OPINIÃO

Daltónico… como é possível?


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Há estados que não se complementam… Pianistas surdos, pintores cegos e … fotógrafos daltónicos! Ser daltónico não é uma deficiência, é uma condição! … uma condição que em tom de brincadeira costumo “não perceber”. Se um daltónico vê o verde em vez do “vermelho”, sempre aprendeu que aquela tonalidade se chama “vermelho” (seja ela que cor for para nós). Assim, àquilo que nós chamaríamos “verde” ele (por associar o nome à cor) chamará sempre “vermelho” (se é que me fiz entender…).

Esta comunidade (sem pretensão depreciativa de qualquer espécie) tem todo um conjunto de situações adaptadas à sua condição. Os semáforos estão dispostos verticalmente para que eles saibam que cor está e que ação podem (e devem) tomar. Como se não bastasse, Miguel Neiva, professor da Universidade do Minho, criou um código visual que permite aos daltónicos distinguir as cores.

ColorADD

ColorADD – Sistema visual para identificação das cores

Por muito evoluída que esteja a tecnologia e por muito adaptada à fotografia, não conheço nenhuma câmara que forneça a informação relativa às cores, ao fotógrafo. Assim, e na nossa área de atuação, podemos dizer que os daltónicos estão “às escuras”…

Se a fotografia é a transposição de uma imagem, momento ou sentimento, como será possível transmitir algo diferente do que estamos a ver? É certo que o que um daltónico vê é diferente dos restantes comuns mortais; vemos a mesma coisa, as mesmas formas, mas com cores diferentes. Os contrastes que tanto apreciamos e valorizamos em determinada fotografia poderão não ser imediatamente percecionados por um daltónico. Ainda assim, ele é capaz de retratar a mesma imagem…

Imagem vista por uma pessoa normal e um daltónico

Imagem vista por uma pessoa normal e um daltónico

É engraçada a capacidade de sabermos como um daltónico vê determinada imagem, mas o contrário jamais será possível (pelo menos até à data deste artigo). O site ETRE permite simular uma imagem tendo em linha de conta os diversos tipos de daltonismo.

Mas se até aqui temos identificado as dificuldades sentidas por esta minoria, o certo é que o daltónico consegue perceber detalhes e contrastes que para nós estão escondidos. Sabiam que, por exemplo, um daltónico consegue distinguir um camuflado no meio do mato? O que para nós é confundível, para eles é inevitável e básico. Assim, muitos dos poucos fotógrafos daltónicos utilizam essa sua capacidade para se distinguir.

É curioso como o Homem se adapta às circunstâncias e ultrapassa as dificuldades para se afirmar nas suas áreas de interesse. Muito mais do que estudos e experiência, combater uma situação deste tipo traz valor acrescentado aos profissionais da fotografia.


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