ENTREVISTAS

Entrevista a … Diana Rui Carapuço


Tempo de Leitura: 3 minutos

(fotografia de Miguel Ângelo)

Diana Rui Carapuço é natural de Matosinhos, reside na cidade do Porto e anda por cá desde 1979.

Desde o momento em conseguiu dar os primeiros passos, aventurou-se com diversas tarefas de cariz artístico. Aos 6 anos, demonstrou, pela primeira vez, interesse pela fotografia. Depois de gastar um rolo inteiro numa ninhada de gatos, o primeiro grande projecto foi um dos álbuns de família em que decidiu cortar grande parte das fotografias por não concordar com o enquadramento original.

Por algum motivo, os familiares achavam que tais manifestações artísticas não eram bem aceites pelos demais membros da família. Mesmo assim, não desistiu da arte e acabou por aprender que conferenciar primeiro com os clientes, não é necessariamente má ideia.

Enveredou pela via artística nos estudos e fez algumas exposições de pintura, todas entre 1996 e 1999. Em 1997 iniciou o curso de Arquitectura. Até então a máquina fotográfica acompanhou-a sempre apesar de estar em segundo plano. Em 2005, encerrou o capítulo autodidacta e decidiu frequentar um curso fotografia. Desde então conta com várias exposições de fotografia e diversos trabalhos fotográficos de carácter autoral e comercial. Para este artigo decidiu destacar o trabalho de carácter autoral, de fotografia de rua, pois com o que mais se identifica…

1. Trabalhas “by the book”, ou gostas de inovar e experimentar técnicas novas?
Tento sempre melhorar a minha técnica, estou sempre a pesquisar e aprender técnicas novas. Só experimentando é que conseguimos perceber se determinada técnica funciona para aquilo que estamos a tentar alcançar em termos de imagem. Por vezes gosto de misturar técnicas. Se é “by the book” ou não, não sei… Pode ser para uns e, para outros, não.

2. Quando não sabes o que vais fotografar, qual é o equipamento que usas?
Depende se é trabalho ou lazer. Se for trabalho à partida já falámos com o cliente e sabemos o que é pretendido. Portanto, a escolha de equipamento torna-se fácil. Se for para lazer levo algo que seja pequeno, leve e versátil.

O equipamento que uso em trabalho é uma Canon 6D, ideal para situações de pouca luz e o facto de ser full-frame é, para mim, algo imprescindível.  Em termos de objectivas, tenho 3 que cobrem praticamente todas as situações que poderei encontrar. A mais versátil e a mais utilizada é a Tamron SP 24-70mm f/2.8 DI VC USD. Para fotografia de interiores e outras situações em que necessito de ultra grande angular tenho uma Canon EF 20-35mm 3.5-4.5 USM. Para retrato e outras situações em que necessito de mais alcance tenho uma Canon EF 70-200 2.8 IS.

Para fotografia de rua ou lazer gosto de fotografar com uma Fuji X-E1 onde posso usar todas as objectivas da Canon através de adaptadores. Optei pela Fuji pelo simples motivo de ser discreta e de não sacrificar qualidade de imagem.

Gosto também de fotografar com filme e para isso tenho uma Canon FT QL com uma Canon FL 50mm 1.8 e uma FL 35mm 2.5. Recentemente adquiri uma Canon EOS 50e e gostei tanto de fotografar com ela que decidi fazer um pequeno upgrade para uma Canon EOS 33 em que já tem correcção dióptrica, que é bastante útil para quem usa óculos e quer fotografar sem eles. A vantagem destas Canon EOS analógicas é que são compatíveis com todas as minhas lentes EF da 6D.

3. O que fazes quando precisas de algum acessório que não tens? Não fotografas ou tentas improvisar? Podes exemplificar?
Quando não tenho algo tento improvisar, se não resultar prefiro não fotografar. Especialmente se estamos a falar de trabalho comercial. Penso que nada supera um equipamento que foi especialmente desenhado para determinada função. No início experimentei fazer uns modificadores de luz para o flash, mas acho que não compensa o trabalho, pois esse tipo de equipamento não é assim tão caro que justifique andar à procura de material para esse fim. Prefiro passar o meu tempo a aprender ou a fotografar. Quando se trata de trabalho de carácter autoral já não me importo de improvisar e de experimentar. Uma vez tentei fazer uma pinhole mas não tive sucesso, tenho de voltar a tentar.

4. Que software usas para o processamento fotográfico? Que software gratuito aconselharias?
Utilizo o Lightroom para grande parte do processo. Utilizo o Photoshop para pequenas tarefas que não são possíveis de realizar no Lightroom. O GIMP é um bom software de edição e é gratuito.

5. O que é que gostavas que te tivessem ensinado antes de teres começado a fotografar, e só aprendeste mais tarde, às tuas custas?
Boa pergunta… Talvez um pequeno conselho: não ter preconceitos com determinado tipo de trabalhos, especialmente com os de carácter comercial. Não existem maus temas, apenas maus trabalhos. Um bom fotógrafo consegue fazer um bom trabalho mesmo que não se trate do seu tema favorito. Penso que é nestas situações, fora da zona de conforto, que conseguimos evoluir. Contudo, o que mais custou a aprender foi a saber valorizar o meu tempo.

Algumas fotografias:

 

Site: www.dianarui.net

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