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Cuidado com o Excesso de Confiança. Quanto Vales, Sem a Tua Câmara?


Tempo de Leitura: 4 minutos

O fotógrafo e a sua câmara fazem um único ser. É poético e é a mais pura da verdade. A máquina sem fotógrafo de nada vale. Por outro lado, qual o valor do fotógrafo sem a sua máquina? Tenhamos em atenção o excesso de confiança que temos perante a tecnologia. Pode ser-nos fatal!

Nós por cá temos por hábito dar mais valor ao resultado final do que propriamente às fotografias que saem bem à primeira. Damos valor óbvio ao fotógrafo que as consegue, mas não cremos que valham mais se as vendermos, só por esse facto. A união entre o fotógrafo e o seu equipamento é vital para uma boa fotografia. Conhecer a câmara é fundamental.

Contudo, a tecnologia falha e os azares acontecem. Se nos prendemos muito a um modelo – ao nosso modelo – podemos estar a cair num erro crasso. E se perdemos a nossa máquina? Se ela avaria ou …. morre?

Na FOTO GURU primamos pelo amor às soluções DIY bem como à fotografia por smartphone. Não a preferimos em detrimento da fotografia com DSLR ou Mirrorless, mas damos-lhes mais importância do que muitos outros sites de fotografia.

Uso o smartphone com alguma regularidade. Umas vezes porque está mais à mão, outras porque tenho preguiça de carregar com a DSLR e as lentes. O certo é que tenho uma solução móvel com qualidade. Maior parte das fotografias têm o destino do online e, para isso, o Huawei P10 é mais do que suficiente. Mas o azar bateu-me à porta e o “Deus da fotografia” quis levar-me o telemóvel para junto dele.

O Azar

Fiquei praticamente despido! Não só porque sou um viciado na tecnologia, mas porque também fico privado de captar aqueles momentos únicos que ocorrem quando menos esperamos. Sem interessar muito detalhe nos acontecimentos, até porque sempre que falo disse há mais uma parte de mim que morre, o telemóvel ficou com água por dentro. Não! Não foi de todo um descuido… Usava uma bolsa estanque da AquaPac que há mais de 3 anos me acompanha nestas aventuras. Contudo, quis o destino que não resistisse ao teste ao qual foi submetido.

Não foi propositado, mas o certo é que fiquei sem o meu P10! A disposição para fotografar ficou severamente abalada. É claro que ainda tenho a Canon e a uso sempre que o dever (ou a vontade) me chama, mas há parte de mim que fica lá atrás! Não sou sentimentalista, mas o meu telemóvel atua é tão …. actual que nem dá para instalar o Facebook. A câmara? Hummm, .. qualquer coisa como 2 ou 5Mp.

E agora?

Pois bem; a resposta à pergunta é … Não sei! Não consigo tirar uma fotografia com este telemóvel. Não consigo ter de esperar para que a aplicação arranque, que a fotografia foque. Mesmo exercitando a minha paciência, o que vou fazer com a fotografia que tirei? Bahhhh!

Bem sei, e mantenho a opinião, que o que importa é a fotografia e não o equipamento. Ainda assim, a minha câmara do smartphone tem mais qualidade do que grandes câmaras de grandes fotógrafos do passado. E ainda assim não estou satisfeito.

O Problema? O problema é que silenciosamente nos vamos habituando à qualidade. Falamos de “ensaios” e de “desafios”, mas praticamo-los apenas por diversão. Nunca retiramos a verdadeira lição desses exercícios. Por acaso aconteceu com o smartphone, mas e se fosse com a Canon 6D? Aconteceu-me uma vez, quando a minha câmara caiu ao mar e quase deixei de fotografar. Mas não terei muitas vezes a mesma sorte de conseguir comprar outra, e outra, e outra!

A Lição

Por muito que continue a ser teórico, é importante que não nos adaptemos demais a uma única câmara. Há fotógrafos que usam o mesmo modelo em câmaras principais e secundárias; nem precisam de pensar, tudo funciona da mesma forma. Mas o que será deles se uma, ou até mesmo as duas, pifarem?

O ideal é não sonharmos muito alto e ambicionarmos a perfeição (também) com máquinas mais fracas. Lembrei-me logo do episódio da DigitalRev TV (Kai W) com Gary Tyson onde o profissional é desafiado a usar uma câmara … foleira (ao máximo).


Sem saber, tal como me aconteceu naquele fatídico dia, Gary Tyson viu-se privado da sua câmara. Não interessa se era boa ou má; era a que tinha e com a qual sabia e gostava de fotografar. E agora, ficar parado? Jamais! Há que avançar e conseguir o melhor das nossas capacidades.

Conhece a câmara, conhece-a de trás para a frente, mas nunca te tornes um especialista. Por definição, um especialista, sabe cada vez mais de cada vez menos. Aqui, o importante é sabermos mexer com a câmara, mas sem nos limitarmos à marca e modelo. Se precisarmos de recorrer a um modelo diferente ou até mesmo inferior, temos de conseguir fazer as coisas.

Gostava de ver muitos (ditos) profissionais a usarem uma câmara de entrada de gama…. podia ser da mesma marca da que usam, mas uma significativamente mais fraca!

 

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