OPINIÃO

Aproveita as fotografias más…


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Tirando os indecisos, como eu, grande parte dos fotógrafos mantém um ritual bem definido no que respeita ao tratamento das suas fotografias. Captura, “revela”, guarda as que mais interessam e deita fora as restantes. Fotos desfocadas, má composição, alguém que aparece à frente no momento errado, uma cara “esquisita” ou uma expressão menos própria para uma fotografia são apenas algumas das razões para se classificar uma fotografia como má!

Para mim não há más fotografias, há apenas aquelas que, por obra e graça do “Espírito Santo” não saem como eu tenho a certeza que as fotografei (risos…). Talvez por, em tempos, ter lido um artigo sobre o aproveitamento das fotografias más para criação de padrões e imagens abstratas, que acredito que tudo tem salvação. Se não é para “isto” será para “aquilo”, mas ao menos temos a certeza que tudo é reciclável, basta apenas definir o produto final.

Fotógrafo que se preze – e não precisa de ser profissional – está sempre pronto a disparar. Um passeio pelo parque, uma festa de aniversário ou casamento, um evento desportivo ou até em fotografia de vida selvagem, todos os momentos são dignos de registo.

Imaginem que captam uma personalidade (vamos dizer um artista estrangeiro, para não ferir suscetibilidades, como o Bono dos U2 ou o Principe Carlos de Inglaterra) a meio de um tropeço cujo final é ficarem estatelados no chão. Imaginem agora que tinham conseguido captar o momento… A venda dessas fotografias a uma revista cor de rosa dar-vos-ia, com certeza, uma boa maquia de dinheiro. Agora substituam a personagem por, por exemplo, uma noiva ou um noivo…

sacodolixo

Noivos em desfile quando interrompidos por um .. saco do lixo

Não acreditando que a façam incluir no álbum de casamento, a fotografia não vai perder a sua piada… A cara da noiva ao provar o champagne que não é do seu agrado, … não sei, imaginem situações! Obviamente que o lucro que vão retirar dessas fotografias é inexistente, mas ainda assim compensa manterem os registos. Conhecem Habib Bourguiba? Ele dizia “Feliz é aquele que pode rir de si mesmo, pois nunca deixará de se divertir”, e a vida é um pouco isto… Quem não tem (pelo menos) uma foto embaraçosa de si mesmo?

Acredito que as fotografias comprometedoras possam trazer bons momentos de felicidade e motivos de descontração num futuro próximo. Há que acabar com a preconcepção de ideais fotográficos e deixar de lado as posições e as imagens formatadas. A inovação e a descontração traz uma nova vida às “fotografias más”. Senão vejam, são (est)as fotografias más que:

  • nos fazem rir,
  • nos transportam para momentos divertidos do nosso passado,
  • mostram quem realmente somos e
  • captam a verdadeira essência de uma situação real.

Em conclusão, e esquecendo o exagero de aproveitar as fotografias realmente más para imagens abstratas, o importante é que devemos começar a olhar para a fotografia sob uma outra perspetiva. Se o importante é fazer um cliente feliz, e se estas fotografias arrancam uma gargalhada (ou pelo menos um sorriso) ao cliente, então são suficientemente boas. Boas para registo, para oferecer, para mantermos e revivermos aquele momento que, de alguma forma, foi especial. O que importa se são é uma fotografia para o portefólio ou para um álbum? O que importa se não é “épica” ou “monstruosa” em termos de enquadramento? Por que razão queremos marcar a diferença pela perfeição? Marquemos simplesmente a diferença. Fartem-se de elevar a fasquia quando neste momento o que é valorizado é a simplicidade.

Sejam simples, verdadeiros e, acima de tudo, ganhem a confiança do cliente. mantenham-se fiéis aos vossos princípios e ao desejo de evoluir tecnicamente; simplesmente não se esqueçam dos momentos (leia-se registos) mais simples.

 


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