ENTREVISTAS

Entrevista a JOÃO PEDRO CEZANNE


Tempo de Leitura: 1 minuto

Curioso e autodidata, João Pedro Cezanne seguiu o seu instinto e deu “voz” ao gosto pela fotografia. Rapidamente viu reconhecido o seu talento e alterna entre a fotografia e o vídeo. Este freelancer dá tanta importância à sua câmara como ao smartphone.

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JOÃO P. CEZANNE

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Apresentação

Iniciei-me na fotografia muito cedo quando me ofereceram uma maquina fotográfica aos 12 anos. Foi amor à primeira vista, e muito rolo desperdiçado confesso. “A pratica faz o monge” e numa era analógica nada podia ser mais verdade. O resultado era moroso e a(s) desilusão/ões poderiam ferir a alma. A aprendizagem passou por ler manual e revistas da especialidade, onde as dicas dos mais experts ajudavam a fazer novas tentativas, novas experiências e alcançar verdadeiros resultados.

Já fotografei um pouco de tudo, já tive paixão pelo preto e branco – tive oportunidade de revelar as minhas próprias impressões a preto e branco e posteriormente a cores numa maquina inovadora na altura e aproveitei para me dedicar ao diapositivo, mais conhecido por slide.

Iniciei nas aventuras de férias, passei para paisagens, festas, e estúdio. Estúdio é tramado! Espetáculos ( tenho a sorte de trabalhar com o ilusionista Luís de Matos há mais de duas décadas pelo que não me faltaram oportunidades de fotografar caras e espetáculos.

O video veio sobrepor-se à fotografia durante alguns anos e mantém-se neste momento num 50/50.

O que mais me dá prazer hoje em dia é fotografia de rua, com telemóvel, visto ter-me tornado preguiçoso e ser perigoso continuar a andar com a máquina na mala do carro para qualquer ocasião como foi o caso durante alguns anos.

“Toda a gente é fotógrafa..” O que achas da “concorrência” que surgiu com o boom na compra de máquinas fotográficas digitais?

Começo por afirmar que a fotografia é uma arte, e como tal deve obedecer a um conjunto de regras. Conhecidas as mesmas existe a liberdade de saltar ou infringir as mesmas, desde que exista um propósito válido para tal.

Acho que a era digital apenas trouxe mais adeptos, o que é bom. Dentro dessa massa, não existe concorrencia se esta não se souber muito bem as regras , se esta não se conhecer muito bem a maquina se esta não se souber contornar as limitações da mesma numa fração de segundo.

Essa é a diferença entre o amador e o profissional.

Usas o smartphone para fotografar? Usa-lo meramente para diversão fotográfica ou consideras a eventualidade de utilização de uma fotografia captada por smartphone num artigo ou publicação tua. Porquê?

Levei algum tempo a aderir ao digital, pela falta de qualidade na altura de inicio do digital.

Hoje estou rendido ao telemóvel, com excepção de trabalhos em que o cliente tem budget.

Atualmente tenho a Nikon D800, máquina que uso para fotografar ou filmar profissionalmente. Entenda-se por profissionalmente trabalhos em que não possa evitar o uso do telemóvel e apps, ou em que o cliente tenha budget para pagar o desgaste do material.

Hoje em dia, todo o cliente se acha capaz de ser fotógrafo mas na maioria das vezes não sabe o que é fotografia ou o que é ser-se fotógrafo.

Para trabalho contratado usas apenas material profissional ou consideras a utilização de outro menos “caro”?

Trabalhos especificamente para redes sociais, ou internet como youtube ou paginas web/sites de empresa, podem perfeitamente ser efetuados num bom smartphone, e proporcionar ao cliente uma alternativa low cost, desde que o mesmo entenda a definição low cost e o que a mesma limita em qualidade ou tamanho final.

O que pensas da utilização de artefactos para atingir um mesmo resultado (ou próximo) que atingirias com equipamento mais profissional? Poderias usar essas soluções alternativas (DIY) numa base mais regular ou servem-te apenas para ocasiões pontuais?

Acredito que existem artefactos que ajudam a estabilizar a imagem ou fornecem dados que ajudam a recriar ambientes. Existem à escala profissional e amadora. Se existem devemos recorrer a eles sempre que sentirmos que os mesmos vão contribuir e melhorar o que queremos como resultado final.

O meu smartphone é leve e já não tenho a mesma estabilidade física de outrora. Uso um tripé. Posso usar um qualquer. Se quiser usar a Nikon D800 tenho que recorrer a um tripé mais forte que aguente com a máquina . Se não tiver esse tripé posso tentar usar uma cadeira ou mesa. Importante é estabilizar a imagem.

Sim uso muitos artefactos e soluções inventadas no local.

Idealmente seria ter as soluções ideais, mas não me parece que isso seja uma limitação na maioria dos casos.

O que achas das “chinesices”? Por vezes encontram-se soluções mais baratas em sites como o Ebay e semelhantes… Usarias um set de equipamento desses para um trabalho contratado?

Tenho que retroceder.

Regras; conhecer as regras obriga a ser astuto e inteligente para poder tentar alcançar objetivos de várias formas. Não me adianta ter um equipamento profissional se não conseguir tirar partido dele. Assim como não me chegam artefactos suficientes se partir de um mau enquadramento. De pouco me serve um belíssimo enquadramento se tiver que recorrer ao preto e branco porque o balanceamento foi mal escolhido!

Respondendo à questão: tens que ter noção do que vendes, como vendes para que no final entregues o que te compraram. Se usas equipamento A, B ou C , desde que cumpras, a escolha é tua.

Adotavas um fotógrafo amador? Queres fundamentar a tua resposta?

Adotar parece-me ser uma palavra muito forte e deslocada.

Não tenho qualquer problema em partilhar informação e conhecimento adquirido ao longo dos anos para com quem esteja a trabalhar comigo, mas não posso ensinar ninguém a ser fotógrafo.

O interesse em explorar, aprender, ser criativo tem que partir de cada um e é isso que pode diferenciar um bom de um menos bom fotógrafo.

És pessoa para que marca?

Nikon

Mostra-nos alguns dos teus trabalhos…


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