hoje ser feliz… Nós somos felizes por termos a Magali Tarouca.

Apesar de a minha profissão original ser jornalista, há vários anos que vivo somente da fotografia, fazendo sessões fotográficas, cursos e workshops de fotografia e viagens fotográficas por diversos países.

Apresenta-te e apresenta o teu trabalho. Fala um pouco de como apareceste na fotografia e que tipo de trabalho gostas mais de fazer.

Sempre quis ser jornalista e consegui levar adiante esse meu desejo. Mas, depois de já trabalhar há alguns anos na área, integrei o projecto da revista “O Mundo da Fotografia Digital” durante três anos, tendo sido aí que a minha ligação à fotografia desponta. O Joel Santos entrou para a direção da revista e, trabalhando diariamente ao lado dele, foi impossível não me apaixonar pela fotografia. Anos depois demitimo-nos e começámos a fazer viagens fotográficas e a dar formação de fotografia, entre muitos outros projectos.

Inicialmente não sabia ao certo o que gostava de fotografar, o que acho que acontece com muitas pessoas. Mas nas viagens descobri que gostava de fotografar pessoas. Adorava a fase de conquista que antecede o momento em que, finalmente, lhes conseguia fazer um retrato. Descobri, também, que esse “namoro” inicial era essencial para eu registar o olhar que eu pretendia. Não podemos chegar a um sítio e simplesmente apontar a câmara a uma pessoa e disparar sem a sua autorização. Nunca vamos ter um bom resultado. Então, comecei a desenvolver um gosto especial em fotografar crianças, particularmente em registar toda a sua expressividade e inocência. Sei que ao fotografar uma criança vou ter sempre um olhar genuíno, uma pose não estudada e isso agrada-me imenso.

“Toda a gente é fotógrafa..” O que achas da “concorrência” que surgiu com o BOOM na compra de máquinas fotográficas digitais.

A “concorrência” não pode, ou não deve, ser vista como uma coisa má, mas sim como algo que nos faz querer ser melhores, sendo que há espaço para todos. O problema deste “boom” de fotógrafos, que se deve ao facto de o equipamento ter ficado financeiramente mais acessível (eu própria comecei a fotografar nesta altura), é que mais pessoas começaram a ver a fotografia como uma forma de fazer dinheiro extra, mesmo tendo outra profissão. Adicionando este facto à oferta excessiva, muitos desses entusiastas começaram a vender o seu trabalho por valores absurdamente baixos, isto quando não ofereciam o seu trabalho em troca de uma suposta promoção ou divulgação do seu trabalho. Só que promoção e divulgação só por si não pagam as contas, os investimentos, o tempo despendido, a criatividade, etc., surgindo um contexto em que um fotógrafo que oferece um serviço e resultados de qualidade perde viabilidade, diminuindo também o respeito que os clientes têm por este trabalho e profissão.

Usas o smartphone para fotografar? Usa-lo meramente para diversão fotográfica ou consideras a eventualidade de utilização de uma fotografia captada por smartphone num artigo ou publicação tua. Porquê?

Sim, uso frequentemente o telefone para fotografar no caso de não ter uma câmara comigo. A mim dá-me mais prazer fotografar com uma câmara, pois posso jogar com a profundidade de campo e outros aspectos técnicos mais elaborados, sendo que nestes casos o telefone acaba por ser uma alternativa menos atraente. Mas uso muito o telefone para registar momentos ou situações espontâneas, para partilhar privadamente com a família e amigos. Acho uma ferramenta fabulosa, pois é algo que está sempre à mão e, sem ele, não haveria tanta partilha de fotografia como acontece actualmente.

Para trabalho contratado usas apenas material profissional ou consideras a utilização de outro menos “caro”?

Claro! Se houver equipamento mais barato que me permita alcançar os resultados que pretendo, mas mantendo o mesmo nível de qualidade, então obviamente opto por material mais barato. Muitas pessoas pensam que ter equipamento topo de gama se vai traduzir em “boas” fotos, mas todos sabemos que isso não é verdade. O que importa é saber tirar partido do equipamento que temos, conhecendo as suas potencialidades e limitações. Um trabalho contratado pressupõe um determinado nível de qualidade, por isso opto sempre por usar o melhor equipamento possível, mas sem perder a cabeça com investimentos exagerados.

O que pensas da utilização de artefactos para atingir um mesmo resultado (ou próximo) que atingirias com equipamento mais profissional? Poderias usar essas soluções alternativas (DIY) numa base mais regular ou servem-te apenas para ocasiões pontuais?

Parece-me muito bem. É o que faço diariamente no meu trabalho. Nem sempre tenho à minha disposição os adereços ou acessórios perfeitos, logo tenho que inventar e usar coisas tão simples como uma janela em vez de um flash, um arbusto num jardim em vez de um pano de fundo, uma folha de papel em vez de um reflector. Mas o meu trabalho, até mesmo em estúdio, não precisa de muitos artefactos — as minhas ferramentas são a câmara, a objetiva e uma boa luz.

O que achas das “chinesices”? Por vezes encontram-se soluções mais baratas em sites como o Ebay e semelhantes… Usarias um set de equipamento desses para um trabalho contratado?

Num trabalho contratado não posso arriscar e usar um equipamento no qual não tenha confiança. Quando alguém nos contrata está à espera de um determinado nível de qualidade e não podemos correr o risco de prejudicar o cliente, ferindo a nossa própria imagem. Além disso, não posso correr o risco de estar numa viagem fotográfica numa zona remota e ter um equipamento que, à partida, tem uma maior probabilidade de falhar em situações extremas, como no frio, calor ou pó. Mais importante ainda, há situações que não se repetem, como num casamento ou batizado, sendo que preciso de sentir confiança no que uso para não deixar escapar o momento. Imaginem, no final, perceber que tenho tudo arruinado por causa de um equipamento que comprei no Ebay ou similar…

Adotavas um fotógrafo amador? Queres fundamentar a tua resposta?

Acho que quase todos nós já fomos “adoptados” por alguém com mais experiência e em quem nos inspirámos. Eu, por exemplo, tive o privilégio de ter ao meu lado uma pessoa fantástica, que me ensinou tudo o que sabe da forma mais desinteressada e genuína possível. Ainda hoje eu e o Joel trabalhamos juntos e, diariamente, aprendo imenso com ele.

Também durante uma viagem fotográfica, uma das pessoas, a Sofia Lobato, que nos acompanhou já fotografava bebés há alguns anos e a sua ajuda e apoio foram fundamentais para que eu também me dedicasse à fotografia de bebés, sem que ela pensasse que eu me poderia vir a tornar numa “concorrente”. A partilha de conhecimento é algo fantástico e eu e o Joel frequentemente “adoptamos” novos fotógrafos. Pessoas que surgem nos nossos cursos e viagens com uma apetência enorme para a fotografia e tentamos dar as melhores orientações e incentivo para que sigam o seu percurso da melhor forma. Mesmo antes de ser fotógrafa profissional, já o fazia na revista, na qual procurei e entrevistei fotógrafos anónimos de enorme talento e que, hoje, desenvolvem um trabalho de grande qualidade. Há muitas formas de nos ajudarmos mutuamente, embora seja, infelizmente, muito raro e é algo que gostaria que melhorasse no nosso panorama fotográfico.

És pessoa para que marca?

Canon 


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