Blog OPINIÃO

A originalidade morreu: Viva a adaptação!


Tempo de Leitura: 3 minutos

Já não há rodas para serem inventadas. Hoje, com a capacidade de pesquisa e as fontes de informação disponíveis, já é possível criar variações e adaptações ao que outros inventaram. Ainda assim, pode ser considerada uma forma de originalidade.

A originalidade é um conceito muito ambíguo. Desde que introduzimos um elemento diferenciador, deixa de ser uma cópia para ser algo novo. Nesse sentido, é importante percebermos se há algum trabalho que se assemelhe ao que pretendemos fazer ou, por outro lado, se não podemos usar uma linha de trabalho e adaptá-la.

Muitos têm sido as sessões que me têm solicitado, grande parte delas novas para mim. Desisti de os negar e face aos últimos acontecimentos e acredito que foi uma decisão acertada. Não tenho dúvidas das minhas capacidades; o que não sei é se elas correspondem à ambição dos clientes.

É importante ser humilde e elucidar cada um deles para a minha falta de experiência em determinadas áreas. A minha sorte é que tenho vindo a trabalhar o mercado mais próximo (os amigos e as referências pessoais de cada um deles) e tem-me sido relativamente fácil. A resposta é sempre a mesma: “Tens de começar por algum lado e sei – e gosto – do teu trabalho. Quero arriscar!” (as palavras são deles, não estou a ser pretensioso…). O certo é que ou são mais meus amigos do que eu imaginava, ou realmente ficam satisfeitos com o resultado!

Fontes de Inspiração

Dependendo do trabalho solicitado, procuro inspirar-me noutros fotógrafos com os quais me identifico. Uso as Redes Sociais, os sites, as buscas diretas pelo tema no Google… Uso tudo o que me lembro para saber o que se está a fazer. Por outro lado, a mesma pesquisa serve-me para identificar o registo onde não me quero inserir.

Gosto de me destacar pela diversidade. Sei por, por vezes, esta se torna fatal. Ainda assim, não acredito que haja lugar para todos, considerando que todos fazemos o mesmo da mesma forma. Então intensifico as pesquisas e guardo os resultados que mais gosto.

Procuro essencialmente os fotógrafos que mostram o “antes” e o “depois”. Ensinam-nos a ler os locais e a perceber que em determinado sítio, por mais banal que seja, é possível fazer boa fotografia. A essa pesquisa junto conhecimento de outros artistas gráficos com capacidades de pós produção e edição fotográfica. Facilmente o caminho começa a revelar-se. No final, pego em algumas das minhas imagens preferidas e transponho para os locais que conheço e onde me é permitido fotografar.

Sem mais do mesmo?

Não tenho nada contra quem trabalha. Nada a apontar quem faz sempre da mesma forma. Acredito antes que cada um deve encontrar o seu registo e trabalhá-lo. Em vez de criticar, invejo quem já se estabeleceu e definiu a sua zona de conforto.

Não devemos manter-nos no mesmo registo durante muito tempo. Contudo, ter uma zona de conforto dá-nos à vontade para procurarmos e evoluirmos na originalidade. Tendo o trabalho mínimo garantido, é mais fácil inventar… Pessoalmente não tenho registo, não tenho zona de conforto em muitos dos casos. Para mim é um pouco mais complicado.

Nesse sentido, fazer o que os outros fazem não me traz mais valias. Também não traz vantagens a quem arrisca comigo… Se é para ter o que os outros têm, vou pagar a quem sei que me faz um trabalho em condições. É um pensamento legítimo e defende o investimento. Jogar pelo seguro nunca magoou ninguém.

Ainda assim, para mim, torna-se difícil justificar o meu trabalho. Portanto, nada mais tenho a fazer senão criar uma alternativa ao que o mercado tem para oferecer. O certo é que as requisições começam a ser em maior número, significando que a aposta e a escolha do registo está a ser a melhor. Melhor no sentido de diferenciação, não em termos comparativos perante o trabalho de outros colegas. Ainda me faltam muitos milhares de cliques para chegar ao nível deles…

 

No meio de tudo isto, o importante reter é que não sou melhor que ninguém; não sou um iluminado. Apenas uso a minha capacidade de observação e a memória para reproduzir, com as devidas alterações e adaptações, as imagens que apreciei nos outros. A minha inspiração é a minha originalidade. Procura desenvolver a tua…

 

Ler também


Artigos que podem interessar

Sem Comentários

    Deixe um Comentário

    Blogs do Ano - Nomeado Inovação e Tecnologia