Blog INSPIRAÇÃO

Abandonados, mas com muitas histórias para contar!


Tempo de Leitura: 3 minutos

Quando a fotografia extravasa os parâmetros da normalidade, começamos a procurar outros pontos de atração. Os edifícios abandonados são, por excelência, um dos grandes objetos de desejo.

Urbex, é assim que se chama este tipo de fotografia. Urbex é um estrangeirismo e refere-se a locais abandonados, fora do acesso comum. Podem ser casas, parques de diversões, parques de estacionamento, fábricas,… Há, em todo o mundo, uma verdadeira mina de ouro (fotograficamente falando) por descobrir.

Por cá, já falamos algumas vezes sobe o tema. Entrevistamos o “supra sumo” do Urbex português, o Rui Almeida (reconhecido já no estrangeiro), e o primeiro grupo organizado dedicado à fotografia de abandonados, os Caça Devolutos.

Não temos a certeza de que os procedimentos que aqui vamos referir são os utilizados por eles. Contudo, acreditamos que não deverão andar muito longe desta realidade.

Material

A fotografia de abandonados requer material específico. Não basta ter uma câmara de entrada de gama e o kit original de lentes. Nestes casos, exige-se um pouco mais do equipamento e da própria condição física do fotógrafo.

Não são exigidos grandes apetrechos, antes equipamento minuciosamente escolhido para o tipo de fotografia a executar. Uma vez que grande parte destes locais se reserva ao escuro, um tripé é fundamental. Obviamente que deverá ser um tripé leve, mas seguro. Quanto ao equipamento fotográfico propriamente dito, um corpo (apenas) e duas lentes devem ser o suficiente. Uma lente grande angular e uma prime fazem todo o trabalho necessário. Já agora uma mochila (não uma sacola) para colocar às costas, e uma lanterna.

 

casaroes-abandonados-rui-almeida

Fotografia de Rui Almeida. http://ruialmeidaphotography.com/

 

As memórias são normalmente obscuras e para eliminar o ruído da imagem, convém fotografar com ISO baixo. Assim, a utilização do tripé está explicada. Longas exposições e imagens estáticas. (fotografia de Rui Almeida)

Por vezes o espaço é apertado e deve incluir-se o máximo de informação possível. Assim, uma lente grande angular traz um melhor resultado.

 

carros-abandonados-rui-almeida

Fotografia de Rui Almeida. http://ruialmeidaphotography.com/

 

As fotografias do Rui contam verdadeiras histórias. Se não servirem para mais nada (o que duvido), servirão como inspiração…

Legalidade

Esta questão é talvez a mais delicada em todo o processo. Esconder a identidade do local, muitas vezes, protege-nos de eventuais processos judiciais. Grande parte destes sítios são propriedade privada e temos de arriscar… Arriscamos ser vistos pelos proprietários, por amigos ou até ser apanhados por sem abrigos e toxicodependentes.

Estas residências abandonadas são, grande parte das vezes, utilizadas como habitação ou “sala de chuto“. Todo o cuidado é pouco. Assim, é imprescindível que se faça um prévio reconhecimento do local. Se estudem eventuais entradas e saídas de pessoas indesejadas e, quando decidirmos avançar, fazê-lo acompanhado. Podemos recorrer ao Google Maps para conhecer as imediações e decidir qual a entrada e a saída da habitação. Caso seja possível, definir-se-á uma “saída de emergência”.

Sabemos que parece mais um ataque surpresa em busca de Bin Laden, mas na realidade é a nossa pele que está em jogo. Não queremos problemas de ordem física, judicial ou material. Todo o cuidado é pouco!

 

Independentemente de todo o perigo que possamos enfrentar, fotografias como as que aqui apresentamos (e outras com as quais nos podemos deliciar no site do Rui Almeida), fazem-nos querer experimentar. Serão certamente fotografias únicas, que poucos replicarão, aumentando o nosso portefólio fotográfico não só em número, mas e qualidade.


Artigos que podem interessar

Sem Comentários

    Deixe um Comentário