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Entrevista com… JOSÉ BACELAR


Tempo de Leitura: 1 minuto

 

José Bacelar é um fotógrafo apaixonado. Abandonou a vertente comercial para se dedicar à paixão. Sente a fotografia e fotografa com a alma.

 

JOSÉ BACELAR

“A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos” 
Fernando Pessoa



Porto é um lugar de memórias, onde tem algumas raízes. Deixou de ver a cidade como um todo. Passou a vê-la como fragmentos, fragmentos da sua identidade, do seu sentir. É parte do Porto, tal como é parte de qualquer cidade.

A cidade é a alma que a habita. É o Porto que sente e que se sente, porque “o que vemos, não é o que vemos, senão o que somos”.

(editado)

Sou fotógrafo a tempo inteiro.

Apresenta-te e apresenta o teu trabalho. Fala um pouco de como apareceste na fotografia e que tipo de trabalho gostas mais de fazer.

Como já referi sou fotógrafo e vivo, actualmente, no Porto. Sou mestre em Fotografia Documental pelo London College of Communication, Londres. Estou em fase de conclusão de doutoramento na Universidade Fernando Pessoa, Porto, na área da Fotografia, Arte Contemporânea e Comunicação Estética.

Depois de ter passado por vários jornais portugueses, tornei-me freelancer em 2003 e trabalho essencialmente em fotografia documental. Tenho obra publicada em livros e revistas, com destaque para as internacionais Le Monde 2, VSD, Stern, Focus, The Independent on Sunday Review, e para as nacionais Visão, Grande Reportagem, Exame, Única… Fui galardoado com diversos prémios, entre os quais o Euro Press Fuji Award – categoria reportagem, em 2003 e o Grande Prémio Visão, em 2004. Entre 2009 e 2012 fui docente de Fotografia, Sistemas Multimédia e Pós-produção Audiovisual na Universidade Fernando Pessoa. Exponho com regularidade e tenho trabalho distribuído por várias coleções nacionais e internacionais. Editei, em Julho de 2016, o meu último foto-livro intitulado “(O)Porto”.

Nos últimos anos tenho vindo a desenvolver unicamente projectos pessoais, explorando diferentes possibilidades narrativas e formais no domínio da fotografia documental. Como já referi iniciei a minha carreira como fotógrafo trabalhando para jornais mas devagarinho fui-me afastando dos media e tenho vindo a desenvolver projectos muito pessoais que, eventualmente, acabam por resultar em livros e/ou exposições. Produzo imagens a preto e branco, muito contrastadas seguindo uma abordagem que é ao mesmo tempo documental e conceptual. O meu trabalho é um registo da vida, da minha e da dos outros, como eu a vejo e como eu a sinto. Fotografo a vida que sinto, uso a fotografia como um modo de expressão, uma forma de melhor entender o mundo e a mim próprio levando-a, muitas vezes, aos limites da minha busca, das minhas questões, das minhas experiências e vivências.

“Toda a gente é fotógrafa..” O que achas da “concorrência” que surgiu com o BOOM na compra de máquinas fotográficas digitais.

Pessoalmente não me incomoda nada. Ainda bem que muitas pessoas arranjaram uma forma de expressão. Por outro lado o facto de se ter uma maquina não faz de ninguém fotografo, todos temos carros mas nem todos somos pilotos de fórmula 1.

Usas o smartphone para fotografar? Usa-lo meramente para diversão fotográfica ou consideras a eventualidade de utilização de uma fotografia captada por smartphone num artigo ou publicação tua. Porquê?

Até hoje nunca utilizei mas não tenho nada contra, estou aberto à possibilidade.

Para trabalho contratado usas apenas material profissional ou consideras a utilização de outro menos “caro”?

Já não faço trabalho contratado. Para mim, como já mencionado, o importante é aquilo que o momento me diz, me faz sentir. Para isso o importante é fazer a imagem. Eu, por exemplo, utilizo como material um corpo, uma lente (35 mm) e um flash. O que me importa é conhecer bem o material que uso, saber o que me dá e com que limitações conto. O relevante é a imagem final, aquilo que ela me diz e pode dizer aos outros.

O que pensas da utilização de artefactos para atingir um mesmo resultado (ou próximo) que atingirias com equipamento mais profissional? Poderias usar essas soluções alternativas (DIY) numa base mais regular ou servem-te apenas para ocasiões pontuais?

Acho muito bem!

O que achas das “chinesices”? Por vezes encontram-se soluções mais baratas em sites como o Ebay e semelhantes… Usarias um set de equipamento desses para um trabalho contratado?

Sim, desde que me desse garantias.

Adotavas um fotógrafo amador? Queres fundamentar a tua resposta?

Na minha área de atuação, a utilização de um segundo fotógrafo não se coloca. É um trabalho muito pessoal e apenas eu vivo e sinto a fotografia daquela forma. Só eu conseguirei  fotografar para mim.

És pessoa para que marca?

Fujifilm 


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