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Quando avançamos para sermos piores fotógrafos…

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A fotografia é um processo criativo. Devemos ter a capacidade de retratar uma história num único shot. Mas então porque estamos cada vez piores fotógrafos?

Já várias vezes referimos que o maior aliado da perfeição é a prática. Fotografar, como se diz na gíria, “a torto e a direito” dá-nos a capacidade de nos sentirmos à vontade com a situação e com o equipamento. Sempre quisemos deixar de nos sentirmos piores fotógrafos e evoluirmos em direção ao sucesso.

É então que vimos a público revelar a nossa inocência. A vontade que tínhamos ao fazer esta revelação era totalmente a oposta ao que temos, nalgumas situações, verificado. A fotografia evolui sob uma perspetiva tecnológica, virou digital e facilitou o acesso a outras fontes de inspiração.

Infelizmente, a nossa máxima “para seres bom tens de fotografar muito” tem a sua veracidade ameaçada. É que com a facilidade do digital, as máquinas fotografam cada vez mais, e mais rápido. Os cartões de memória têm cada vez mais capacidade de armazenamento. Se por um lado ganhamos no tempo entre a sessão fotográfica e a revelação das fotografias, perdemos na qualidade do resultado final.

Mas então como nos tornamos piores quando tudo o que queremos é melhorar? Na realidade, não estamos realmente a piorar… Apenas não estamos a evoluir da melhor forma…

Dependendo das situações, temos a tendência de utilizar o burst da câmara para tirar uma sequência de fotografias. “Jogamos pelo seguro“, dizemos nós. “Uma há-de sair bem!“… O problema é que damos mais atenção à quantidade e variedade de fotografias do que à qualidade individual de cada uma. Se preferirem, estamos a testar a “sorte”.

Talvez o conselho não seja fotografar mais, mas fotografar melhor… Se nos é difícil contornar esta situação, há formas de nos forçarmos a fazê-lo. Algumas das propostas passam por:

Utilizar apenas uma objetiva

Esqueçam a coleção de lentes que têm arrumadas no armário. Peguem numa (à escolha, ou se se sentirem aventureiros, à sorte), coloquem-na da câmara e saiam de casa. Utilizem apenas aquela configuração durante 1, 2 ou 3 dias. A falta de liberdade obrigar-vos-á a pensar cada fotografia!

Usem um cartão com pouca capacidade

Imaginem-se num evento qualquer. Um casamento, um batizado, uma festa ou um concerto. Deixem os cartões de 32Gb em casa. Rebusquem os monos e peguem no velhinho cartão de 8Gb. Aquele que até tem fita cola à volta, … sim, esse; o lento! Usem-no! Tenham consciência da limitação de armazenamento e pensem cada disparo. Certamente não conseguiram usar a função burst pois desperdiçam logo meio cartão! A responsabilidade deste ato é elevada e isso obriga a redefinir todo o vosso processo…

Escolham um tema

À semelhança dos bons e velhinhos desafios fotográficos, saiam para fazer apenas fotografia de rua. Escolham o retrato e pratiquem durante uma semana. Privilegiem as áreas em que se sentem piores fotógrafos e, conjuntamente com as propostas anteriores, desafiem-se.

O ser humano é fantástico pela sua capacidade de adaptação. Assim sendo, desafiem-se, criem dificuldades e … safem-se! O processo de aprendizagem é feito de sucessos e falhanços. Falhar permite-nos, também, aprender; nem que seja perceber que realmente não funciona! Por outro lado, somos por vezes brindados com surpresas que resultam em excelentes fotografias.

Conhecer o material faz de nós melhores fotógrafos, e conhecer o material não é saber as suas caraterísticas técnicas… Aprendamos, fotografando menos. Aprendamos a pensar a fotografia e não a disparar com as definições corretas. Aprendamos com os nossos erros. … mas aprendamos!

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2 Comentários

  • Reply
    Marcelo Trojahn
    5 Setembro, 2017 at 14:53

    Acredito que este não é somente um problema da fotografia, mas de uma forma mais ampla. Lembro quando era apenas um garoto, de um guia rodoviário que ficava no carro do meu pai. O mais engraçado é que ele raramente usava-o, pois já tinha o trajeto na cabeça. Ele não era nenhum homem com dons especiais, mas o fato de olhar aquele guia, interpretá-lo, possibilitava uma visão ampla, pois precisava registar os pontos de referências para uma rápida localização. Não se bastava apenas com a voz o guiando. A fotografia está no mesmo caminho. As câmaras e smartphones cada vez mais automáticos, tornam o ato de pensar demasiadamente cansativo. Não se pode perder o tempo e quanto mais rápido for, melhor… lembro de uma cena do filme “The Secret Life of Walter Mitty” em que o fotógrafo Sean O’Connell desiste de fotografar o raro leopardo das neves.

    Sean O’Connell: They call the snow leopard the ghost cat. Never lets itself be seen.
    Walter Mitty: Ghost cat.
    Sean O’Connell: Beautiful things don’t ask for attention.
    Walter: What was the picture, Sean?
    Sean: Let’s just call it a ghost cat, Walter Mitty

    Um diálogo perfeito, que resume o que penso. Nos preocupamos tanto em fazer rápido e mais automático possível, que deixamos para trás momentos que deveriam/poderiam ficar eternizados na nossa memória.

  • Reply
    Snapshot ou fotografia? Qual é a que fazes? - Fotoguru
    5 Setembro, 2017 at 15:04

    […] objetos e paisagens para fotografar. É preciso mais! É preciso pensar a fotografia. O artigo de ontem fala de como podemos evoluir através da preparação e não somente através da intensidade. […]

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