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A história de uma fotografia: um “achado” ou coincidência?


Tempo de Leitura: 3 minutos

Fotografamos porque gostamos. Fotografamos para eternizar o momento. Fotografamos porque nos pagam… ou não! Com um objetivo definido ou não, o certo é que por vezes a coincidência existe.

O artigo de hoje é uma história pessoal… Aconteceu, quase um ano depois, mas com muita surpresa… Coincidência? Talvez não, mas o certo é que foi quase como “uma agulha no palheiro”.

No ano passado, em 2017, fui fotografar o festival MEO Marés Vivas, na Praia do Cabedelo. Já é costume fazê-lo e pretendo continuar enquanto tiver essa possibilidade. Foi para a revista Glam Magazine, uma publicação de música que faz também a cobertura de espetáculos ao vivo. O cartaz de 2017 continha, entre outros nomes, um sonante – os Scorpions!

Os dias foram passando (são 3 dias de concertos) até chegar a altura de fotografar os gigantes de Dusseldorf. Descemos para o pit e começamos a disparar à medida que eles iam tocando as primeiras três músicas. Findo o período autorizado para registo fotográfico, saímos e foi cada qual para o seu lado. Por norma ficamos na área dedicada à imprensa, mas eu tinha levado uma 150-600mm, emprestada pela Fragmáticos e decidi vir cá para trás registar mais umas imagens.

Fui registando algumas fotografias para completar o meu trabalho que, posteriormente, publiquei. Publiquei na revista, no meu site pessoal e no Facebook.

Tudo passou, e há 3 dias recebi um email de um revista francesa. É uma revista da especialidade (música), mas com a vertente de bateria. Pelo que fui informado, entrevistaram o baterista dos Scorpions e ex-MotorhearMikkey Dee. No mesmo email faziam referência a ter sido este último a ver uma das fotografias que publiquei. A surpresa instala-se e o orgulho cresce. Que coincidência! Logo de uma fotografia minha…

 

a coincidência da escolha

Scorpions. Foto tirada no MEO Marés Vivas 2017

 

Falam do curto orçamento e da impossibilidade de pagarem pelo trabalho e aqui surgem as dúvidas. Trabalhar de borla ou ser pago pelo trabalho?

Trabalhar de Borla

A possibilidade de poder facultar o meu trabalho pode trazer-me algum prestígio. Não que eu faça da fotografia profissão, mas é certo que todos ansiamos ver o nosso nome ao lado de fotografias de personalidades (das mais diversas áreas). Sempre que virem aquela fotografia lerão o meu nome.

Por outro lado, se não ceder o meu trabalho, pelo mesmo preço terão mais uns bons milhares de fotografias para escolher. Alguém fará o trabalho por troca de “nada”. É uma questão a ponderar…

Ser pago pelo Trabalho

Quem trabalha quer ser pago. O trabalho do fotógrafo não é fácil. Nem todas as fotografias chegam a ver a luz do dia, enquanto o material continua a ter desgaste. Esta desvalorização só será paga com o valor do nosso trabalho.

Por outro lado, já fui pago inicialmente e receber duas vezes por uma mesma fotografia é algo que fascina. Coincidência? Talvez não… Talvez esta seja mesmo uma grande fotografia (embora pessoalmente tivesse escolhido outras).

 

O dilema está instalado e, de borla a troco de alguma coisa ou pago, a decisão foi tomada. Não a revelo porque vou ser criticado por uns e valorizado por outros, seja que decisão for. É uma questão pessoal que cada um deve tomar quando estiver perante uma situação igual.

O certo é que a persistência traz frutos. Nunca sabemos quem pode ver o nosso trabalho e, de repente, podemos ter uma solicitação vinda de qualquer parte do mundo. Extrapolando, quem sabe não dá frutos e depois de Mikkey Dee não vem outro baterista? Ou um guitarrista… quem sabe? Quem corre por gosto não cansa e, pessoalmente, não acho que tenha sido coincidência. Mikkey Dee há-de ver milhares ou milhões de fotografias suas. Porquê ficar com a minha na cabeça e pedir para que seja utilizada?


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