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ALPHAVILLE: Afinal existe fórmula para ser “Forever Young”


Tempo de Leitura: 6 minutos

A banda germânica Alphaville atuou no passado dia 18 de novembro no Coliseu do Porto. Longe do estrelato dos anos 80 e 90, mostraram que existe realmente uma fórmula para a juventude eterna.

Em parceria com os Senhores do Ar, a FOTOGURU foi fotografar o concerto dos ALPHAVILLE ao Coliseu do Porto. Tínhamos tido uma primeira experiência com o concerto de Jimmy P no HardClub, pelas mãos do Mundo de Músicas e quisemos repetí-la, agora com a mítica banda dos anos 80 e 90.

O objetivo era, não só registar os melhores momentos do concerto, mas também falar sobre a forma como se encara um concerto. A concentração estava marcada para 45 minutos antes do concerto começar. Juntamente com os elementos dos Senhores do Ar, demos o nome e identificamos o órgão de comunicação social. Como contrapartida, foi cedida uma pulseira identificativa de imprensa. Sempre com um elemento da produtora, fomos encaminhados para a parte frontal da sala, mesmo junto ao palco.

As regras não variaram muito dos restantes concertos que temos fotografado (embora para entidades externas e mais vocacionadas para a área da música). Temos permissão para fotografar apenas as 3 primeiras músicas, sendo que depois temos de nos retirar. É aqui que, por vezes, as coisas mudam. Com ALPHAVILLE pudemos permanecer na sala, onde houvesse um lugar vago, e fotografar livremente. Mas vamos ao que realmente interessa.

Preparação

A preparação para o concerto começou cedo, ainda em casa. A checklist de material inclui:

  1. Corpo de Canon 6D
  2. Lente Canon 16.35mm f/2.8
  3. Lente Canon 70-200mm f/4.5
  4. Duplicador Canon 1.4
  5. Peak Design CaptureLENS
  6. Cartão de Memória
  7. Bateria carregada

 

photo-set-alphaville

Pode parecer simples, mas por vezes é onde erramos com mais facilidade. A primeira conclusão que retiramos é que devemos preparar o material, pelo menos com 2 dias de antecedência. Não dizemos para “fazer o saco”, mas para começar a apontar o material que vamos usar. É certo que alguma coisa pode falhar e, uma vez em frente ao palco, já não há volta a dar… Enquanto não começa o concerto, tirem algumas fotografias. Vejam as configurações da máquina, mesmo que posteriormente possam ter que as alterar. Há sempre uma configuração que ficou da sessão anterior que vos pode atrasar.

A Sessão

Começado o espetáculo, o tempo que temos disponível parece ser parco. Contudo, dá perfeitamente para fazermos as imagens suficientes para enviar ao nosso cliente. Os ALPHAVILLE entram e os fotógrafos amontuam-se ao centro. Sempre o mais baixo possível para não incomodar os que pagaram para ver o espetáculo, tiramos as primeiras imagens da noite. ISO alto, modo manual e grande abertura. Captar imagens com a maior velocidade possível afasta-nos de um resultado onde a grande maioria das fotografias têm “arrasto”. É normal haver mudanças de luz. Há os focos, há as intensidades e as tonalidades que obrigam a uma pós produção. Uma sessão fotográfica proveniente de um espetáculo ao vivo requer sempre uma sessão de pós produção.

Não podemos estar preocupados com a abertura, a velocidade, o enquadramento, enquanto a banda se movimenta de um lado para o outro. Fotografar em RAW é, por si só, obrigatório. Conhecendo as vantagens do RAW, permite-nos retirar mais da pós produção com o intuito de apresentar um trabalho mais profissional.

No nosso caso, levamos só um corpo (Canon 6D), por isso usamos um produto fantástico chamado CaptureLENS do qual já falamos aqui no site. Caso vos seja possível, usem uma segunda câmara. Independentemente do equipamento que levem, façam-se acompanhar dele. Enquanto eu mudo de 16-35mm para a 70-200mm, há algumas dezenas de fotografias que se tiram. Quem sabe não acabam de perder “a fotografia da noite”?

