OPINIÃO

Os atos irresponsáveis que levam à Destruição


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É triste perceber que ninguém respeita os outros. Ainda mais triste é saber que a destruição pode ser um meio para atingir um fim.

Fotografar não deve ser significado de destruir. O desejo de obter uma qualquer fotografia, por mais importante e única que seja, não nos dá o direito da Total Liberdade. No passado dia 4 de agosto, no Prittlewell Priory Museum em Southend, Reino Unido, uma família quis fotografar o filho num caixão com mais de 800 anos. O caixão foi encontrado por um grupo de monges, algures perto de 1921 e continha um esqueleto. Pressupõe-se que este seja pertença de um (outro) monge da mesma congregação e está datado como sendo do longínquo séc XIII.

Por divertimento, um casal resolveu avançar a barreira de proteção e colocar o filho dentro do caixão. Seria uma fotografia única, para memória futura. O que se esqueçeram, (propositadamente ou não) é que as barreiras de proteção existem por alguma razão. O resultado foi desastroso… O único caixão existente partiu, deixando o legado histórico mais pobre.

Caixão danificado pela inconsciência humana

 

Para piorar, o casal resolveu sair do museu sem ter dado qualquer satisfação aos funcionários. Para sua infelicidade, as câmaras de vigilância captaram toda a ação, permitindo-lhes capturar os responsáveis. O arranjo do caixão, devido aos materiais existentes, estima-se elevado, atingindo valores praticamente incomportáveis.

Independentemente do valor da fotografia, para profissionais e/ou amadores, nada paga o valor da Cultura. Infelizmente este não foi caso único e relembra-nos de um outro desastre cultural ocorrido aquando das filmagens do filme “A Praia” com Leonardo DiCaprio. Maya Beach, nas Ilhas Phi Phi apresentavam um cenário ilídico, do qual deveriam preservar. Não só não o fizeram durante as filmagens, deixando um rasto de destruição e poluição, como foram responsáveis pela afluência massiva de turistas à região.

Dois exemplos do que a irresponsabilidade pode causar. Danos irreparáveis que acabam com um ciclo de preservação, muitas das vezes por questões que são perfeitamente evitáveis.

Se ponderarmos o rácio custo/benefício das ações ocorridas no Reino Unido, nunca o valor da fotografia se sobreporia ao valor da destruição ocorrida.

Qual deverá ser, então, o limite para registar uma qualquer ocorrência? Sen haver leis que o ditem, diria que deverá ser o momento em que prejudicamos os outros ou em que colocamos em risco a nossa própria segurança. A fotografia não deverá ser a razão para que tudo termine. Em vez, deverá ser a razão por que tudo começa.


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