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Entrevista com… ANABELA CARVALHO


Tempo de Leitura: 1 minuto

 

Francesa de nascença e Portuguesa de coração, Anabela Carvalho vive da fotografia. Fotógrafa nos tempos livres, aproveita a área comercial para estar a par das tendências e dos equipamentos da moda…

Fotografia de Miguel Cachapa

ANABELA CARVALHO

Com entrevista realizada em abril, apenas agora nos foi possível a sua publicação. Pelo facto queremos apresentar as nossas desculpas pelo atraso, mas estamos certos de que em nada prejudicará o resultado da mesma.

Desejamos à Anabela Carvalho todo o sucesso do mundo e agradecemos a sua total e pronta disponibilidade.

A minha profissão, desde 1999, é na área comercial do ramo da fotografia. Conviver no dia a dia com fotógrafos e videógrafos é altamente viciante. Partilhamos as mesmas paixões da imagem quer seja ela estática ou não. O meu papel é essencialmente trazer a solução certa a cada uma das pessoas que cruzo.



Apresenta-te e apresenta o teu trabalho. Fala um pouco de como apareceste na fotografia e que tipo de trabalho gostas mais de fazer.

A fotografia acompanha-me desde pequena. Nasci em França e lá vivi até 1999. Portugal para mim foi sempre o pais da fotografia, o nosso país era conhecido como o País da criatividade e dos grandes artistas. Quando vinha de férias a Portugal o meu trajecto era certeiro… uma semana antes do final das férias, ia à Foto Brites de Rio Maior. Lá entregava os rolos para revelar e, juntamente com as fotografias (reveladas), recebia rolos novos em troca. Tal coisa não existia em França. Em Portugal era tudo à escala humana. H2H … (Humano a Humano :))

Esta paixão veio da minha admiração pelo meu avô paterno. Era um fotógrafo à la minute com a sua Kodak “do tempo dos Reis” como ele dizia. Encontrou a minha avó a fotografá-la numa feira (acho isso super romântico).

Costumávamos desfolhar os álbuns de família e isso orientou-me bastante a nível de fotografia. Apesar de gostar de quase todas as áreas na fotografia, o retrato é o que eu gosto mais de fazer. Gosto das expressões e das pessoas e de as mostrar tal como elas são. Todas são lindas e cabe ao fotógrafo de encontrar o ângulo mágico para realçar a sua identidade.

Atrás de qualquer retrato vem sempre uma história e emoções transversais à fotografia. Gosto de pessoas genuínas, de crianças cujo sorriso não tenha sido alterado pela dificuldade da vida.

Quando fotografava os eventos sociais aplicava-me principalmente nos detalhes e na felicidade das pessoas. A felicidade ao estado puro! Se um dia envergasse a 100% na área da fotografia acho que me dedicaria apenas à fotografia de família e de casamentos.

“Toda a gente é fotógrafa..” O que achas da “concorrência” que surgiu com o BOOM na compra de máquinas fotográficas digitais.

Bem, esta pergunta é difícil de responder! Apesar da fotografia fazer parte do meu mundo desde pequena, foi o digital que me revelou … A concorrência é saudável! Sou da opinião que devemos educar os clientes para procurarem o fotógrafo certo pela qualidade e não pelo preço.

O problema desta nova geração é que quer aprender a fotografar sempre melhor, esquecendo-se da parte comercial. Não devemos ser fotógrafos a qualquer preço, mas ter a humildade de dizer” isto não sei fazer mas o fotografo xpto é excelente nesta área“.

Muitos registam imagens, mas por vezes falta um pingo de talento… Agora se eles nos fazem mossa? Eles têm os seus clientes que não serão certamente os nossos! Temos que nos preocupar com o que nos faz bem e não desperdiçar energias. Focar-se no positivo. “Ser diferente” é o meu lema. No entanto, gostava de ver o ramo da fotografia regulamentado. Talvez se fosse criada uma Entidade Reguladora, à semelhança das Telecomunicações, que regulasse o mercado e que ajudasse os fotógrafos a determinar os preços em função dos critérios estabelecidos pelo mercado.

Usas o smartphone para fotografar? Usa-lo meramente para diversão fotográfica ou consideras a eventualidade de utilização de uma fotografia captada por smartphone num artigo ou publicação tua. Porquê?

E porque não? O smartphone é o pior inimigo quando se põe à frente de uma CSC ou Reflex num evento específico. É um acessório. Podem-se fazer coisas muito boas com telemóveis, embora a qualidade da imagem deixe muito a desejar.