Por fim, tentem o vosso melhor. Em primeiro lugar, garantam o trabalho mínimo. Começamos por fotografar a banda. A primeira música, os primeiros acordes e captamos a forma como a “máquina” se interliga. Depois, à medida que a música vai avançado, começamos a fazer fotografias individuais. Primeiro fotografamos o Marian Gold, depois percebemos que Carsten Brocker tinha um forte presença em palco pelo que nos voltamos para ele. O facto dos ALPHAVILLE se apresentarem em palco com uma mulher no baixo é, por si só, alvo de atenção. Alexandra Merl, além de boa executante tem igualmente uma forte presença em palco. Se a isso juntarmos os focos que projetavam a luz por trás, mostrando apenas a silhueta da artista, a fotografia está “feita”. As guitarras estão a cargo de David Goodes que não desilude. Por último, mas sem qualquer desprimor, temos Jakob Kiersch na bateria. Confinado áquele pequeno espaço, escondido por detrás de pratos, tarolas, timbalões e bombos, quase que não se vê.

O avanço dita que tentemos captar grandes planos. Expressões que ajudem a transmitir a música que não passa através das fotografias. Com o concerto a avançar e o tempo a escassear, procurem inovar. Não desesperem pois já garantiram o “serviço mínimo”, lembram-se? Procurem a contraluz, o solo do guitarrista ou o break do baterista.

O concerto de ALPHAVILLE foi uma agradável surpresa. Uma experiência que, esperemos, se venha a repetir…

O Concerto

O pano abre e os ALPHAVILLE estão em palco. Sem uma grande entrada apoetótica, soam os primeiros acordes de HOMEOS. Marian Gold tem uma silhueta bastante diferente da dos anos 90. Irreparavelmente mais velho, com barba e com uns quantos quilinhos a mais, quase que nos engana. Leva-nos a questionar “onde está o verdadeiro vocalista dos ALPHAVILLE?. Todo de preto, não há o que o impeça de se mexer ao som de I DIE FOR YOU TODAY GRAVITATION BREAKDOWN , entre outras. 

Muito longe do que se imaginava, até pelo pouco conhecimento existente quanto aos temas “extra hits” da banda alemã, o tom foi variando de uma música para a outra. Oscilando entre registos mais calmos e outros completamente alucinantes, talvez estivessem muito à frente, durante as décadas de maior sucesso. Uma banda desaparecida, que qual Phoenix ressurge das cinzas, apresenta-se como capaz de concorrer com outras bandas da atualidade.

O concerto decorre sem granes conversas. O intervalo entre musicas serve apenas para molhar os lábios até que se comece tudo de novo. Foi apenas para apresentar NEVERMORE que Marian Gold fez uma breve introdução. “Esta música fala das lutas internas entre o bem e o mal. Fala sobre as vezes que somos assombrados por pensamentos menos bons e que nos forçam a tomar decisões erradas…“. Seguiu-se mais um dos temas fortes da noite. É óbvio que BIG IN JAPAN, SOUNDS LIKE A MELODY ou FOREVER YOUNG levaram a sala ao rubro. Sem desiludir, todos vibraram com os hits de outros tempos. Quantas lembranças não se viveram esta noite no Coliseu do Porto?

Todas as músicas foram a primeira… (eu explico) A força, a vontade e a forma como se manteve durante as quase duas horas de concerto, levou muitos a pensarem se não se trataria de playback. Por entre um apontamento ou outro, percebia-se que não, mas ainda assim era perfeito demais para ser verdade.

Contudo, o descalabro aconteceu já no encore quando, durante MONKEY IN THE MOONMarian Gold parece não ter acertado uma única nota. Não, não é uma crítica destrutiva… Simplesmente notava-se que, mais do que o público, a própria banda estava ali para curtir! O entusiasmo era tanto e a forma como o público correspondeu era tão comovente que acabou por se esquecer … de cantar.

Um grande concerto de uma grande banda que afinal não conhecia como pensava!

Fiquem com a Set List do espetáculo de hoje:

  • Homeos
  • I Die For You Today
  • Gravitation Breakdown
  • Heartbreak City
  • Rendezvoyeur
  • Big In Japan
  • Dance With Me
  • Heaven On Earth
  • Around The Universe
  • Jerusalem
  • Nevermore
  • A Victory Of Love
  • Sounds Like A Melody
  • Forever Young

— encore —

  • The Jet Set
  • Song For No One But Myself
  • Monkewy In The Moon
  • Beyond The Laughing Sky

 

Gostaríamos de tecer um rasgado agradecimento aos Senhores do Ar, pela oportunidade que nos concederam. Na esperança que, num futuro próximo, tudo isto se possa repetir, resta-nos lembrar que estão já agendados outros concertos como por exemplo o de Nik Kershaw…

 

Vejam a galeria..


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