Existem inclusive aplicações móveis, para que os convidados registem todos os momentos de determinada cerimónia. Eu aconselho sempre o wedpics. Quais as vantagens ? Os fotógrafos não conseguem estar presentes durante todo o evento e retratar todos os momentos. O wedpics permite aos noivos terem outro background. Uma visão mais genuína, quase natural, do casamento, que em nada afeta o trabalho dos fotógrafos.

O telemóvel é problemático para a área do jornalismo porque o que conta é ter a imagem. O fotógrafo que não acompanha as novas tecnologias ficará aniquilado rapidamente. Ele tem que se adaptar e renovar os conhecimentos de forma permanente. Eu vejo os telemóveis como máquinas instantâneas. Se existem os photobooth… haver telemóveis é quase igual!

Para trabalho contratado usas apenas material profissional ou consideras a utilização de outro menos “caro”?

Hum … “Quando cozinha também lhe pergunto com que fogão cozinhou?” Até posso perguntar, porque cozinhar com forno eléctrico  não é a mesma coisa que cozinhar com o forno de lenha!.. Eheheh … Para mim o que conta é o resultado final… 

No meu caso, e na impossibilidade de adquirir uma médio formato pela gama dinâmica que proporciona, uso objetivas profissionais. A câmera em si não creio que seja muito importante, mas as objetivas têm que me proporcionar o resultado que eu pretendo. Gosto de brincar com a profundidade de campo.

Ter um determinado material, permite destacarmo-nos, mas não fará de nós melhores fotógrafos por isso. Sou da opinião que devemos ter o material adequado para o nosso trabalho, quer seja ele profissional ou não. O “profissional” é muito relativo… Se não sabe tirar proveito de todas as características da máquina, porquê tê-las? Acho que é necessário ligar o descomplicómetro e concentrar-se no essencial.

Mas sim eu conselho material profissional para quem vive da área… Não analiso apenas o aspecto estético da imagem mas também o aspeto económico. O que nos dá mais rentabilidade. O barato sai caro …

Desde 2005 já mudei n vezes de máquina mas eu tenho sempre as minhas objetivas de topo. Já estão a precisar de upgrade, mas nunca as mudei porque adquiri as melhores que havia na altura.

O que pensas da utilização de artefactos para atingir um mesmo resultado (ou próximo) que atingirias com equipamento mais profissional? Poderias usar essas soluções alternativas (DIY) numa base mais regular ou servem-te apenas para ocasiões pontuais?

Sim sem qualquer dúvida. Fotografia é criatividade, mas sempre com um “mas” no fim. Se for rentável porque não? Agora se for para perder tempo em edição, nem pensar… Cabe a cada um criar a magia com as ferramentas que têm.

O que achas das “chinesices”? Por vezes encontram-se soluções mais baratas em sites como o Ebay e semelhantes… Usarias um set de equipamento desses para um trabalho contratado?

Não. Sou anti-ebay porque valorizo o trabalho de proximidade. Dou valor às pessoas que trabalham atrás de um balcão e que perdem tempo a aconselhar… Prefiro amealhar mais tempo para comprar em Portugal e dar valor ao comércio tradicional português.

Adotavas um fotógrafo amador? Queres fundamentar a tua resposta?

Sim. Tal como nós fomos ajudados, temos o dever de ajudar quem vem a seguir no mercado da fotografia.

Comecei um projeto de fotografia com o Nuno. Juntos criamos a Two See na ótica de ele se poder lançar sozinho no seguimento desta parceria. Neste momento o Nuno está a seguir com o projeto para a frente. Podem ver o nosso trabalho em https://www.twoseephoto.com/

És pessoa para que marca?

Nikon


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2 Comentários

  • Reply
    Fernando Bagnola
    22 Maio, 2017 at 20:18

    Adorei a entrevista que conseguiu trazer a energia luminosa desta fotógrafa cheia de talento e verdade nas suas relações de amizade … além de ser, sem medo de errar, a melhor vendedora de equipamentos fotográficos de alta gama que já conheci nesses meus 33 anos de profissão. Fiquei fã do blog logo ao primeiro click! 🙂
    Beijo Anabela … e vida longa ao FotoGuru!!! É NÓIS!!! 🙂

  • Reply
    Jorge Pinto Guedes
    23 Maio, 2017 at 2:08

    Bela entrevista à Anabela Carvalho, uma das comercias de fotografia mais competentes a activas que existem no nosso pequeno e complicado mercadinho. Como pessoa a Anabela é fantástica e é uma verdadeira amiga. Admiro, também, o seu trabalho fotográfico, sempre em busca do que é novo bem como das tradições bem portuguesas.
    Um beijo grande e não te esqueças de uma visita quando vieres para estas bandas.

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